Presidente Lula e chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, durante conversa com a imprensa internacional, em Hannover |20.4.2026| Imagem reprodução Phoenix/De
Hannover (DE) · 20 de abril de 2026
Durante conversa com a imprensa internacional no dia da abertura da Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ao chanceler alemão Friedrich Merz: “Queremos vida e não morte. Queremos pão e não bomba. Queremos educação e não fúria”.
A declaração, feita durante a coletiva de imprensa conjunta nesta segunda-feira (20/abr), sintetiza o tom da terceira rodada de consultas intergovernamentais de alto nível entre Brasil e Alemanha, realizada na cidade de Hannover.
O Brasil participa como país parceiro da feira, o que levou os líderes a anteciparem o encontro originalmente previsto para 2026 no território brasileiro.
Lula e Merz destacaram a robustez da parceria estratégica, marcada por laços históricos — desde a chegada dos primeiros imigrantes alemães ao sul do Brasil, em 1824, até os dias atuais, quando cerca de 10% dos brasileiros têm ascendência alemã.
A Alemanha é a terceira economia mundial e o quarto parceiro comercial do Brasil, com intercâmbio de cerca de 21 bilhões de dólares e investimentos diretos superiores a 40 bilhões.
Lula defendeu com ênfase os biocombustíveis brasileiros, citando testes realizados na Alemanha que demonstraram redução de até 90% nas emissões de CO₂ em comparação ao combustível fóssil.
“O Brasil pode se transformar numa espécie de Arábia Saudita do biocombustível, dos combustíveis renováveis”, disse o presidente, ao lembrar que a matriz energética elétrica brasileira já é 89% renovável e que o país alcançou 53% de energia renovável no conjunto total em 2025 — patamar que a União Europeia projeta só para 2050.
Ele criticou narrativas que associam a produção de biocombustíveis à invasão da Amazônia, lembrando a redução de 50% no desmatamento em pouco mais de dois anos e o compromisso de zerá-lo até 2030.
Frases mais impactantes do Presidente Lula
Sobre a guerra e a paz:
“Queremos vida e não morte. Queremos pão e não bomba. Queremos educação e não fúria.”
Sobre a defesa do multilateralismo e da soberania:
“Os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do G20. Se a gente não se juntar pelas mãos, eles vão tirando um por um.”
Sobre a necessidade de reforma da ONU:
“O Conselho de Segurança não é primazia, não é privilégio de cinco pessoas que não estão preocupadas com a paz. Ou nós renovamos o estatuto da ONU, ou vamos continuar vagando pelo mar sem controle.”
Sobre biocombustíveis e soberania nacional:
“O Brasil pode se transformar numa espécie de Arábia Saudita do biocombustível, dos combustíveis renováveis.”
Sobre Cuba e não intervenção:
“Cuba é vítima de um bloqueio de 70 anos. É uma vergonha mundial. Sou contra qualquer bloqueio, sou contra qualquer intervenção de qualquer país.”
Sobre sua experiência com o Irã em 2010:
“Fizemos um acordo que o Ahmadinejad assinou. Era uma proposta que o Obama tinha me mandado, escrita de próprio punho. E, depois que fizemos o acordo, aumentaram o bloqueio ao Irã.”
Sobre a eleição e tranquilidade democrática:
“Não tem turbulência nenhuma. Sou o cidadão que mais disputou eleição na história do Brasil. Portanto, a eleição para mim não tem turbelência.”
O chanceler Friedrich Merz reconheceu o potencial brasileiro em tecnologias de futuro e materiais críticos.
“Nós temos mais de 1 bilhão de carros a combustão nas estradas do mundo. Descarbonizá-los não vai funcionar só com carro elétrico”, observou Merz, defendendo que a política não deve impor uma única tecnologia.
Ele também elogiou a liderança brasileira na COP30, realizada em Belém, e confirmou contribuições ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
Ambos os líderes celebraram a entrada em vigor, em 1º de maio, do acordo Mercosul-UE após 25 anos de negociações. Lula cobrou equilíbrio nas concessões e alertou contra medidas unilaterais europeias que possam criar barreiras injustas ao agronegócio e aos biocombustíveis brasileiros.
Merz afirmou que o pacto fortalecerá as economias e ampliará a cooperação em inteligência artificial, economia circular, agricultura e energia.
Frases mais impactantes do Chanceler Friedrich Merz
Sobre a parceria estratégica com o Brasil:
“Com o Brasil nós temos uma parceria estratégica. Essa parceria é robusta e dinâmica. Essa proximidade é mais importante do que nunca nesses tempos de tanta mudança na ordem mundial.”
Sobre a imigração alemã no Brasil (traduzido):
“No dia 25 de julho de 1824, 200 anos atrás, os primeiros 39 imigrantes alemães chegaram no sul do Brasil à procura de uma vida melhor. Hoje, 200 anos depois, 10% dos brasileiros têm antepassados alemães.”
Sobre a diversificação tecnológica e biocombustíveis:
*”Nós temos mais de 1 bilhão de carros a combustão nas estradas do mundo. Descarbonizá-los não vai funcionar só com carro elétrico. A política não deve determinar uma única tecnologia como a tecnologia do futuro.”*
Sobre a COP30 e a liderança brasileira:
“Eu já fui a Belém e pude ver lá quando visitei a COP30. O Brasil é um país que é um grande exemplo para tecnologias. Essa visita me abriu os olhos, especialmente na área dos biocombustíveis.”
Sobre a não intervenção e defesa:
“Poder se defender não quer dizer ter o direito de intervir militarmente em outros países que tenham modelos políticos que não nos agradam. Não vemos nenhuma base que justifique uma intervenção contra Cuba.”
Sobre a crise energética e o conflito no Oriente Médio:
“O pré-requisito mais importante para ter estabilidade energética é que esse combate acabe. Essa guerra põe em risco o desenvolvimento econômico do mundo inteiro.”
O encontro reforça o compromisso com o multilateralismo em tempos de instabilidade. Lula defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que “o Conselho de Segurança não é primazia, não é privilégio de cinco pessoas que não estão preocupadas com a paz”.
Ele citou ainda sua mediação histórica com o Irã em 2010 e reafirmou oposição a intervenções unilaterais, incluindo qualquer ação contra Cuba.
Merz alinhou-se à defesa de soluções diplomáticas para conflitos no Oriente Médio e à estabilidade energética global.
Avanços concretos incluem cooperação em defesa (com fragatas da classe Tamandaré), tecnologias quânticas, infraestrutura digital, bioeconomia e minerais críticos.
Os governos firmaram catálogo de medidas e retomaram negociações para evitar tributação dupla.
FAQ rápido
O que foi o principal destaque do discurso de Lula em Hannover?
A defesa dos biocombustíveis renováveis como alternativa viável e soberana para a descarbonização, comprovada por testes na Alemanha.
O acordo Mercosul-UE entra em vigor quando?
De forma provisória em 1º de maio, criando uma zona de livre comércio com 720 milhões de pessoas e PIB combinado de cerca de 22 trilhões de dólares.
Qual a posição conjunta sobre a reforma da ONU?
Brasil e Alemanha apoiam a ampliação do Conselho de Segurança para maior representatividade e efetividade na manutenção da paz.
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