
PRESIDENTE LULA discursa em Brasília no evento Marcha em Defesa dos Municípios |21.5.2025| Imagem reprodução/CanalGov
Bolsonaro e a extrema-direita estadunidense conspiram em meio a julgamento de golpistas – SAIBA MAIS
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Brasília, 22 de maio de 2025
A tensão entre Brasil e Estados Unidos escalou nos últimos dias devido a ameaças do governo de Donald Trump contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou o Itamaraty a reagir com firmeza às pressões americanas, conforme informou a coluna de Igor Gadelha no jornal Metrópoles.
A medida ocorre após o grupo de comunicação de Trump, a Trump Media, mover uma ação judicial contra Moraes na Flórida, o que gerou preocupações diplomáticas.
Ministros do núcleo duro de Lula defendem a atuação do Ministério das Relações Exteriores para proteger o magistrado, alegando que o caso pode impactar as relações bilaterais.
A Advocacia-Geral da União (AGU) já confirmou que representará Moraes na corte americana.
No entanto, o chanceler Mauro Vieira ainda não discutiu o tema diretamente com Lula, e a cúpula do Itamaraty trata o assunto com cautela, já que a ação foi movida pela empresa de Trump, e não oficialmente pelo governo dos EUA.
A pressão americana intensificou-se com a possibilidade de sanções contra Moraes nesta quarta-feira (21/mai).
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou que o ministro está “em análise” para possíveis sanções sob a Lei Magnitsky, que permite punir estrangeiros por violações de direitos humanos ou corrupção.
Críticos de Moraes, incluindo o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), têm trabalhado com aliados de Trump para incluir o ministro na lista de sanções, citando decisões como a exclusão de contas de bolsonaristas em plataformas americanas, medida mencionada pelo Departamento de Estado dos EUA em fevereiro de 2025.
A situação ganhou contornos políticos no Brasil.
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A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, publicou em sua conta no X que “é vergonhosa a conspiração de Bolsonaro com a extrema-direita dos EUA, em busca de intervenção estrangeira no Judiciário do Brasil”.
Ela classificou a ameaça de Rubio como “evidência do desespero” de Jair Bolsonaro, réu em julgamento por supostas ações golpistas.
Hoffmann defendeu a soberania do Brasil, afirmando que “promover a justiça e defender a democracia são prerrogativas de um país soberano”.
O envolvimento da extrema-direita americana com Bolsonaro não é novidade. Segundo uma investigação de quatro meses da Agência Pública, aliados de Trump, como Steve Bannon, têm apoiado Bolsonaro há anos, usando narrativas conspiratórias sobre “comunismo” e “marxismo cultural”.
Durante as eleições de 2022, Bolsonaro perdeu para Lula por uma margem de 6 milhões de votos, mas aliados de Trump questionaram a lisura do pleito, apesar de observadores internacionais, como o US Carter Center, confirmarem a transparência do processo.
A relação de Bolsonaro com os EUA também foi tema de análise do jornalista José Casado. Bolsonaro teria confessado “passar informações a equipe de Trump”, alegando que “o problema do Brasil tem que ser resolvido com apoio vindo de fora”.
Essa postura gerou críticas de interferência externa no Judiciário brasileiro, especialmente contra Moraes, que preside investigações sobre as ações de Bolsonaro e seus aliados após as eleições de 2022.
A crise atual reflete um histórico de tensões.
Em 2018, Gleisi Hoffmann já alertava que a eleição de Bolsonaro consolidava um “golpe” iniciado com o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão de Lula, seguida pela proibição de sua candidatura.
Ela previu um aumento da “violência” e da “criminalização de movimentos sociais”, cenário que, segundo ela, se agrava agora com as pressões internacionais.
O embate entre Trump e Moraes coloca o Brasil em uma posição delicada, com o Itamaraty sob pressão para equilibrar a defesa da soberania nacional e a manutenção de relações diplomáticas com os EUA.
Enquanto isso, o julgamento de Bolsonaro e seus aliados por supostas tentativas de golpe segue no STF, alimentando o debate sobre democracia e intervenção estrangeira.












