O Presidente Lula concede entrevista no Palácio do Planalto aos jornalistas/editores dos sites progressistas Brasil247, Revista Fórum e DCM |14.4.2026| Imagem reprodução/Lula/YouTube
Brasília (DF) · 14 de abril de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) equiparou-se ao maior ídolo do futebol brasileiro ao afirmar que, assim como Pelé conquistou três Copas do Mundo, ele venceu três eleições presidenciais.
“O senhor é o Pelé da política brasileira. Nunca vai haver um outro Pelé e nunca vai haver um outro Lula”, disse o entrevistador na conversa concedida nesta terça-feira (14/abr) à Revista Fórum, ao Diário do Centro do Mundo (DCM) e ao Brasil 247.
Lula respondeu que não se trata de desejo pessoal, mas de circunstâncias políticas e de um “compromisso moral, ético, diria até cristão” que não permite “que um fascista volte a governar esse país”.
O mandatário, que completou 15 anos desde a primeira posse em 1º de janeiro de 2003 (considerando os mandatos não consecutivos), lembrou o custo alto da redemocratização para quem lutou contra o regime militar.
“Nós não temos o direito de permitir que isso aconteça no Brasil. Nós temos o direito de brigar”, declarou.
Aos 80 anos, Lula afirmou sentir-se “fisicamente muito bem, politicamente muito bem” e motivado para um possível quarto mandato, decisão que caberá à convenção do PT em junho.
A motivação central, segundo ele, reside no legado de inclusão social construído em governos anteriores e na necessidade de reconstruir o que foi destruído após o golpe de 2016 e o período seguinte.
“Reconstruir uma obra destruída é muito mais difícil”, observou, citando a recuperação de indicadores como a menor inflação acumulada em quatro anos, a maior massa salarial, aumentos reais do salário mínimo e recorde de exportações.
A Bovespa caminha para bater 200 mil pontos, e o dólar chegou a menos de R$ 5,00 recentemente. Apesar dos números positivos, Lula reconheceu o sentimento de parte da população, especialmente da classe média, de que “o dinheiro não alcança o fim do mês”.
Ele atribuiu parte disso ao crescimento das necessidades de consumo, gastos com internet, Mercado Livre e, sobretudo, às apostas esportivas (bets), que considera uma forma de jogatina descontrolada dentro de casa.
“Nós que brigamos a vida inteira contra cassino […] Agora o cassino tá dentro da sua casa”, criticou.
O presidente adiantou que o governo prepara um programa aprimorado para aliviar dívidas das famílias, inspirado no Desenrola, e pretende combater a lavagem de dinheiro associada a fintechs e bets em parceria com a Justiça, Fazenda, COAF e Banco Central.
Ele defendeu regulação responsável do crédito, lembrando pronunciamento de 2008 que incentivou consumo consciente durante a crise do subprime.
Sobre Flávio Bolsonaro, que aparece em pesquisas para 2026, Lula afirmou que 2026 será “o ano da verdade contra a mentira”.
“Quem mentiu vai ser pego de calça curta”, disse, citando exemplos de contradições do campo adversário. Na área econômica, o mandatário destacou que a economia brasileira não crescia acima de 3% desde que deixou a Presidência em 2010, voltando a fazê-lo em 2023.
Citou abertura de 518 novos mercados para produtos manufaturados, recuperação da Embraer (alta de 300% em seu governo) e recordes de financiamento do BNDES.
Defendeu política industrial ativa e criticou a visão do mercado financeiro da Faria Lima, que, segundo ele, prefere candidatos contrários à inclusão social.
Sobre a taxa de juros elevada (próxima de 15%), Lula explicou que, ao encontrar a economia destruída, priorizou arrumar a casa com responsabilidade fiscal, como fez em 2003 ao elevar o superávit primário.
Acumulou reservas internacionais que ainda sustentam o país.
Para o possível quarto mandato, sinalizou continuidade com foco em desenvolvimento.
Na política externa, criticou ameaças de Donald Trump e a guerra de Israel contra o Irã, Líbano e Gaza, liderada por Benjamin Netanyahu, a quem chamou de figura que “faz mal à humanidade”.
Defendeu o multilateralismo e a democracia, citando encontro com o Papa Francisco (ou Leão 14, conforme transcrição) e reunião progressista em Barcelona.
Reafirmou solidariedade a Cuba, que enfrenta grave crise econômica agravada pelo embargo norte-americano, e relatou longa atuação no diálogo sobre a Venezuela desde 2003.
Sobre segurança pública, Lula defendeu a aprovação da PEC que cria o Ministério da Segurança Pública com orçamento robusto, maior inteligência e Guarda Nacional.
Na corrupção, destacou ações da Polícia Federal e cobrou cronologia dos fatos para mostrar quando quadrilhas se formaram.
O presidente comentou a privatização da BR Distribuidora e da Eletrobras, afirmando que sonha com uma distribuidora de combustível e energia sob controle público para segurar preços.
Criticou o aumento da taxa sobre “blusinhas” importadas, mas reconheceu pressão do varejo.
Anunciou medidas para economia popular, incluindo alívio a endividados e apoio a trabalhadores de aplicativos, com foco em direitos e seguridade social sem precipitação.
Para a juventude, Lula enfatizou investimento em educação: expansão de institutos federais (de 140 para 780), universidades e cursos como engenharia aeroespacial e matemática.
“Em 100 anos a elite brasileira fez 140 institutos federais. Eu vou entregar 780”, comparou.
Defendeu redução da jornada de trabalho e inclusão no mercado laboral.
Sobre Neymar, brincou que o jogador deve ir à Copa se estiver “fisicamente preparado e jogar que nem homem”.
Elogiou a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal por sua competência jurídica e compromisso com a Constituição.
Por fim, reafirmou compromisso histórico com a democratização da mídia, elogiando o esforço de veículos independentes e defendendo informação leal, sem manipulação.
Detalhes sobre a convenção do PT e propostas concretas para 2026 devem surgir nas próximas semanas.
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