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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    12 de outubro de 2026

    Em 2026, o salário mínimo chegou a R$ 1.621 sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, acumulando alta de 11,8% acima da elevação dos preços. Isso representa aumento concreto no poder de compra dos trabalhadores que o recebem e dos aposentados mais pobres, cujos benefícios do INSS não podem ficar abaixo do piso nacional. A análise publicada nesta segunda-feira (12/out) na coluna de Michael França na Folha de S.Paulo contrasta o resultado com o governo de Jair Bolsonaro, no qual o ganho no poder de compra ficou em apenas 1,2%.

    O reajuste de 2019 ainda seguiu regra anterior de valorização. A maior parte daquele 1,2% veio dessa herança. Nos aumentos de 2020 a 2022, definidos pelo próprio governo Bolsonaro, o ganho real foi praticamente zero. Se a política daquele período tivesse sido mantida sem valorização do poder de compra, o piso chegaria a cerca de R$ 1.450 em 2026 — R$ 171 a menos por mês, ou cerca de R$ 2.200 a menos por ano considerando o 13º salário.

    Essas diferenças expressam escolhas políticas. Lula trata a valorização do piso como instrumento de distribuição de renda. A medida eleva automaticamente milhões de aposentadorias e benefícios sociais vinculados ao mínimo. Dados oficiais e reportagens de veículos como o G1 confirmam que o valor de R$ 1.621 em 2026 resultou da combinação de reposição do INPC com ganho real limitado pelo arcabouço fiscal.

    DIFERENÇA DE DEZ VEZES

    A trajetória sob Lula ampliou o poder de compra de trabalhadores de baixa renda e de aposentados que recebem o piso. No Brasil, nenhuma aposentadoria do INSS pode ser inferior ao salário mínimo. Cada reajuste do piso eleva automaticamente esses benefícios. A análise de Michael França, economista e coordenador no Insper, aponta que o contraste com o governo anterior não é acidental: reflete a retomada da política de valorização real que havia sido interrompida.

    O QUE O PLANO DE FLÁVIO BOLSONARO DIZ SOBRE O PISO?

    O plano de governo de Flávio Bolsonaro não apresenta proposta para extinguir o piso nacional. Ele também afirmou que não pretende desvincular o salário mínimo da inflação. Garantir a reposição da inflação, porém, é diferente de assegurar ganhos reais. A experiência do governo de seu pai e a ausência de compromisso explícito com a valorização do piso no documento oficial sugerem, segundo a coluna, que um eventual governo Flávio poderia retomar reajustes que não ampliam o poder de compra de trabalhadores do piso nem de aposentados e pensionistas vinculados a ele.

    Reportagens de UOL e Veja registram que o plano protocolado no TSE não estabelece meta específica de reajuste ou valorização do mínimo, ao contrário do plano de Lula, que prevê continuidade da política de aumentos reais. Declarações posteriores da campanha e notas enviadas a veículos mencionam reajuste acima da inflação, mas sem detalhar regra permanente ou critérios de cálculo.

    QUAIS OS CUSTOS E OS LIMITES DA VALORIZAÇÃO?

    A valorização do piso eleva despesas das empresas com funcionários que recebem o mínimo e encargos associados. Em negócios com margens reduzidas, especialmente pequenas empresas intensivas em mão de obra, isso pode dificultar novas contratações ou pressionar preços. Ao mesmo tempo, o maior poder de compra tende a ampliar vendas e compensar parte dos custos.

    O segundo custo recai sobre as contas públicas. Como o mínimo determina o valor de milhões de aposentadorias e benefícios, cada reajuste aumenta automaticamente os gastos. Na ausência de receitas suficientes ou cortes em outras áreas, isso pressiona o orçamento e contribui para o crescimento da dívida. Dívida crescente pode elevar a percepção de risco e os juros, encarecendo o crédito e reduzindo incentivos a investimentos. O dilema entre valorização do piso e equilíbrio fiscal permanecerá no próximo governo, independentemente de quem vença o segundo turno.

    A análise aponta que a política de valorização real sob Lula produziu resultado mensurável de ampliação do poder de compra para os mais pobres, em contraste com o período anterior de reposição praticamente limitada à inflação. Ao mesmo tempo, os custos fiscais e empresariais são reconhecidos na própria coluna da Folha e em debates técnicos sobre o arcabouço fiscal. A questão aberta é se um eventual governo Flávio adotará regra explícita e contínua de ganho real ou se limitará à reposição inflacionária, como ocorreu em boa parte do mandato de seu pai.

    O QUE ACONTECE AGORA?

    O segundo turno das eleições de 2026 coloca a política de salário mínimo no centro do debate sobre distribuição de renda e sustentabilidade fiscal. Lula apresenta continuidade da valorização real como instrumento de combate à pobreza. Flávio Bolsonaro afirma publicamente que não tocará em programas sociais e que manterá reajuste do piso, mas o documento oficial e a ausência de regra detalhada alimentam a dúvida registrada pela Folha. O impacto direto recai sobre dezenas de milhões de trabalhadores e aposentados cujos rendimentos estão referenciados no mínimo.

    FAQ Rápido

    Qual a diferença entre os governos Lula e Bolsonaro no salário mínimo?
    Sob Lula, o ganho real acumulado até 2026 é de 11,8% acima da inflação. Sob Bolsonaro, ficou em 1,2%, sendo a maior parte herdada do reajuste de 2019.

    Flávio Bolsonaro vai congelar o salário mínimo?
    O plano de governo dele não propõe extinguir o piso nem desvincular da inflação, mas não apresenta regra explícita de ganho real. A dúvida é se manteria apenas a reposição inflacionária, como no governo do pai.

    Quais os custos da valorização do piso?
    Pressão sobre empresas de mão de obra intensiva e sobre as contas públicas, já que o mínimo referencia milhões de aposentadorias e benefícios. O dilema entre valorização e equilíbrio fiscal segue no próximo governo.


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