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Médico do laudo falso contra Boulos é preso por fraude de R$ 845 milhões

Investigação do Gaeco liga Luiz Teixeira da Silva Júnior ao esquema de desvio na herança da Unip e relembra documento fraudulento usado por Pablo Marçal na eleição de 2024

Pablo Marçal

Pablo Marçal e o médico Luiz Teixeira da Silva Junior em março de 2023 / Imagem: Reprodução/Instagram via UOL

RESUMO
URBS MAGNA

Brasília (DF) · 31 de março de 2026

A justiça de São Paulo avançou nesta terça-feira (31/mar) com a prisão temporária do médico Luiz Teixeira da Silva Júnior, figura central em dois episódios distintos de falsificação documental.

O profissional, dono da Clínica Mais Consultas, integra o grupo de nove investigados pela operação deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil.

O alvo principal é o desvio de R$ 845 milhões do espólio de João Carlos Di Genio, fundador do grupo educacional Unip/Objetivo, morto em fevereiro de 2022.

De acordo com o g1, Luiz Teixeira da Silva Júnior atuou como articulador do esquema que envolvia contratos simulados, assinaturas adulteradas e uma câmara arbitral fictícia chamada Fonamsp.

O objetivo era criar dívidas inexistentes e pressionar os herdeiros por meio de ações judiciais fabricadas.

A decisão judicial que autorizou a prisão temporária, decretada em 23 de março pelo juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, destaca o risco de destruição de provas e influência sobre testemunhas.

O caso ganha contornos ainda mais graves quando se retoma o episódio ocorrido durante a campanha eleitoral de 2024. Luiz Teixeira da Silva Júnior é o mesmo profissional acusado de falsificar o laudo médico que Pablo Marçal (então candidato do PRTB, hoje filiado ao União Brasil) divulgou nas redes sociais a dois dias do primeiro turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo.

O documento atribuía a Guilherme Boulos (PSOL), hoje ministro, um suposto surto psicótico grave, delírio persecutório, ideias homicidas e uso de cocaína, com recomendação de internação psiquiátrica.

Perícias técnicas da Polícia Federal e do Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmaram que a assinatura era forjada e que o laudo continha erros graves, incluindo número de RG incorreto.

Pablo Marçal foi condenado pela Justiça comum a pagar R$ 100 mil de indenização por danos morais a Guilherme Boulos por calúnia.

A Justiça Eleitoral também manteve a inelegibilidade do empresário até 2032 por uso indevido dos meios de comunicação.

Luiz Teixeira da Silva Júnior nega ter produzido o documento falso, mas permanece investigado no inquérito que apurou o episódio eleitoral.

A conexão entre os fatos revela um padrão de conduta que as instituições agora combatem com rigor.

A operação atual, que inclui 15 mandados de busca e apreensão em endereços da capital, Guarulhos, Barueri e Jandira, além do bloqueio de bens, reforça o compromisso com a apuração de fraudes que comprometem tanto o patrimônio público quanto a lisura dos processos eleitorais.

O médico, que se apresenta nas redes como perito judicial federal e adido consular de saúde, já possuía condenação anterior por falsificação de documentos no Conselho Regional de Medicina.




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Pablo Marçal e o médico Luiz Teixeira da Silva Junior em março de 2023 / Imagem: Reprodução/Instagram via UOL
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