Rio de Janeiro (RJ)
24 de setembro de 2026
A atriz Maeve Jinkings perguntou na quarta-feira (23/set), na Fundição Progresso, na Lapa, no Rio de Janeiro, qual mudança o acesso à literatura, ao cinema e ao teatro provoca na vida das pessoas. Lula respondeu com a política de levar biblioteca para o bairro e com o contraste entre livros e armas.
O encontro, chamado Cultura com Lula, ocorreu 11 dias antes do primeiro turno de 4 de outubro e reuniu cerca de 100 nomes da cultura, dentre eles Chico Buarque, Paulinho da Viola, Lenine, Malu Mader, Daniela Mercury, Fernanda Abreu, Marieta Severo e Tony Bellotto, entre outros.
Também estiveram a Primeira-Dama do Brasil, a socióloga Rosângela Lula Silva (PT), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a deputada Benedita da Silva (PT), a vereadora Mônica Benício (PSOL) e o prefeito Eduardo Cavaliere. Caetano Veloso e Maria Bethânia haviam sido anunciados e, segundo o Metrópoles, não compareceram.
O presidente foi anunciado no palco por volta das 20h15.
A PERGUNTA DE MAEVE JINKINGS
Maeve Jinkings saudou Lula, Janja e os profissionais de cultura presentes. Disse estar emocionada e se apresentou como fruto de políticas públicas. Informou ter nascido em família de livreiros, sem herança financeira, e que o avô foi perseguido político e preso.
A herança que ela afirmou ter recebido foi o acesso a livros, músicas e poesia. Segundo a atriz, se hoje vive da profissão, isso se deve a essa formação. Recordou a frase de campanha de Lula — “mais livros e menos armas” — e disse que o presidente a cumpriu.
Maeve Jinkings afirmou estar ciente de que bibliotecas públicas e comunitárias recebem acervo novo e falou na “maior compra pública de livros de literatura do mundo”. Pediu que Lula explicasse a importância de as pessoas terem acesso à literatura, ao cinema e a espetáculos. Associou o radicalismo de extrema direita à ignorância e ao que descreveu como atrofiamento da sensibilidade.
A declaração sobre o volume da compra de literatura é da atriz. Não foi localizado, para esta edição, um documento oficial que comprove o ranking mundial citado na pergunta.
O QUE LULA RESPONDEU SOBRE BIBLIOTECAS
Lula disse que o Ministério da Cultura tem investido no setor, inclusive com bibliotecas ambulantes. Afirmou que, no programa Minha Casa, Minha Vida, todo conjunto habitacional precisa ter biblioteca.
A justificativa apresentada pelo presidente foi geográfica. Biblioteca, teatro e cinema, segundo ele, costumam ficar no centro. Quem mora a uma hora e meia ou duas horas de ônibus, afirmou, deixa de frequentar. “Ou a gente faz as coisas perto da casa dele para ele poder participar, ou ele não vai.”
Lula disse que a biblioteca no bairro deve tornar a leitura parte da vida cotidiana. Avaliou o resultado como “extraordinário” e afirmou esperar que, com o tempo, não falte esse equipamento em muitos bairros — não apenas em cidades. Citou São Paulo como exemplo de município em que há bairros com população maior do que a de capitais estrangeiras e, ainda assim, sem teatro, cinema, biblioteca ou casa de espetáculo.
O presidente acrescentou que ir ao centro, à noite, expõe o morador ao risco de assalto e à falta de metrô depois das 23 horas.
DESIGUALDADE E ACESSO
Lula afirmou que a política cultural em curso busca reduzir a desigualdade de quem, segundo ele, foi tratado como invisível. Disse que a desigualdade no Brasil não se limita a recorte racial, de gênero ou salarial: está na cultura, na educação, na saúde, no salário e no emprego de qualidade.
Sobre o suporte da leitura, declarou que nada substitui “o cheiro de uma página de um livro”. Considerou positivo ler em tablet, computador e celular, mas descreveu como “maravilhoso” dormir e deixar o livro cair no rosto.
O presidente reconheceu que o governo “não fez tudo ainda” e que não fará tudo em pouco tempo. Pediu que a cobrança pelo que falta leve em conta o que o país foi no passado. “Este país foi pensado para poucos, este país não foi pensado para muitos.”
ATRASO INSTITUCIONAL, NA FALA DO PRESIDENTE
Lula afirmou que a primeira universidade federal do país foi criada em 1920, “420 anos depois do Brasil descoberto”. Comparou o prazo com o da República Dominicana, onde, segundo ele, já havia universidade federal 40 anos depois da chegada de Colombo a Santo Domingo.
A fala deve ser lida como declaração do presidente. A Universidade do Rio de Janeiro foi instituída em 1920 pela reunião de escolas superiores já existentes. Instituições de ensino superior isoladas no Brasil são anteriores a essa data. A Universidade de Santo Domingo, na atual República Dominicana, remonta ao período colonial.
Lula disse ainda que a primeira universidade brasileira não teria sido criada “por causa do povo”, e sim porque o rei da Bélgica precisava receber o título de doutor honoris causa. Não foi localizada, para esta matéria, fonte primária que comprove esse motivo específico.
O presidente ligou o atraso educacional à origem indígena e à escravidão. Perguntou, em tom de crítica histórica, para que dar escolaridade a indígena e a escravizado se a elite os queria “no analfabetismo, na ignorância”. Concluiu que investir em cultura e educação é condição de “cidadania plena”, “com S maiúsculo”.
LIVROS, ARMAS E VOCABULÁRIO
Lula afirmou que o vocabulário dos jovens está ficando pobre com a internet, “muito cifrado” e orientado pela velocidade. Por isso, disse, elevar a educação exige investir em cultura e literatura.
No mesmo trecho, fez o contraste que Maeve Jinkings havia evocado: “o Bolsonaro distribuiu no mandato dele 1 milhão de armas e 1 milhão e 100 mil balas, e nós distribuímos 213 milhões de livros didáticos para a escola brasileira”.
O número de livros didáticos coincide com dado do FNDE sobre o PNLD adquirido em 2025 para uso em 2026: 213.426.670 exemplares, com atendimento a 30,7 milhões de estudantes. São livros didáticos, literários e materiais do programa, não um balanço exclusivo de literatura para bibliotecas comunitárias.
Os números de armas e munições atribuídos ao governo de Jair Bolsonaro ficam, nesta reportagem, como declaração de Lula. Não foram cruzados aqui com registro oficial específico dessa quantificação.
Lula repetiu que o país “partiu do nada” e que ainda vai demorar para concluir a agenda.
MARGARETH MENEZES E A ONU
O presidente comentou a trajetória pública da ministra Margareth Menezes. Disse ter visto o primeiro discurso dela “cheia de vergonha” e contrastou com a fala do dia, que descreveu como de quem “tá quase candidata a presidenta da República”. Acrescentou: “Nós vamos chegar lá.”
Em seguida, pediu atenção ao discurso que fez na véspera, terça-feira (22/set), na Assembleia Geral das Nações Unidas. “Não foi só o meu discurso, o importante foi comparar o meu discurso com o discurso do Trump.”
Segundo Lula, o presidente dos Estados Unidos começa apresentações dizendo ter o maior Exército, a maior Marinha, o maior foguete e a melhor bomba. “Fala isso em toda reunião”, afirmou. “Como eu sei do meu tamanho, eu não quero fazer guerra com ele, eu quero ganhar dele na narrativa, que nós estamos ganhando na narrativa.”
O G1 também registrou essa comparação no mesmo ato. A cobertura internacional do pronunciamento na ONU foi reunida pelo Urbs Magna em matéria específica.
O QUE O ATO REPRESENTA NA RETA ELEITORAL
O evento integra a campanha à reeleição e ocorre depois da agenda de Lula em Nova York. No mesmo ato, de acordo com o G1, o presidente defendeu emenda constitucional para transformar a política cultural em política de Estado, a fim de impedir descontinuidade a cada troca de governo. Esse ponto não consta do recorte transcrito da conversa com Maeve Jinkings e, por isso, permanece apenas como informação de cobertura contemporânea, não como trecho da pergunta e da resposta aqui reproduzidas.
IMPORTANTE: As afirmações sobre ranking mundial de compra de literatura, o motivo da criação da primeira universidade federal e os totais de armas e munições do governo Bolsonaro são declarações feitas no palco. Só o volume de 213 milhões de exemplares do PNLD encontra lastro documental direto nas estatísticas do FNDE consultadas para esta edição.
A análise indica que a troca entre a atriz e o presidente organiza um eixo único: cultura como equipamento de proximidade, e não como oferta concentrada no centro da cidade. O restante da fala — atraso educacional, vocabulário digital, contraste com Bolsonaro e comparação com Trump — serve, no próprio raciocínio de Lula, para sustentar esse eixo.
FAQ Rápido
O que Maeve Jinkings perguntou a Lula?
A atriz pediu que o presidente falasse da importância do acesso à literatura, ao cinema e aos espetáculos e associou esse acesso à mudança de vida das pessoas.
Qual foi a resposta central de Lula?
Ele disse que biblioteca, teatro e cinema no centro afastam quem mora longe e afirmou que todo conjunto do Minha Casa, Minha Vida precisa ter biblioteca.
Que números Lula apresentou no mesmo trecho?
O presidente falou em 213 milhões de livros didáticos distribuídos às escolas e atribuiu ao governo Bolsonaro 1 milhão de armas e 1 milhão e 100 mil balas. O total de livros encontra correspondente no PNLD do FNDE; os números de armas ficam como declaração.
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Enquanto isso o inimigo da CLT e reformado aos 33 anos no exército depois de 10 anos de maus serviços prestados, até agora não leu nenhum livro pra abater sua pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado!!