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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Washington, D.C. (US)
    28 de agosto de 2026

    O helicóptero Marine One, com o presidente Donald Trump a bordo, decolou da Ellipse, em Washington, em 4 de agosto, no mesmo intervalo em que um jato da Envoy Air saía do Aeroporto Nacional Ronald Reagan.

    A proximidade rompeu a margem de segurança e reabriu o debate sobre o céu mais vigiado dos Estados Unidos.

    A primeira cobertura do episódio, segundo o The Washington Post, e a Reuters, partiu do The Wall Street Journal.

    Na quinta-feira (27/ago), o NTSB divulgou o relatório preliminar OPS26LA063 e descreveu o que a torre de fato ouviu — e o que não ouviu.

    Por volta das 14h34, horário local, o Sikorsky VH-3D da Marine Helicopter Squadron One (HMX-1) deixou o parque ao sul da Casa Branca.

    Um minuto depois, o voo Envoy Air 3742, um Embraer E-170 prefixo N307LH, decolou da pista 1 com destino a Pensacola, na Flórida.

    A estimativa preliminar da FAA , reproduzida pelo próprio NTSB, colocou as aeronaves a cerca de 0,82 milha náutica na horizontal e 700 pés na vertical, a aproximadamente duas milhas ao norte do aeroporto, em Arlington, na Virgínia.

    A regra federal citada pela Reuters exige ao menos 1,5 milha na horizontal e 500 pés na vertical no entorno aeroportuário.

    Depois da colisão de 29 de janeiro de 2025 sobre o rio Potomac, que matou 67 pessoas, a aviação comercial em Reagan passou a conviver com restrições duras a helicópteros.

    Ainda assim, no 4 de agosto, o tráfego comercial não parou quando o presidente deixou o solo.

    O documento federal registra duas tentativas da tripulação do Marine One de cumprir o aviso de três minutos combinado com a FAA desde 2013. A primeira “não foi recebida de forma alguma”. A segunda, “falha e completamente ilegível”.

    O relé pela instalação de helicópteros da Joint Base Anacostia-Bolling também falhou.

    O Politico acrescenta que um controlador que encerrava o turno havia informado o colega sobre um movimento VIP; vinte minutos depois, a transmissão do helicóptero não entrou na frequência da torre.

    O The Washington Post reproduziu o áudio captado fora do circuito oficial: “Torre, só para confirmar se nos copiou. Marine One, três minutos para a decolagem” e, em seguida, “Torre, nos copiou? Marine One, três minutos para a decolagem.”

    A resposta ouvida no canal da torre foi “Última chamada, está falha e ilegível.”

    Gravações publicadas pelo site ATC.com, citadas pela CBS News e pela CNN, indicam que o helicóptero transmitiu o alerta; as fitas oficiais da FAA na torre de Reagan não registraram essas chamadas.

    Em 30 de julho, controladores e pilotos da HMX-1 já haviam se reunido para tratar de chamadas de decolagem que não chegavam. A tripulação descreveu as comunicações como “irregulares”, segundo o relatório e a Reuters.

    O plano B — repassar o aviso por um terceiro — não funcionou no dia do incidente. A causa técnica descrita pela CNN e pelo The Hill está no deslocamento da operação.

    Com obras no complexo da sede do governo em Washington — inclusive no heliponto do gramado sul —, o Marine One passou a operar a partir da Ellipse. Engenheiros da FAA concluíram que “não havia linha de visão adequada para garantir as comunicações entre o transmissor/receptor de rádio e a Ellipse, de onde o Marine One operava temporariamente durante as obras na Casa Branca.”

    A tripulação do jato da Envoy Air, subsidiária da American Airlines, relatou ao NTSB um aviso “Tráfego, tráfego” do sistema TCAS logo após a decolagem. Não houve avistamento visual do helicóptero nem emissão de aviso de resolução (RA).

    O primeiro oficial pilotava; o comandante monitorava. Os pilotos do Marine One, já em contato depois de ganhar altitude, avistaram o tráfego e fizeram uma pausa.

    A NBC News e a Associated Press, em despacho reproduzido por veículos americanos, registram que o jato subiu e as trajetórias se afastaram. Ninguém se feriu.

    O helicóptero concluiu o trecho até a Joint Base Andrews, no caminho de uma viagem à Costa Oeste. O voo comercial chegou a Pensacola.

    Outra aeronave regional, o Republic 4700, a cerca de três milhas de Reagan, foi desviada por precaução, segundo a Reuters. A CNN citou a FAA no dia seguinte ao ocorrido: “Com base em nossa análise preliminar de segurança, houve perda momentânea de separação, após a qual as aeronaves continuaram a se afastar uma da outra.”

    O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, disse ao The Wall Street Journal, conforme a mesma reportagem, que “os voos do Marine One são pilotados por alguns dos melhores aviadores do mundo, e em nenhum momento o presidente correu perigo.”

    Depois do relatório, Desai afirmou à CBS News que a presidência “mantém a mais absoluta confiança nesses patriotas” e que “o presidente não esteve em perigo em nenhum momento durante a perda momentânea de separação em 4 de agosto.”

    O Corpo de Fuzileiros Navais classificou o voo como “rotineiro” e sustentou que a torre “não atrasou a tripulação do helicóptero, não pediu que esperassem nem alterou seu perfil de voo”.

    O secretário de Transportes, Sean Duffy, havia dito à CNN, em 13 de agosto, que havia “alguns problemas de telecomunicações” entre a equipe do Marine One e a FAA.

    O administrador da agência, Bryan Bedford, informou que uma antena foi realocada e que o procedimento foi alterado.

    O NTSB confirma a mudança dos rádios de controle de helicóptero de um bairro residencial para o topo da torre de Reagan e diz que verificações posteriores não apontaram nova deficiência.

    O relatório federal também registra, no campo de notificação internacional, o CENIPA, órgão brasileiro acionado como representante do Estado de projeto do Embraer E-170, nos termos do Anexo 13 da OACI.

    A menção está no documento americano OPS26LA063. A fabricante aparece no formulário como Yabora Indústria Aeronáutica S., razão social associada ao E-170.

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    A justiça aeronáutica, neste caso, ainda é administrativa.

    A investigação segue com a FAA, a Marinha, a Envoy Air e a própria junta de segurança.

    O relatório preliminar do NTSB passou a ser o documento de referência nos veículos americanos. Novos cálculos de trajetória e o relatório final da junta ainda não foram publicados.

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