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    “Não preciso me esforçar para Trump saber que sou melhor que Bolsonaro”, diz Lula ao Washington Post: “Ele já sabe disso”

    “Quem abaixa a cabeça talvez não consiga erguê-la novamente. O Brasil tem muito orgulho do que é. Não precisamos nos curvar a ninguém”, afirmou o estadista ao jornal estadunidense

    Presidente Lula em entrevista ao The Washington Post

    O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva diz que suas ‘divergências políticas’ com o presidente Donald Trump não interferem em sua relação com ele como chefe de Estado / Foto: Evaristo Sa / AFP / Getty Images | Detalhes do artigo do jornal The Washington Post de domingo 17.5.2026 | Montagem

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Washington (US)
    17 de maio de 2026, 03h20

    Em uma entrevista que já repercute nos principais círculos diplomáticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou, em primeira mão ao jornal The Washington Post, a estratégia de bastidores que utilizou para construir uma ponte com o republicano Donald Trump.

    A conversa, publicada neste domingo (17/mai), detalha o encontro de três horas na Casa Branca ocorrido em 7 de maio e como o bom humor do veterano líder brasileiro pode render frutos políticos para o Brasil.

    A abordagem de Lula representa uma tentativa pragmática de isolar a ideologia e garantir ganhos práticos para o país, mesmo diante de um antagônico histórico.

    O estadista resumiu sua filosofia: “Se consegui fazer Trump rir, posso conseguir outras coisas também. Não dá para simplesmente desistir”.

    A fala faz referência direta ao momento em que, ao passear pela galeria de retratos presidenciais, o brasileiro provocou o anfitrião sobre sua expressão séria.

    Não sabe sorrir?”, perguntou Lula, recebendo como resposta que eleitores preferem líderes sisudos.

    A tentativa de humanizar a relação com o presidente norte-americano é um movimento oposto ao do antecessor. Diferente de Jair Bolsonaro, que ostentava uma aliança ideológica explícita com Trump, Lula aposta na diferença e na negociação direta.

    Quem abaixa a cabeça talvez não consiga erguê-la novamente. O Brasil tem muito orgulho do que é. Não precisamos nos curvar a ninguém”, afirmou Lula, demarcando território em um cenário de tensões globais.

    Para o líder petista, a chave para destravar investimentos e evitar sobretaxas está no respeito institucional.

    O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, declarou.

    Contraste com Bolsonaro e a questão das tarifas

    Em um dos trechos mais fortes da entrevista, Lula não hesitou em afirmar sua superioridade política na visão do republicano.

    Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso”.

    A declaração é um aceno direto ao eleitorado brasileiro e à comunidade internacional, que assistiu à deterioração da relação entre Brasil e EUA durante a gestão de transição de poder.

    A entrevista ocorre em um momento crítico para a economia brasileira. Lula acredita que a química pessoal pode ser um escudo contra as medidas protecionistas de Trump.

    O presidente americano, que já ameaçou impor tarifas bilaterais, cedeu recentemente ao diálogo.

    Dados da Reuters indicam que as exportações brasileiras ainda sofrem com uma taxa extra de 10%, com vencimento em julho, e uma investigação do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre práticas comerciais pode gerar novas sanções.

    A estratégia de Lula, portanto, é usar o bom humor como moeda de troca para manter canais abertos.

    Geopolítica e a “Fila” da China

    A conversa não se limitou ao bom humor. Lula levou a sério a defesa da América Latina e fez um alerta severo a Washington.

    O presidente explicitou a competição geopolítica com a China, principal parceira comercial do Brasil.

    A China descobriu e entrou na América Latina. Hoje, meu comércio com a China é duas vezes maior do que com os Estados Unidos. E isso não é preferência do Brasil”, afirmou.

    Se os Estados Unidos querem ir para a frente da fila, ótimo. Mas têm que querer”.

    O estadista também demonstrou autonomia ao detalhar divergências claras com a Casa Branca.

    Em um gesto que ecoa sua atuação na política externa dos governos anteriores, Lula entregou a Trump uma cópia do acordo nuclear firmado com o Irã em 2010, argumentando que o país não busca construir armas atômicas.

    Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, listou o presidente, provando que a aliança forjada é de conveniência e não de princípios.

    Por fim, Lula atuou como fiador do diálogo em Cuba. Segundo o presidente, Trump teria garantido que “não pretende invadir a ilha”.

    Lula defendeu o fim do bloqueio econômico: “Cuba precisa de uma chance”.

    A postura demonstra que, enquanto o mundo se polariza, o Brasil tenta ocupar o espaço de mediador, utilizando o carisma de seu presidente, conforme diz o The Washington Post, como ferramenta de Estado para garantir soberania e desenvolvimento.

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    FAQ Rápido

    1. Por que Lula acredita que fazer Trump rir é importante?
    O presidente brasileiro entende que quebrar o gelo e estabelecer uma relação pessoal positiva é fundamental para negociar pautas duras, como tarifas de importação e respeito à soberania democrática brasileira.

    2. Lula se considera superior a Bolsonaro na visão de Trump?
    Sim. Na entrevista, Lula afirmou categoricamente que “não precisa fazer esforço” para Trump saber disso, e que o presidente americano “já sabe” que Lula é melhor para os interesses do Brasil.

    3. O que Lula pediu a Trump em relação à China?
    Lula alertou Trump sobre a forte presença comercial da China na América Latina, afirmando que, se os EUA quiserem competir, “terão que querer”, mas sem que o Brasil se curve a imposições.

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