Brasília (DF)
16 de outubro de 2026
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (16/out), em ato de campanha em Ipatinga (MG), que a Rede Globo “não merece confiança” da sua candidatura após o almoço do adversário Flávio Bolsonaro (PL) com a cúpula da emissora, horas antes da sabatina no Jornal Nacional. A declaração coloca a cobertura eleitoral sob questionamento em um segundo turno marcado para 25 de outubro.
Segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, o encontro ocorreu na sede da emissora, no bairro Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro foi acompanhado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha, e por um assessor de imprensa. Pela empresa, participaram João Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais.
O QUE ACONTECEU NO ALMOÇO?
A informação circulou primeiro na coluna de Igor Gadelha e foi confirmada pela própria Globo em nota. A emissora afirmou que se tratou de “visita institucional” e que “o encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo”. O texto da nota, reproduzido em veículos como a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, acrescenta que “pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia, sendo usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia”.
A campanha de Lula sustenta que o petista não recebeu convite semelhante antes da sua sabatina, realizada na quinta-feira (15/out). A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, conforme a emissora.
COMO LULA REAGIU EM IPATINGA?
Em ato no Vale do Aço, Lula relatou o fato e associou o encontro a descontentamento da emissora com medidas do governo. De acordo com o Metrópoles e o UOL, o presidente disse: “Hoje é dia do Flávio ir fazer a entrevista dele. Sabe o que aconteceu agora de tarde? Ele foi almoçar com a direção da Globo. Ele foi almoçar com a direção da Globo no dia da entrevista dele.”
Em seguida, afirmou que a Globo está “com raiva” dele por ter acabado com as bets (que anunciavam na emissora), pela aprovação do fim da escala 6×1 e pela promessa de transporte gratuito nos finais de semana. Segundo reportagem do Brasil 247, ele declarou que, a partir daquele momento, a emissora está “sob suspeição” da candidatura e “não merece confiança”.
O QUE DISSE A CAMPANHA E A GLOBO?
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, classificou o encontro como “muito grave” em declaração à coluna de Mônica Bergamo. Ele questionou se houve “parceria” ou “gentileza”, se a entrevista posterior seria “colaborativa” e se o momento foi inadequado, especialmente “num momento de uma eleição em que a democracia está em jogo”.
A Globo respondeu que receberia Lula caso ele tivesse solicitado visita semelhante. A emissora manteve a classificação de encontro institucional, sem participação da área de jornalismo.
IMPORTANTE: A nota da Globo afirma que lideranças do jornalismo não participaram do almoço e que visitas de cortesia fazem parte da rotina de executivos de mídia. A campanha de Lula aponta a assimetria de tratamento e o timing — no mesmo dia da sabatina — como fatores que levantam dúvida sobre imparcialidade. Não há informação pública de conteúdo discutido no encontro.
REAÇÃO NAS REDES E CONTEXTO DA DISPUTA
Na rede social X, a expressão “Flávio comprou a Globo” figurou entre os assuntos mais comentados, segundo o Brasil 247. Internautas e o deputado federal Alencar Santana Braga (PT-SP) pediram explicações claras sobre o encontro, especialmente porque a família Bolsonaro historicamente tratou a emissora como adversária.
Este é o segundo almoço de Flávio Bolsonaro com integrantes da cúpula da Globo, segundo apuração do Metrópoles. O primeiro ocorreu antes do início oficial da campanha, durante visitas a veículos de imprensa. A sabatina de Flávio foi conduzida pela jornalista Renata Lo Prete após o Jornal Nacional.
A análise aponta que o episódio reabre o debate sobre o equilíbrio exigido das emissoras em período eleitoral, especialmente quando o acesso à alta direção ocorre em datas distintas para candidatos em disputa direta. O segundo turno de 25 de outubro mantém a polarização e o escrutínio sobre a cobertura midiática.
FAQ Rápido
O que a Globo disse sobre o almoço?
Classificou como visita institucional, sem lideranças do jornalismo, e afirmou que receberia Lula se ele tivesse pedido.
Lula participou de encontro semelhante?
A campanha afirma que não foi convidado para almoço com a direção antes da sabatina de quinta-feira (15/out).
Quando ocorre o segundo turno?
Em 25 de outubro de 2026.
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