O jurista lamenta “viver num país em que o maior veículo de comunicação não se dá ao respeito de se comprometer minimamente com a verdade“. Em sua visão, a emissora repete, em pleno “século XXI” a “pequenez jornalística do século XIX” e diz que ela pratica o “jornalismo amarelo“
Brasília (DF) · 24 de março de 2026
Lamento viver num país em que o maior veículo de comunicação não se dá ao respeito de se comprometer minimamente com a verdade. Eis a Rede Globo: uma imprensa do século XXI repetindo a pequenez jornalística do século XIX. Yellow Journalism (jornalismo amarelo). Tudo pela mentira
Marcelo Uchôa (@MarceloUchoa_) no X, às 9:46 PM · 23 de mar de 2026
Marcelo Uchôa acusa Rede Globo de jornalismo amarelo no caso Master. O advogado questiona a retratação vaga feita por Andréia Sadi, em nome da emissora após o infográfico que viralizou como o “PowerPoint” ao estilo do ex-procurador, e hoje deputado cassado, da extinta “Lava Jato” da “República de Curitiba“.
Segundo a apresentadora do programa Estúdio i, da GloboNews, a “arte” estava “incompleta”. Ela ligava o governo federal, de modo tendencioso e inaceitável pelas redes sociais, dado o histórico da Globo contra Lula e o Partido dos Trabalhadores, ao escândalo do Banco Master.
Assim, o advogado e conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania classificou a conduta da Rede Globo como jornalismo amarelo, prática que remete ao sensacionalismo do século XIX e prioriza a narrativa em detrimento dos fatos.
O material buscava mapear as conexões do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, com figuras da República. Entre os nomes destacados em primeiro plano estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Guido Mantega, o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo e a estrela do PT.
A “arte“, conforme referência feita por Sadi, no entanto, não incluiu com o mesmo destaque outros envolvidos já tornados públicos pelas investigações da Polícia Federal e da CPMI do INSS, como ministros do STF e políticos do Centrão — que apareceram em segundo plano ou foram omitidos.
O impacto visual do infográfico gerou uma enxurrada de críticas nas redes sociais ao longo do fim de semana. De acordo com levantamento do analista de redes Pedro Barciela, publicado pelo ICL Notícias, o assunto foi amplamente dominado por postagens negativas à GloboNews.
Foram monitoradas 159 mil publicações no X, Instagram e Facebook no período de 72 horas: 84% dos comentários foram potencialmente negativos para a emissora, enquanto apenas 8% a defendiam e 8% eram neutros.
“O que a Globonews tentou fazer ali nada mais é do que um grafo. A ideia de um grafo é que as conexões (arestas) têm importância e, principalmente, peso. O peso de uma conexão é o que define a proximidade entre os atores e principalmente o tamanho da aresta”, explicou Barciela.
“A Globo faz uma escolha e deliberadamente ignora tudo isso ao colocar Ciro Nogueira longe, Jair Bolsonaro fora, Roberto Campos Neto fora, e deixar atores como Lula perto. Isso é uma escolha deliberadamente perversa (e errada) até mesmo sob a perspectiva técnica da questão”, completou.
A comparação com outro episódio marcante da comunicação política brasileira foi feita por diversos usuários e parlamentares. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) classificou o episódio como “muito grave”.
“É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo Power Point. Sinceramente, eu achei que depois do Power Point do Deltan Dallagnol, a gente não teria tão cedo outra tentativa tão grotesca de manipulação da opinião pública através da criação de uma narrativa com um Power Point”, disse.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) definiu a arte como “pior do que o PowerPoint do Dallagnol na Lava Jato”.
A jornalista Neide Duarte, que atuou como repórter especial da Globo, publicou no Instagram: “Dia da vergonha”.
Diante da repercussão negativa, a GloboNews reconheceu o equívoco. Na segunda-feira (23/mar), Sadi leu, no mesmo Estúdio I, um pedido de desculpas ao público. Ela admitiu que o material estava “errado e incompleto” e não seguia os princípios editoriais da casa. A retratação, contudo, não citou nominalmente os nomes omitidos nem detalhou as razões da seleção inicial.
Marcelo Uchôa considerou a resposta insuficiente. Em texto reproduzido pela Brasil 247, ele qualificou o pedido de desculpas como “covarde” e “vago”, cobrando esclarecimentos mais precisos sobre os nomes citados e omitidos.
Para o advogado, o episódio revela que a maior emissora do país ainda não se compromete minimamente com a verdade, repetindo padrões de imprensa que comprometem a democracia.
A falha editorial ocorre em momento delicado. O caso Master envolve investigações sobre fraudes no Banco Master, liquidação determinada pelo Banco Central e possíveis articulações políticas que atravessam diferentes governos. O próprio Luiz Inácio Lula da Silva já classificou o episódio como “ovo da serpente” de gestões anteriores, conforme reportado pelo g1.
Especialistas em ética jornalística lembram que a precisão e o equilíbrio são pilares da justiça informativa. Quando a mídia seleciona o que mostrar, ela influencia a percepção pública sobre poder, política e investigação.
No Brasil, onde o escândalo financeiro ganha contornos eleitorais, o rigor na apuração torna-se ainda mais relevante para preservar a confiança das instituições.
Lamento viver num país em que o maior veículo de comunicação não se dá ao respeito de se comprometer minimamente com a verdade. Eis a Rede Globo: uma imprensa do século XXI repetindo a pequenez jornalística do século XIX. Yellow Journalism (jornalismo amarelo). Tudo pela mentira.
— Marcelo Uchôa (@MarceloUchoa_) March 24, 2026
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