ARRASTE 0%
Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo
    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    03 de outubro de 2026

    OPresidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou neste sábado (3/out) a campanha de rua do primeiro turno com uma caminhada na região da Avenida Paulista, em São Paulo, e afirmou que os adversários “estão com muito medo”. A fala importa porque é o último ato antes da votação de domingo (4/out) e transforma a avenida em símbolo da disputa com a Prefeitura de São Paulo e com a candidatura de Flávio Bolsonaro.

    A concentração começou na esquina da Paulista com a Rua Augusta. O trajeto seguiu pela Augusta até a região da Praça Roosevelt, depois de dias de impasse sobre o uso da avenida. No microfone, Lula ligou o ato às investigações que atingiram o círculo político adversário e projetou vitória já no primeiro turno.

    A “QUADRILHA DA PREVIDÊNCIA”

    O estadista afirmou: “Essa caminhada é a caminhada que prendeu a quadrilha da Previdência Social criada por Bolsonaro.” Na sequência, citou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master: “Essa caminhada é a caminhada que tornou banqueiro prisioneiro, o Vorcaro. E eles estão com muito medo, porque cada dia aparece uma coisa nova. Só falta aparecer os participantes da orgia.”

    Lula não citou nominalmente Flávio Bolsonaro. O presidente descreveu a eleição como disputa contra “chefes de quadrilha” e o “crime organizado”.

    Vorcaro está preso desde 4 de março de 2026, na terceira fase da Operação Compliance Zero, segundo registros públicos da investigação. A fala de Lula trata a prisão como efeito político da caminhada. Isso é declaração de campanha, não um fato processual novo produzido pelo ato deste sábado.

    PAULISTA: O CENTRO DO DISCURSO

    “O que nós não podemos permitir é que eles transformem a Avenida Paulista no palanque da extrema-direita. A Paulista não é da direita, é do povo brasileiro. Portanto, amanhã, nós vamos ganhar a eleição no primeiro turno e vamos ocupar a Paulista.”

    O presidente apresentou o voto de domingo como escolha entre campos: de um lado, “a democracia e a soberania”; de outro, “a barbárie e a corrupção”.

    No mesmo discurso, Lula disse que o próximo mandato seria para uma “revolução educacional e tecnológica”. Afirmou que, em São Paulo, 10 das 14 universidades federais e 48 dos 58 institutos federais teriam sido criados em governos do PT, e mencionou o programa Pé-de-Meia. Esses números são afirmações do candidato, não dados auditados nesta reportagem.

    Também criticou a extinção, no governo de Jair Bolsonaro, das estruturas dos ministérios da Indústria e Comércio, do Trabalho, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e das Mulheres, e disse que o governo atual as reconstruiu.

    RECADO DE JANJA A RICARDO NUNES

    A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, elevou o tom contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Ela declarou: “Você vá plantar batatas, porque amanhã nós vamos comemorar no primeiro turno a vitória do presidente Lula na Paulista, seu prefeito. Vai ter que nos engolir.”

    Antes, havia dito “Amanhã, a Paulista é nossa” e convocado: “Mulheres, conversem, conversem muito!” O recado veio depois de a administração municipal ter informado que a Paulista não receberia eventos em 3 e 4 de outubro, com base em orientações para preservar a circulação no período eleitoral.

    A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo não entregou a Avenida Paulista à campanha nem autorizou a interdição da via. Na sexta-feira (2/out), o TRE-SP autorizou a caminhada por 5 votos a 1, desde que não obstruísse o trânsito e cumprisse as orientações da Polícia Militar e da CET. A liminar suspendeu os efeitos de um ofício da Subprefeitura da Sé. Não é uma liberação irrestrita da avenida para comício.

    PREFEITURA E A PM NO ATO

    A gestão de Ricardo Nunes, aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegou a informar que nenhum evento poderia ocupar a Paulista nos dias 3 e 4 de outubro. O PT contestou a leitura e levou o caso ao TRE-SP. A Folha de S.Paulo registrou, na quinta-feira (1º/out), um recuo da prefeitura: não haveria proibição, e sim alerta sobre as recomendações da Justiça Eleitoral, com sugestão de uso da Roosevelt.

    Na manhã deste sábado, a concentração teve tensão com a PM. A Folha e a CNN Brasil relataram discussão sobre a desobstrução da Paulista e o deslocamento dos trios para a Augusta. O coordenador da campanha em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, discutiu com policiais. A PM afirmou que não houve impedimento do percurso.

    Participaram do ato o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo Fernando Haddad (PT), o candidato a vice Márcio França (PSB) e as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). No interior, Flávio Bolsonaro fechou a campanha de rua ao lado de Tarcísio de Freitas, entre Santa Bárbara d’Oeste e Americana, segundo o g1.

    LULA PEDE VOTO DE QUEM TEM 70 ANOS

    O voto é facultativo a partir dos 70 anos. Lula fez um apelo direto: “Nós precisamos convencer as pessoas de 70 anos que eles têm que votar pelos seus filhos, pelos seus netos, pelos seus bisnetos. Ninguém pode se considerar incapaz com 70 anos. Eu tenho 80 e me sinto um menino de 15.” Em 2022, a abstenção nessa faixa foi de 58,9%, cerca de 8,7 milhões de ausentes.

    O presidente completou a imagem de continuidade: enquanto tiver pernas, voz, cabeça e força, usará as suas; quando não tiver, usará as dos eleitores. “A minha causa é o povo brasileiro, a minha causa é a educação.” Pediu que, a partir da passeata, ninguém descanse: a conversa teria de seguir na rua, no bar, na igreja e no comércio. No trecho final do discurso, afirmou que a Gaviões da Fiel “tem lado”.

    São Paulo reúne 34,1 milhões de eleitores, o maior colégio do país. Levantamentos da reta final, citados pelo InfoMoney e pela Carta Capital, mostravam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no estado e no cenário nacional de votos válidos. A projeção de vitória no primeiro turno é aposta de palanque, não resultado.

    ANÁLISE

    O ato cumpriu duas funções ao mesmo tempo. A primeira foi eleitoral: mobilizar quem ainda pode ficar em casa, sobretudo eleitores idosos, e fixar a narrativa de que a eleição se decide neste domingo. A segunda foi simbólica. Ao tratar a Paulista como território do “povo brasileiro” e ao responder, por meio de Janja, ao prefeito, a campanha convertia uma restrição de trânsito em conflito político com a administração municipal.

    O limite dessa leitura está no próprio TRE-SP. A Corte liberou a caminhada com condição de fluidez. A ocupação prometida para depois da apuração, se houver vitória no primeiro turno, será outro ato, em outro dia, sob outra regra. Confundir as duas coisas amplia o gesto e reduz a precisão.

    FAQ Rápido

    Lula falou na Avenida Paulista ou na Rua Augusta?
    A concentração foi na região da Paulista com a Augusta. O deslocamento e o discurso ocorreram com o trajeto levado para a Rua Augusta, até a Praça Roosevelt, depois do impasse com a Prefeitura e da exigência de não obstruir a avenida.

    O que Janja disse a Ricardo Nunes?
    “Você vá plantar batatas, porque amanhã nós vamos comemorar no primeiro turno a vitória do presidente Lula na Paulista, seu prefeito. Vai ter que nos engolir.” A frase foi publicada pelo Terra e pela Carta Capital.

    O TRE-SP proibiu ou autorizou o ato?
    Autorizou, por 5 a 1, desde que a caminhada não bloqueasse o trânsito nem atrapalhasse a logística eleitoral. A decisão é liminar e não equivale a liberação irrestrita da Paulista.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

     

    Comente com moderação

    文

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading