
O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) / Foto: Ricardo Stuckert | Ao fundo, o ator Jim Caviezel em trecho do filme Dark Horse, que conta a vida do ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro / Imagem reprodução
| Brasília (DF)
19 de maio de 2026, 09h45
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, realizada entre 13 e 18 de maio, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% das intenções de voto no primeiro turno, à frente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registrou 34,3% — queda de 5,4 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.
O recuo de Flávio Bolsonaro coincide exatamente com a divulgação, em 13 de maio, de áudios obtidos com exclusividade pelo The Intercept Brasil, nos quais o senador cobra do ex-banqueiro Daniel Vorcaro (ex-dono do Banco Master) o repasse de cerca de R$ 134 milhões para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
O caso Dark Horse — que já motivou apuração da Polícia Federal e do STF sobre possível desvio de recursos e lavagem de dinheiro — surge como fator decisivo na derrubada da pré-candidatura do PL, reforçando a importância da transparência no financiamento privado para a preservação da democracia e da justiça no processo eleitoral.
No mesmo cenário, Renan Santos (Missão) aparece com 6,9%, empatado tecnicamente com Romeu Zema (Novo), que tem 5,2%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) registra 2,7%. A distância entre Lula e Flávio Bolsonaro quase dobrou, de 6,9 para 12,7 pontos percentuais. Em cenário sem Flávio Bolsonaro, o presidente Lula ainda lidera com 46,7%, seguido por Zema (17%) e Caiado (13,8%).
A AtlasIntel ouviu 5.032 eleitores por recrutamento digital aleatório, com margem de erro de 1 ponto percentual e registro BR-06939/2026 no TSE.
A sondagem foi divulgada nesta terça-feira (19/mai), após o vazamento dos áudios que expuseram a negociação direta entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
Fontes ligadas ao instituto atribuem a erosão da imagem do senador à percepção de que o caso Dark Horse expõe riscos à lisura das campanhas, tema central para o eleitorado que valoriza instituições sólidas.
O episódio reforça como escrutínio público sobre recursos de origem questionável pode reconfigurar o tabuleiro político, fortalecendo candidaturas ancoradas em propostas claras de justiça social e defesa da democracia.
Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado ganham espaço como alternativas na direita, mas ainda distantes da polarização Lula-Flávio.
A eleições 2026 se desenha cada vez mais como teste de maturidade institucional do Brasil.
Isso pode levar alguns segundos
FAQ Rápido
1. O que a pesquisa Atlas revela sobre o primeiro turno de 2026?
Lula lidera com 47%, seguido de Flávio Bolsonaro com 34,3%. Renan Santos surge em terceiro com 6,9%.
2. O caso Dark Horse influenciou a queda de Flávio?
Sim. A sondagem foi feita após a divulgação dos áudios em 13 de maio. O senador perdeu 5,4 pontos, e a distância para Lula dobrou.
3. Qual o impacto para a democracia brasileira?
O episódio destaca a necessidade de transparência em financiamentos, fortalecendo a confiança nas instituições e o debate qualificado sobre justiça e política.
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Fontes confirmam que a PF avança na cooperação internacional para rastrear os recursos do Dark Horse.
O áudio “Dark Horse” expõe Flávio Bolsonaro e o elo podre do clã. A produção feita para exaltar o patriarca vira pesadelo eleitoral com áudio de pedido de R$ 134 milhões a banqueiro preso, unindo Lula e a direita.
O que era para ser uma glorificação da mitologia familiar transformou-se no mais devastador tiro no pé da história recente da política brasileira.
O filme “Dark Horse”, uma superprodução idealizada para consolidar o legado do patriarca Jair Bolsonaro, tornou-se a alavanca que pode enterrar as pretensões eleitorais do clã em 2026.
O casamento entre o desespero por caixa e a arrogância política criou a tempestade perfeita. A ficha caiu para os Bolsonaros quando o portal The Intercept Brasil revelou, em 13 de maio, a existência de um áudio bombástico.
Nele, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é flagrado tratando o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, como “irmão” e solicitando valores estratosféricos para concluir a produção do longa-metragem.
A reportagem do Intercept Brasil (acesso em 13/mai), confirmada pela TV Globo, revelou que o pedido de Flávio ocorreu justamente na véspera da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. O montante total negociado chegava a impressionantes R$ 134 milhões, com cerca de R$ 61 milhões já tendo sido repassados via fundos nos Estados Unidos.
O conteúdo das mensagens destrói a narrativa de “perseguição” construída pelo clã, evidenciando uma promiscuidade financeira com um banqueiro acusado de chefiar um esquema bilionário.
O esquema nos EUA e o papel de Eduardo A rota do dinheiro aprofunda o desgaste. As investigações da Polícia Federal (PF) conduzidas pelo delegado Fábio Alvarez Shor, apoiadas por reportagens da Folha de S.Paulo, mostram que os recursos de Vorcaro foram canalizados para o Havengate Development Fund, um fundo sediado no Texas – estado onde vive o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O fundo é gerido por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo. A suspeita da PF é que o dinheiro do filme serviu como laranja para bancar as despesas do “03” nos Estados Unidos e, potencialmente, abastecer caixa dois da campanha eleitoral.
Eduardo, que inicialmente negou ter atuação além da apresentação de um advogado, foi desmentido pelo G1, que teve acesso a um contrato no qual ele figura formalmente como “produtor-executivo” com funções de “captação de recursos”.
Sob pressão, Eduardo admitiu a assinatura, classificando as suspeitas da PF como “tosca”, mas sem jamais esclarecer seu status migratório à época dos recebimentos.
A “crise de versões” e o naufrágio político
O que agrava o dano político ao clã é a sucessão de mentiras e recuos. Ao ser questionado, Flávio Bolsonaro primeiro negou qualquer contato com Vorcaro. Com a divulgação do áudio pelo Intercept, alegou a existência de uma “cláusula de confidencialidade” para justificar a omissão. Já o ator Mário Frias, responsável pelo roteiro, afirmou que não havia “um único centavo” do banqueiro no filme, versão que desmoronou no dia seguinte.
A colunista Eliane Cantanhéde, do Estadão, sintetizou o sentimento do mercado político ao afirmar que os Bolsonaros se provaram o “maior inimigo da direita nacional”.
A declaração não é isolada. O ex-governador Romeu Zema (Novo), pré-candidato a presidente, afirmou ao G1 que o episódio foi uma “decepção” para seus princípios, embora tenha classificado o caso como “página virada” – um claro movimento de distanciamento. Para além das figuras nacionais, o esquema se ramifica por São Paulo. Reportagem da Folha e do G1 apontam que deputados estaduais destinaram mais de R$ 700 mil em emendas a entidades ligadas à produtora Go Up, comandada por Carina Gama.
O Instituto Conhecer Brasil, presidido por ela, também firmou um contrato de R$ 108 milhões com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na capital paulista, criando uma teia que envolve bolsonaristas e até mesmo o PT (um deputado petista também direcionou verba ao instituto, embora alegue que a indicação partiu de um grupo de teatro local).
Do Texas ao cárcere: a farsa do “lawfare”
Enquanto a bomba explodia no Brasil, Flávio Bolsonaro discursava no sábado (28/mar) na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) , em Dallas, no Texas. Na ocasião, ele tentou vender a imagem de “Bolsonaro 2.0” e pediu pressão dos Estados Unidos contra o sistema eleitoral brasileiro.
Em uma ginástica retórica digna de nota, o CPAC – organização que sediou o evento – chegou a divulgar nota oficial classificando Alexandre de Moraes como um “juiz tirano” e Jair Bolsonaro como um “preso político”, vítima de “lawfare”.
A ironia é cruel. Jair Bolsonaro está preso em Brasília condenado a 27 anos por tentativa de golpe, mas o lawfare real que ameaça o clã agora não vem do STF, e sim da promiscuidade exposta pelo próprio “Dark Horse”.
O filme, ao tentar resgatar a imagem do patriarca, escancarou ao país o modus operandi de uma família que prega a “ética” na teoria e pratica o “toma lá, dá cá” na prática.
Não se trata de perseguição política; trata-se de um áudio, um contrato e R$ 61 milhões que precisam ser explicados à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal. Com a PGR já de olho no caso e a opinião pública assistindo à novela dos “mermãos”, as chances de Flávio Bolsonaro emplacar sua candidatura despencam a cada nova página da investigação.
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