Brasília (DF)
26 de setembro de 2026
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na sexta-feira (25/set), que “a era do argumento desapareceu” e deu lugar à “mentira” e ao “lacramento”. No trecho final do jantar com empresários em São Paulo, cobrou reforma política e no Judiciário, questionou o mandato vitalício de ministros do STF e disse que Daniel Vorcaro “conseguiu corromper todo mundo”.
A fala importa porque ocorre a nove dias do primeiro turno e mistura diagnóstico institucional, soberania e apelo eleitoral. O encontro no Hotel Tivoli Mofarrej foi organizado pelos grupos Esfera, Prerrogativas e Parlatório.
Reportagens do Valor Econômico e do G1 registraram plateia acima de 680 empresários, com presença de nomes como Joesley Batista, Gustavo Pimenta e Milton Maluhy. Lula estava ao lado de Geraldo Alckmin.
O que Lula disse sobre democracia e reforma?
Segundo o presidente, o país vive um tempo em que o debate foi substituído por frases curtas. “Agora é a hora da mentira, das coisas, do lacramento, é tudo frase de curto espectro”, afirmou. Perguntou à plateia se “esse mundo dá certo” e concluiu que será preciso fazer reforma política e “uma reforma no Judiciário”.
Lembrou que a primeira reforma do Judiciário, no seu governo, foi feita com Nelson Jobim, então presidente da Suprema Corte, e Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça. “Foi naquela que nós criamos o Conselho do Ministério Público, o Conselho de Justiça”, disse. “Não é tudo, mas nós temos que fazer outra.”
A criação do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público pela Emenda Constitucional 45, em 2004, é fato histórico confirmado em registros oficiais e em falas anteriores do próprio presidente, inclusive em 4 de setembro, conforme o G1.
Mandato no STF: o que Lula colocou em debate?
Lula perguntou como deve ser escolhido o ministro da Suprema Corte. “Ele vai ter um mandato perpétuo ou vai ter um mandato? Eu não vou saber como, eu não vou decidir sozinho. Mas eu acho que a sociedade vai ter que se manifestar, porque o que está acontecendo não é bom para o país.”
A declaração é posicionamento político do presidente. Não há, no discurso, proposta formal de emenda, prazo ou texto de reforma. Ministros do STF hoje se aposentam aos 75 anos. Qualquer mudança de mandato depende do Congresso e de discussão constitucional.
“Errou, pagou”: a fala sobre Vorcaro
O ponto mais áspero veio em seguida. “Eu, sinceramente, nunca imaginei estar vivo para ver uma podridão como essa que está acontecendo. Esse Vorcaro devia ser um malandro mesmo. Porque esse cara conseguiu corromper todo mundo. O que ele não corrompeu com dinheiro, ele corrompeu com orgia. Essa é a verdade.” Repetiu a fórmula: “Não tem importante. Errou, pagou. Errou, pagou.”
Comércio, Trump e “não baixar a cabeça”
Lula afirmou que, diante da taxação dos Estados Unidos, o governo criou fundo para empresas e redirecionou vendas. Citou alta de compras da China (19%), Indonésia (15%), Alemanha (15%) e Vietnã (13%), crescimento de 10,5% em mais de 50 países e superávit que teria ido de 50 para 80 bilhões.
“Eu vou ficar chorando os Estados Unidos? Vou ficar chorando?” Disse que o país aplicará lei de reciprocidade e que Fernando Haddad, Geraldo Alckmin e Mauro Vieira não devem sair da mesa de negociação.
Relatou ligações a Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin sobre o Conselho de Segurança da ONU e sobre a guerra no Irã, mencionando a morte de Qasem Soleimani.
Sobre a América Latina, afirmou que Trump — “mais do Marco Rubio do que dele” — aposta em “ser dono” da região. “Enquanto eu for presidente, o dono disso aqui chama-se povo brasileiro.”
A análise do Urbs Magna aponta que o trecho costura três eixos que o presidente quer deixar na mesa empresarial: previsibilidade interna, diversificação comercial e recusa a tutela externa.
O discurso trata respeito como condição de negócio e de política externa. Banco Central, juros e a “dupla” com Alckmin Lula lembrou que o empresariado pediu Banco Central independente. “Foi vocês que pediram, não fui eu.”
Disse ter mantido Henrique Meirelles por oito anos, mesmo sob pressão, e que Fernando Henrique Cardoso trocou quatro presidentes da autoridade monetária.
Apresentou a si e a Alckmin como “a dupla certa”: o vice teria governado São Paulo por 16 anos; ele próprio teria começado como vendedor de tapioca em Itapema, em Santos. “Ninguém tem mais experiência do que nós dois.” Pediu voto em Alckmin “no dia 4 de outubro” e repetiu o bordão “Lula com Chuchu”.
Disse que faltam “10 dias” para a sociedade decidir “o país que vocês querem”.
A história da marmita e o recado final
O presidente explicou por que não jantou em pé. Remeteu à Vila Operária, em 20 de janeiro de 1965, quando trabalhava sem dinheiro para o ônibus e sem ovo na marmita. Disse ter recusado comida por vergonha. “Quando eu vejo as pessoas comendo na mão, eu lembro daquele tempo.” Quem o convidar, afirmou, precisa oferecer mesa e cadeira.
Encerrou pedindo seriedade sem perder humor, adesivos na saída e voto. “Se vocês quiserem, o Lula e o Chuchu estão prontos. Pronto para fazer o Brasil necessário, para fazer o Brasil correto, para fazer o Brasil justo.”
FAQ rápido
O que Lula cobrou no jantar com empresários?
Reforma política, nova reforma do Judiciário, debate sobre mandato de ministros do STF e responsabilização sem privilégio: “errou, pagou”.
O que ele disse sobre Daniel Vorcaro?
Que o empresário “conseguiu corromper todo mundo”, “com dinheiro” ou “com orgia”, e que o país atravessa “uma podridão”. São declarações do presidente, não julgamento transitado.
Qual o recado eleitoral?
Que faltam cerca de dez dias para a escolha do rumo do país e que a chapa com Geraldo Alckmin estaria pronta para crescimento com “padrão de dignidade superior”.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
