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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    17 de outubro de 2026

    O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU/FAO em 2014, sob políticas iniciadas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e consolidadas na gestão de Dilma Rousseff, retornou nos indicadores do período de Jair Bolsonaro e saiu novamente em julho de 2025, no terceiro mandato de Lula, segundo o relatório SOFI 2025. Essa trajetória está no centro da longa lista que circula nas redes sociais com dezenas de realizações atribuídas aos governos do PT. A análise aponta que a maior parte dos itens tem lastro em leis, decretos e balanços oficiais, embora alguns programas tenham origem anterior, outros tenham sido expansões de iniciativas pré-existentes e alguns números específicos exijam ressalvas. Governos de centro-direita e direita promoveram renomeações, substituições e redução de prioridade em vários deles; o terceiro mandato retomou e ampliou a maioria das iniciativas sociais centrais.

    EDUCAÇÃO E ACESSO AO ENSINO SUPERIOR

    O Fies foi criado em 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso, em substituição ao antigo Creduc. Sob Lula e Dilma, o programa foi fortemente expandido, com redução de juros e ampliação de contratos. Em 2010, ainda no segundo mandato de Lula, a taxa de juros foi fixada em 3,4% ao ano para todos os cursos. Fontes oficiais e reportagens do Estadão Verifica e da CNN Brasil confirmam a origem em FHC e a expansão petista. O FGEDUC funcionou como fundo garantidor complementar para reduzir o risco de inadimplência e ampliar o acesso.

    O Pronatec foi criado em 2011, no governo de Dilma Rousseff, pela Lei nº 12.513. Ofereceu milhões de vagas em cursos técnicos e de formação profissional, com foco em beneficiários do Bolsa Família e alunos de escolas públicas. Entre 2011 e 2014, ultrapassou 8 milhões de matrículas, segundo balanços do Ministério da Educação da época. Sofreram cortes orçamentários a partir da crise econômica de 2015.

    O Prouni foi instituído pela Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, no primeiro governo de Lula, quando Fernando Haddad era ministro da Educação. Concede bolsas integrais e parciais em instituições privadas. Segundo o Valor Econômico, a autoria é do Poder Executivo naquele período.

    O Ciência sem Fronteiras foi lançado em 2011, no governo Dilma, por decreto, com meta de 101 mil bolsas de intercâmbio em áreas prioritárias de ciência e tecnologia. Até 2016, cerca de 92 mil bolsas foram implementadas, segundo dados da Capes e do CNPq. O programa foi interrompido em governos posteriores por restrições orçamentárias.

    Entre 2003 e 2014, os governos Lula e Dilma criaram dezenas de novas universidades federais e centenas de campi, interiorizando o ensino superior. Dados do MEC da época registram a criação de 18 novas universidades federais e expansão significativa da rede, com faculdades em muitos municípios do Brasil. A UNILAB, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, foi criada em 2010, no segundo governo Lula, com sede no Ceará e foco na integração com países de língua portuguesa.

    Foram construídas e contratadas 8.787 creches e pré-escolas, com investimentos da ordem de R$ 10 bilhões no período, beneficiando milhares de municípios, segundo balanços do governo federal da época. O FUNDEB foi criado em 2007 (governo Lula). O Plano Nacional de Educação (2014-2024) foi aprovado no governo Dilma. Ambos sem veto presidencial relevante no momento da instituição. O Projeto Leitura e Escrita na Educação Infantil foi uma iniciativa de formação de professores e material didático financiada no período PT.

    TRANSFERÊNCIA DE RENDA E COMBATE À POBREZA

    O Bolsa Família foi instituído pela Lei nº 10.836/2004, após Medida Provisória de 2003 do governo Lula. Unificou programas anteriores do governo FHC (Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás) e expandiu a cobertura. Em 2021, sob Bolsonaro, foi substituído pelo Auxílio Brasil (Lei nº 14.284/21). Reinstituído em 2023 (Lei nº 14.601) com piso de R$ 600. Em outubro de 2026, o benefício mínimo foi reajustado para R$ 691. Fontes: Valor Econômico e páginas oficiais do MDS.

    O Programa Brasil Sem Miséria foi lançado em 2011, no governo Dilma, com meta de superar a extrema pobreza. Articulou Bolsa Família, acesso a serviços e geração de renda. O Bolsa Estiagem foi criada em 2012, no governo Dilma, para apoiar agricultores familiares atingidos por secas. O Bolsa Verde foi instituída em 2011 (MP 535 e Lei 12.512), no governo Dilma, pagando famílias em áreas de conservação ambiental para preservação de florestas. O Bolsa-escola, programa anterior do governo FHC, foi unificado no Bolsa Família em 2003-2004. O Brasil Carinhoso foi uma ação de 2012, no governo Dilma, dentro do Brasil Sem Miséria, focada em crianças pequenas e gestantes, com transferência adicional e acesso a creches.

    A retirada do Brasil do Mapa da Fome ocorreu em 2014 (governo Dilma, após políticas desde 2003). O país retornou nos dados do triênio 2018-2020/2021, no período Temer/Bolsonaro. Saiu novamente em julho de 2025 (triênio 2022-2024), anunciado pela FAO no relatório SOFI 2025, no governo Lula III. O item “três vezes” não se confirma nos relatórios oficiais da FAO. Fontes: Ministério do Desenvolvimento Social e relatórios FAO.

    O aumento do salário mínimo acima da inflação foi uma política de valorização real (inflação + PIB) consolidada a partir de 2007, no governo Lula. Houve ganhos reais consistentes até o período Bolsonaro, quando os reajustes de 2020-2022 ficaram basicamente na inflação (Dieese). Retomada em 2023, com ganho real acumulado de cerca de 11-12% até 2025. Fontes: Dieese e PT.org.br.

    SAÚDE

    O Mais Médicos foi lançado em 8 de julho de 2013, pelo governo Dilma Rousseff (MP e depois Lei nº 12.871). Levou médicos a municípios com carência. Sofreu enfraquecimento e tentativa de substituição pelo Médicos pelo Brasil sob Bolsonaro (com implementação limitada). Retomado e ampliado a partir de 2023.

    O Farmácia Popular foi instituído em 2004 (Lei 10.858 e Decreto 5.090), no primeiro governo Lula. Amplia acesso a medicamentos. No fim do governo Bolsonaro, houve proposta de corte orçamentário relevante. No terceiro mandato de Lula, o orçamento foi recomposto e ampliado, com gratuidade total de dezenas de itens e maior cobertura (chegou a mais de 27 milhões de beneficiários em 2025, segundo dados oficiais).

    O Brasil Sorridente é um programa de saúde bucal lançado em 2004, no governo Lula, expandindo equipes de saúde bucal no SUS. O SUS foi criado pela Constituição de 1988 e leis de 1990. Governos Lula/Dilma expandiram financiamento, SAMU, UPAs e Estratégia Saúde da Família. Houve expansão significativa de unidades de pronto atendimento, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e de equipes da Estratégia Saúde da Família nos governos PT. A Casa da Mulher Brasileira é uma iniciativa de atendimento integrado a mulheres em situação de violência, com unidades inauguradas no período Dilma e continuidade posterior.

    HABITAÇÃO, ÁGUA E ENERGIA

    O Minha Casa, Minha Vida foi criado em 2009 (Lei nº 11.977), no segundo governo Lula. Renomeado Casa Verde e Amarela sob Bolsonaro (Lei 14.118/2021). Retomado em 2023 com o nome original e contratação de milhões de unidades (mais de 1,2 milhão até 2024, segundo Ministério das Cidades).

    O programa de cisternas no sertão e o Água para Todos foram expandidos fortemente nos governos PT (1 milhão de cisternas em anos anteriores). Execução mínima no período Bolsonaro. Retomada a partir de 2023, com milhares de novas entregas.

    O Luz para Todos foi instituído pelo Decreto nº 4.873, de 11 de novembro de 2003, no governo Lula. Meta de universalizar energia no meio rural. Beneficiou mais de 17 milhões de pessoas ao longo de 20 anos. Relançado em 2023 (Decreto 11.628). Fonte: texto oficial do decreto no Portal da Câmara.

    A Transposição do Rio São Francisco teve obras efetivamente iniciadas em 2007, no segundo governo Lula, após licenciamento e decisão do STF. Eixos Norte e Leste avançaram nos governos Lula e Dilma. Trechos foram inaugurados em governos posteriores (Temer e Bolsonaro). Continua em expansão no terceiro mandato. Fontes oficiais do Ministério da Integração e reportagens do Estadão Verifica.

    INFRAESTRUTURA, ECONOMIA E MEIO AMBIENTE

    A reativação do transporte ferroviário, a Ferrovia Norte-Sul e a Transnordestina tiveram obras e concessões avançadas no período Lula/Dilma, com trechos em execução ou conclusão.

    O Pronaf, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, foi criado em 1995 (governo FHC) e fortemente expandido em volume de crédito nos governos Lula e Dilma. O FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, existente anteriormente, teve uso ampliado para qualificação e geração de emprego no período. O Programa Biodiesel foi uma política de mistura obrigatória e incentivo à produção de biodiesel, com expansão relevante nos governos PT.

    Em 2005, o Brasil quitou a dívida com o FMI e, posteriormente, tornou-se credor, emprestando recursos ao fundo — marco do período Lula. O Brasil participou da formação e consolidação do BRICS (primeiro encontro formal em 2009), no segundo governo Lula. O Pré-sal teve descoberta e regime de partilha avançados no período Lula/Dilma, com criação da Petrobras como operadora única e fundo social.

    Dados do Inpe e de relatórios internacionais registram queda acentuada do desmatamento entre 2004 e 2012, no período Lula/Dilma, com posterior aumento. Houve redução de 79% do desmatamento da Amazônia brasileira, aumento em mais de 50% da extensão total de área florestal protegida, criação de unidades de conservação e redução de emissões também documentadas no período, com liderança mundial em redução de emissão de GEE.

    A valorização do polo naval, a Refinaria Abreu e Lima e as novas usinas hidrelétricas (Belo Monte, Santo Antônio, Jirau, Teles Pires etc.) concentraram-se nos governos Lula e Dilma. A Conferência Mundial Rio+20 foi realizada em 2012, no governo Dilma, no Rio de Janeiro. As PPP e o PAC (Parcerias Público-Privadas e o Programa de Aceleração do Crescimento, lançado em 2007, governo Lula) concentraram investimentos em infraestrutura. Houve aumento do parque eólico brasileiro, com expansão acelerada a partir dos leilões e políticas dos governos PT. Os polos de desenvolvimento NE (Suape, Pecém e Camaçari) receberam investimentos privados e públicos de grande porte no período.

    CULTURA, ESPORTE, DEFESA E DEMAIS ITENS

    O Bolsa Atleta foi criado pela Lei nº 10.891, de 9 de julho de 2004, no governo Lula. Maior programa de patrocínio individual de atletas do mundo. Em 2024, completou 20 anos com mais de R$ 1,5 bilhão investidos e milhares de atletas beneficiados. Fonte: Agência Gov.

    Os Pontos de Cultura, o Vale-cultura, o Programa Cultura Viva e o Programa Mais Cultura nas Escolas foram políticas de cultura viva, pontos de cultura e vale-cultura lançadas e expandidas nos governos Lula e Dilma. O orçamento da cultura cresceu de R$ 276,4 milhões em 2002 para R$ 3,27 bilhões em 2014, segundo dados da época.

    Houve reequipagem da Polícia Federal, liberdade para a PGR e o MP, e escolha de primeiros das listas para órgãos da Justiça. Período de maior autonomia e investimentos na Polícia Federal e no sistema de justiça, com nomeações a partir de listas de carreiras.

    Os Jogos Pan-americanos de 2007 (Rio), a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 (Rio) foram realizadas no período dos governos PT, com investimentos em infraestrutura. Foram realizadas 98 conferências nacionais de 43 áreas, grande volume de conferências nacionais (saúde, educação, juventude, mulheres, comunicação, LGBT etc.) nos governos Lula e Dilma como método de participação social.

    A Política Nacional de Defesa teve investimentos que cresceram de cerca de R$ 900 milhões em 2003 para R$ 8,9 bilhões em 2013. Houve participação das FFAA em 11 missões militares de paz da ONU, no Projeto Submarino Nuclear e na modernização da frota de aeronaves da FAB com transferência de tecnologia. A participação em missões de paz, o início do projeto de submarino nuclear (Prosub) e os programas de modernização com transferência de tecnologia concentraram-se no período.

    O Aprendiz na Micro e Pequena Empresa e o MEI (Microempreendedores Individuais) — o MEI foi criado pela Lei Complementar nº 128, de 2008, no segundo governo Lula, formalizando milhões de trabalhadores autônomos. Em 2026, o governo Lula anunciou o pacote Prospera MEI (perdão de dívidas e outras medidas), em tramitação no Congresso.

    A isenção do imposto de renda até 5 mil/mês foi promessa de campanha de 2022, aprovada e em vigor a partir de 2026, no terceiro mandato. O projeto para o fim da Escala 6×1 foi uma PEC aprovada no Congresso em 2026, com apoio do governo Lula, garantindo um dia a mais de descanso sem redução salarial. O Desenrola Brasil foi um programa de renegociação de dívidas lançado no terceiro mandato de Lula, beneficiando milhões de famílias.

    O número de 42 títulos de Doutor Honoris Causa é frequentemente citado em biografias e reportagens; o volume elevado de títulos recebidos no Brasil e no exterior é amplamente registrado, à frente de Paulo Freire. Requer verificação pontual em cada universidade.

    Dados de mercado e IBGE registram recuperação da bolsa e queda da inflação no terceiro mandato em relação ao pico de 2022. Os números exatos de fechamento em agosto de 2026 dependem da série oficial do B3 e do IPCA do IBGE na data.

    IMPORTANTE: A lista mistura criações originais (Bolsa Família, ProUni, Luz para Todos, Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida, Bolsa Atleta, MEI), expansões de programas anteriores (Fies, Pronaf, SUS) e resultados de políticas contínuas. Governos de Temer e Bolsonaro promoveram renomeações, substituições e redução de prioridade em vários deles. O terceiro mandato de Lula retomou e ampliou a maioria das iniciativas sociais centrais. Propostas de “tesouraço” associadas à campanha de Flávio Bolsonaro discutem desvinculação de pisos de saúde e educação e limitação de reajustes de benefícios, segundo reportagens de veículos como o Brasil de Fato. O candidato e sua equipe afirmam que não pretendem cortar programas sociais.

    FAQ Rápido

    Todos os itens da lista foram criados por Lula?
    Não. Alguns (Fies, SUS, Pronaf, Bolsa Escola) são anteriores. A maioria dos programas emblemáticos de transferência de renda, habitação popular, acesso à universidade e universalização de energia e água foram criados ou massivamente expandidos entre 2003 e 2014.

    O Brasil saiu do Mapa da Fome duas ou três vezes sob o PT?
    Saiu em 2014 (Dilma, após políticas de Lula) e em 2025 (Lula III). O item “três vezes” não se confirma nos relatórios da FAO.

    O que os governos de direita fizeram com esses programas?
    Renomearam o Minha Casa Minha Vida, substituíram o Bolsa Família pelo Auxílio Brasil, enfraqueceram o Mais Médicos e reduziram a execução de cisternas e outros programas. O terceiro mandato de Lula reinstituiu os nomes e a prioridade originais na maioria dos casos.


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