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RESUMO
URBS MAGNA


São Paulo (SP)
16 de outubro de 2026

Na entrevista concedida à Renata Lo Prete na TV Globo, o Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu integralmente a responsabilidade pelo desempenho do governo, afirmou ter aprovado 99% das propostas no Congresso Nacional com participação de partidos de centro e esquerda e reiterou a convicção de vitória no dia 25 de outubro.

As respostas de Lula enfatizam a reconstrução institucional após o período anterior e a prioridade à governabilidade e à proteção social, em contraste com pressões que buscam reduzir o debate a dificuldades pontuais.

Lula assume responsabilidade e rebate o quadro de rejeição

Logo no início, Renata Lo Prete descreveu um cenário adverso: desvantagem no segundo turno, rejeição majoritária ao governo desde o começo do ano e campanha que o próprio candidato havia chamado de desorganizada. Em seguida perguntou se havia algo que ele considerasse responsabilidade sua e que faria diferente hoje.Lula respondeu de forma direta: “Eu acho que tudo é responsabilidade minha, Renata. Veja, eu sou o governo. Então, se eu não consegui ser compreendido pela sociedade brasileira sobre o governo que eu fiz, eu não posso ficar jogando a culpa em ninguém, eu tenho que jogar a culpa em mim.” Ele lembrou que o eleitorado o escolheu em 2022 com a memória do final do mandato de 2010, quando o Brasil era a sétima economia do mundo, crescia 7,5% ao ano e havia criado 22 milhões de empregos em oito anos. Destacou dois anos e meio de recuperação de ministérios desmontados, a necessidade da PEC da Transição e a ausência de recursos para Bolsa Família, educação e saúde. “Eu só lamento que eu não tenha tido a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que eu fiz, porque foram muitas coisas.” Encerrado o ponto, afirmou estar consciente de que vencerá as eleições no dia 25 de outubro.

Congresso, frente ampla e a invertida sobre participação partidária

A entrevistadora retomou a vitória de 2022 com apoio de forças de centro que, segundo ela, não permaneceram no governo, e apontou um Congresso mais hostil. Questionou a sustentabilidade de um novo governo do PT sem frente ampla.

Lula corrigiu: “Ô Renata, não é verdade isso, Renata.” Explicou que chegou com 70 deputados do PT em 513 e nove senadores em 81, e ainda assim aprovou 99% das propostas, incluindo a reforma tributária desejada há 40 anos. “Todos os partidos, com exceção do PL, participaram do meu governo. Todos. Todos. Todos participaram do ministério do meu governo. O PP participou, o União Brasil participou, o PSD participou, o PMDB participou.” Completou que a governabilidade exige bloco de sustentação no Congresso Nacional, independentemente das alianças eleitorais. “Uma coisa é as eleições que você disputa, mas quando você ganha, você precisa pensar na governabilidade.”

A declaração de Lula distingue claramente o período eleitoral da gestão: ministros de partidos diversos garantem sustentação legislativa, mas cada partido define livremente seu apoio na campanha. Ele afirmou nunca ter pedido campanha aos ministros nem procurado partidos para a reeleição.

Pressão sobre Estados Unidos, tarifas e América do Sul

Após listar reveses (desmonte ambiental, emendas e rejeição de indicação ao Supremo), Renata Lo Prete passou imediatamente à pressão dos Estados Unidos sob Donald Trump, às duas rodadas de tarifas e à preferência americana pelo adversário, perguntando como lidar com isso e com a vizinhança sul-americana caso vença.

Lula reiterou a separação entre governo e campanha e descreveu a relação com Trump como “a relação mais civilizada que eu acho que ele já teve com outro presidente da República”. Contou ter dito que dois homens de 80 anos deveriam ter juízo e se entender, pois não fazia sentido desavença entre as duas maiores democracias do Ocidente. Houve três reuniões, a última de uma hora e meia por telefone. Informou que ministros de Indústria e Comércio e de Relações Exteriores negociavam naquela semana. Embora o comércio com os EUA tenha caído 9%, cresceu 20% com a China, 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha e 13% com o Vietnã, além de média de 10,5% em cerca de 50 países visitados, com recordes de superávit. “Quem deve estar preocupado conosco nesse momento são os Estados Unidos.” Afirmou não querer a lei da reciprocidade, mas estar disposto a aplicá-la se necessário, pois o Brasil possui bens que os EUA precisam mais do que o contrário.

Segurança pública, facções e a PEC

A jornalista perguntou se o governo é contra a classificação americana de facções como organizações terroristas (PCC e Comando Vermelho), citando pesquisa Datafolha de junho em que cerca de dois terços da população concordam total ou parcialmente. Indagou se o governo falhou em explicar ou se o eleitor tem um ponto não compreendido.

Lula respondeu que o ponto não compreendido é dos Estados Unidos: “quando os Estados Unidos fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado”, como o das torres ou de golpes, não o do crime organizado brasileiro, que busca dinheiro. Reconheceu que PCC e Comando Vermelho são terroristas para comunidades, bairros e cidades brasileiras. Contou ter apresentado proposta por escrito a Trump com base na experiência da Polícia Federal e ter aprovado lei antifacção que aumenta penas. Defendeu a PEC para que a União atue na segurança pública — algo que a Constituição até então não permitia de forma ampla — porque os estados não tiveram competência. O lema apresentado: tranquilidade, segurança e proteção para o trabalhador e a comunidade; prisão para os bandidos.

Sobre o medo cotidiano (quase 80% dos brasileiros temem roubo de celular, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública), Lula afirmou querer participar com força: criar Ministério da Segurança Pública, definir papéis da Polícia Federal, Rodoviária e Penal, e financiar 138 presídios de segurança máxima para impedir comando de dentro das cadeias. “Foi preso, não é para telefonar.” O objetivo é asfixiar o crime organizado e libertar territórios em todo o Brasil, não só no Rio, para que o povo não seja vítima de “dono de rua” que interfere em gás ou Bolsa Família.

Maioridade penal: posição clara

Renata Lo Prete mencionou a ideia do senador Camilo Santana de reduzir a maioridade de 18 para 16 anos em crimes hediondos, que gerou oposição em parte da bancada do PT, e perguntou se Lula é a favor.

Lula declarou: “O meu pensamento enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo, eu sou favorável a diminuir a penalidade.” Confirmou ser favorável a reduzir para 16, mas não dentro da PEC atual, que não trata do tema. A direita do PL tentou 14 anos; Camilo apresentou 16. Primeiro se aprova a PEC; depois se discute a maioridade. “Eu acho que não apenas eu como cidadão, como ser humano, eu acho que a sociedade brasileira inteira, sabe, é favorável à punição de qualquer crime hediondo.”

STF, caso Master, Dino e Moraes

A entrevistadora ligou dificuldades no Congresso e a tentativa de golpe na transição ao uso do Supremo, agora em crise de reputação pelo caso Master. Citou a palavra “promiscuidade” usada por Lula após o primeiro turno e perguntou se o desempenho nas urnas foi afetado.

Lula disse não ter avaliação sobre impacto eleitoral. Observou que a extrema-direita tenta colocar a Suprema Corte em suas costas porque quer cassar Alexandre de Moraes, não apenas pelo Banco Master, mas porque ele prendeu o pai de Flávio Bolsonaro. Mencionou ação da Polícia Federal no Rio envolvendo pessoa ligada ao clã e a possível suplência da mãe de Flávio.

Sobre o pedido de vista de Flávio Dino que impediria investigação imediata sobre Moraes (indicado por Lula e aliado histórico), Lula afirmou que Dino quis que todos fossem julgados na mesma sessão, pois a denúncia pairava sobre vários ministros (Toffoli, André Mendonça e outros). “Eu não tenho nenhum conhecimento jurídico para saber se o Flávio Dino estava certo ou não de pedir vista.” Insistiu: “não é possível imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja apurado tudo e sobretudo e que não fique pedra sobre pedra e que se puna quem precisar punir.” Defendeu reforma do Judiciário (lembrou a primeira, feita com Jobim e Márcio Thomaz Bastos), com critérios de escolha, mandato e restrições a quem advoga na própria Corte. Conversou três vezes com o presidente do STF para que a apuração e o julgamento ocorram, sob pena de o Congresso agir. “Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte.”

Andrei Rodrigues, Vorcaro e Lewandowski

Sobre o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, que esteve em festa de Daniel Vorcaro em Londres enquanto havia apurações no Banco Central e inquérito em São Paulo, Lula afirmou que ele não é “ligado” a si, mas escolhido e tem feito trabalho extraordinário. Ao saber da ida a Londres, chamou a atenção: o cargo não permite. A explicação não o convenceu. “Não precisava ter ido.” Sobre mantê-lo se reeleito: primeiro precisa ganhar; depois montará o time.

Quanto ao recebimento de Vorcaro no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, levado por Guido Mantega (então trabalhando para o Master), Lula comparou a casos anteriores (Sílvio Santos, Banco de Santos, Banco da Igreja de Edir Macedo). Todos procuram o presidente. O Banco Central investiga tecnicamente, não politicamente. Se houver problema técnico, fecha; se não, continua. Foi o posicionamento de Galípolo, comunicado ao Procurador-Geral, e de Haddad. “Você não vai ser perseguido, você vai ser investigado.” Um mês depois o banco fechou porque estava errado.

Sobre Ricardo Lewandowski, que era conselheiro e advogado de Vorcaro e cuja família manteve contrato após ele assumir o Ministério da Justiça, Lula elogiou-o como extraordinário ministro do STF e belíssimo ministro da Justiça. Quando deixou a Corte, trabalhou por conta própria. Ao ser convidado, largou a assessoria. Cada um segue a vida; quem errou será apurado. Não cabe ao presidente acompanhar a vida de todos. Defendeu quarentena e, a partir do que ocorreu, moralização: “quem quiser ser rico não pode ser ministro da Suprema Corte. Ali é um sacerdócio.” Propôs comissão de especialistas para discutir reforma.

Bolsa Família, orçamento e calendário

Renata Lo Prete questionou por que o principal programa social só foi reajustado 17 dias antes do primeiro turno. Lula respondeu que não sabia: “é inexplicável que no governo do Lula alguém pense não reajustar a inflação no salário das pessoas. É impensável, mas aconteceu.” Tomou a decisão de dar o que não havia sido dado. Sobre a proposta de orçamento de 2027 enviada em 31 de agosto sem correção: descobriu a ausência, perguntou por que não aumentou se havia espaço fiscal e determinou o aumento. Lembrou orçamento com superávit primário de 0,1% (partiu de déficit de 2,8%).

Endividamento, Desenrola, juros e dívida pública

Citando estudo da FGV (um em cada quatro brasileiros endividado ou sacando poupança para contas básicas) e 84 milhões de negativados no Serasa em agosto, a jornalista perguntou se há remédio além de baixar a febre, após 13 edições do Desenrola.

Lula relatou que, ao tomar posse, 78% da população estava endividada. Desenrola 1 atendeu cerca de 15 milhões; vieram o 2 e o 3. No 3, medida provisória na Câmara prevê leilão da dívida (expectativa de desconto de 90-93%). A União compraria dívidas acima de dois anos até R$ 4.000, estimando 150 bilhões; se adquiridas a 5% do valor, faria “favor extraordinário”. Há perdão de dívida ativa da União de R$ 12,7 bilhões (que não seria recebida) para tirar pessoas do Serasa, mais aval de R$ 5.000 para recomeçar. Tudo sem mexer no espaço fiscal.

Sobre juros, com Gabriel Galípolo no Banco Central há um ano e nove meses sem reduções significativas e com declaração de que o modelo de estímulo ao consumo está esgotado, Lula discordou historicamente: “O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo.” Contou que em 2003 o Brasil era a 12ª economia, devia 30 bilhões ao FMI; ao deixar, era a 7ª, com 270 bilhões de reservas e empréstimo de 15 bilhões ao FMI. Hoje já é a 10ª e no próximo ano deve estar entre as oito. “Não é cortar do pobre.” Sobre crescimento de 10 pontos na dívida e trajetória considerada insustentável por economistas: afirmou estar preocupado (criou família com cinco filhos e sabe o que é dívida). Sua tese: “muito dinheiro na mão de poucos é pobreza, e pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza.” Aposta em microeconomia, microcrédito, MEI e pequeno empreendedor. “Eu tinha acabado com a fome em 2014, quando eu voltei, tinha 33 milhões de pessoas passando fome outra vez, Renata. Não vou desistir.” Diferenciou dívida para ativo produtivo (ferrovia, hidrelétrica, porto) de simples gasto.

A entrevistadora concluiu que ele não propõe correção de rumo, mas seguir a linha. Lula confirmou: “eu tô propondo não gastar, não cortar dinheiro dos pobres.”

Energia e saúde

Sobre tarifas de energia que subiram o dobro da inflação, apesar de matriz limpa e programa para os mais pobres, Lula lembrou a privatização da Eletrobras “a troco de banana”. Trabalha para atrair data centers com energia barata (perspectiva de 500 bilhões em investimentos), economia verde, criativa e digital, permitindo que qualquer cidadão vá ao mercado livre (antes o pobre pagava mais ao Estado e o rico comprava barato no livre).

Na saúde, principal queixa é o tempo de espera. O programa Mais Especialistas ampliou atendimento, mas auditoria do TCU indica que não resolveu o tempo. Lula afirmou que tudo estava desmontado: de pouco mais de 20 mil médicos caiu para 12 mil; já contratou 16 mil e mira 28 mil, além de mais especialistas. Em 2025, 15 milhões de cirurgias eletivas; neste ano, 16 milhões. Convênios com hospitais particulares (que pagam parte da dívida) e santas casas. Carretas para exames de mulheres (câncer de mama, útero, ressonância). Compra de 10 mil SAMUs e retomada do Brasil Sorridente e Farmácia Popular. “Ainda falta muito porque a fila é muito tempo.” Encontrou 6 mil obras paralisadas (creches, hospitais, postos, escolas).

Considerações finais

No minuto final, Lula disse que não é fácil reconstruir um país destruído, mas que fizeram “milagre” em educação e saúde. Citou escala 6×1, política para MEI, ideia de transporte gratuito nos finais de semana (com dois dias de descanso), isenção de energia até 80 kWh (e diferença até 120) e gás para 17 milhões de pessoas.


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1 comentário em “Lula a Renata Lo Prete: “a responsabilidade é toda minha”; Presidente promete vitória em 25/out”

  1. jair francisco LUSA

    Lula foi brilhante em sua sabatina. Impressionante como esse senhor de 80 anos está lúcido a ponto de ter respostas clara e prontas a cada questionamento, sem editar e sem “enrolar” o assunto.

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文

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