Presidente une forças com América Latina e Espanha em manifesto pela democracia, reagindo às tensões com o republicano e tarifas de 50% sobre produtos brasileiros
Brasília, 21 de julho de 2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um manifesto em defesa da democracia e contra o avanço de discursos autoritários, ao lado de líderes da América Latina e da Europa.
O documento publicado na véspera da cúpula “Democracia Sempre” em Santiago, no Chile, conta com as assinaturas dos presidentes Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Yamandú Orsi (Uruguai) e Gustavo Petro (Colômbia).
A iniciativa ocorre em um momento de crise diplomática com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
O manifesto, intitulado “Resolver os problemas da democracia com mais democracia, sempre”, critica a disseminação de desinformação em plataformas digitais, o aumento das desigualdades e a erosão das instituições democráticas em diversas partes do mundo.
Sem citar Trump diretamente, o texto responde indiretamente às suas ações, destacando a necessidade de combater discursos de ódio e fortalecer a democracia global.
Segundo o documento, a iniciativa reforça esforços iniciados por Brasil e Espanha na Assembleia Geral da ONU em 2023, consolidando a imagem de Lula como articulador de uma frente democrática internacional.
Contexto da Crise com Trump
A tensão entre Brasil e Estados Unidos ganhou destaque após Trump justificar as tarifas de 50%, que entram em vigor em 1º de agosto de 2025, como uma resposta ao que ele chama de “perseguição” contra Bolsonaro.
Em carta enviada a Lula, o presidente americano alegou que o Brasil viola a liberdade de expressão, citando ordens do STF para plataformas digitais, e classificou o julgamento de Bolsonaro como uma “caça às bruxas”.
No entanto, analistas apontam que a medida tem um forte componente geopolítico, visando ampliar a influência dos EUA nas relações comerciais internacionais.
Dados mostram que os EUA mantêm um superávit comercial de US$ 90,28 bilhões com o Brasil até junho de 2025, o que contradiz a narrativa de Trump sobre práticas comerciais “injustas” do Brasil.
O jornal americano The Washington Post publicou que a estratégia de Trump pode estar “saindo pela culatra”, fortalecendo Lula politicamente. O artigo destaca que as tarifas uniram setores econômicos e políticos brasileiros, incluindo elites que tradicionalmente apoiam a oposição, em defesa da soberania nacional.
Uma fonte diplomática brasileira, sob anonimato, afirmou ao jornal que “o Papai Noel chegou cedo para Lula”, referindo-se ao ganho de popularidade do presidente brasileiro diante da crise.
Resposta Brasileira e Impactos
Em resposta às tarifas, Lula assinou um decreto regulamentando a Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil adotar medidas econômicas contra países que impõem barreiras comerciais unilaterais.
O governo brasileiro também criou um comitê interministerial para dialogar com empresários afetados, reforçando a narrativa de união nacional contra as medidas de Trump.
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a importância de proteger a indústria e as exportações brasileiras, enquanto o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que a reciprocidade será usada como última instância, priorizando o diálogo com os EUA.
A cúpula “Democracia Sempre”, realizada no Chile, reúne chefes de Estado, representantes da sociedade civil, intelectuais e organizações sociais para discutir estratégias de fortalecimento democrático diante da polarização global e ameaças autoritárias.
A participação de Lula no evento reforça sua liderança na América Latina, especialmente após a saída do Brasil do Consenso de Genebra, uma aliança antiaborto promovida por Trump e Bolsonaro em 2020.
Reações e Implicações
A iniciativa de Lula e dos líderes latino-americanos e europeus foi amplamente comentada. A agência CNN Brasil destacou a cúpula como um marco na articulação de uma frente global contra o autoritarismo.
A crise com Trump também impulsionou um discurso nacionalista no Brasil, que, segundo analistas, pode beneficiar Lula politicamente. A esquerda brasileira, historicamente avessa a narrativas nacionalistas, encontrou na crise uma oportunidade de se posicionar como defensora da soberania, enquanto a oposição, associada a Bolsonaro, enfrenta desgaste por sua ligação com Trump.
O manifesto assinado por Lula e líderes da América Latina e Europa reforça a defesa da democracia em um momento de tensões geopolíticas. A crise com Trump, embora desafiadora para a economia brasileira, fortaleceu a imagem de Lula como líder global e defensor da soberania nacional.
A cúpula “Democracia Sempre” e as medidas de reciprocidade sinalizam que o Brasil busca se posicionar com firmeza, mas sem abrir mão do diálogo, em um cenário de crescente polarização internacional.








