Brasília (DF)
12 de setembro de 2026
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu o comício na Boca Maldita, em Curitiba, neste sábado (12/set), lembrando as filmagens clandestinas que enfrentava na porta de fábrica quando presidia o Sindicato dos Metalúrgicos. O estadista disse que convidou essas pessoas a participarem do evento.
O convite coincidiu com a presença, em um prédio vizinho, do deputado estadual Tito Barichello (Delegado Tito) e da vereadora Tathiana Guzella, ambos do PL, que registravam o ato em um celular.
“Eu, desde há muito tempo, eu quando ia na porta de fábrica, que eu era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, toda vez a gente pegava de surpresa alguém da segurança da empresa filmando a gente. Normalmente era um ex-militar aposentado, que era um puxa-saco da empresa, tentando filmar a gente. E eu convidava as pessoas que estavam filmando para não ficar escondido atrás da janela, ou agachado”, afimou Lula.
“Venha para cá! Aqui tem lugar para você! Se você vier para cá, você vai ficar aqui nesse lugar de destaque, porque eu quero convencer de que você tá errado”, completou o Presidente, sem citar os parlamentares da oposição e sem olhar para cima.
Mas imediatamente após essa fala de Lula, o público mais próximo do palco olhou para cima e começou a vaiar.
Quem estava na janela?
Fontes locais identificaram o deputado estadual Tito Barichello, conhecido como Delegado Tito e candidato a deputado federal, e a vereadora Delegada Tathiana Guzella, candidata a deputada estadual. Os dois, do PL, acompanharam a concentração do alto de um edifício na região central e publicaram registros nas redes.
O jornal local Plural noticiou que o casal filmou o comício e que Requião Filho (PDT), candidato ao governo do Paraná, mandou recado público do palanque.
A vereadora Tathiana Guzella tornou-se ré, em agosto, por discriminação por procedência nacional após dizer, em sessão da Câmara Municipal de Curitiba, que a vereadora Vanda de Assis (PT) deveria “voltar para o Ceará”. O dado consta de cobertura do próprio Plural e de veículos nacionais.
Como o palanque reagiu?
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, classificou a ação como “coisa chata” e pediu que os manifestantes “não ligassem”. Ela foi vaiada por pessoas em prédios próximos enquanto falava e interrompeu o comentário para dizer: “Não liga não. Vamos seguir aqui”.
O candidato ao governo Requião Filho também se dirigiu ao casal. O Plural resumiu o recado com a frase “O Paraná acolhe o nordestino”, em referência ao histórico recente da vereadora.
IMPORTANTE: a presença na janela e a filmagem foram relatadas por fontes locais e pelos próprios parlamentares em redes. Lula não os nomeou. A identificação do casal parte de reportagens e de publicações dos envolvidos, não de uma declaração nominal do presidente no palco.
Quantas pessoas foram ao comício?
As estimativas divergem dentro da faixa de dezenas de milhares. O Plural falou em cerca de 15 mil pessoas. O Banda B e a assessoria de campanha citaram cerca de 20 mil, ocupando a Boca Maldita e trechos da Rua XV de Novembro. O Brasil de Fato também trabalhou com 15 mil.
Localizada no coração do Centro da capital paranaense, em um calçadão, a Boca Maldita é um histórico e icônico ponto de encontro considerado um território de livre expressão e manifestação popular.
Foi fundada oficialmente como uma confraria masculina em 13 de dezembro de 1956 e se consagrou ao longo das décadas como uma espécie de “tribuna livre” onde aposentados, intelectuais, jornalistas e políticos se reúnem diariamente para debater os principais assuntos do momento, que vão desde a política nacional até o futebol.
O local, cujo lema bem-humorado é “nada vejo, nada ouço, nada falo”, carrega também grande peso histórico por ter sido o palco de importantes movimentos democráticos do país, como o primeiro comício da campanha das Diretas Já, em 1984.
No palco na Boca Maldita, além de Lula e Janja, estavam Requião Filho, a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) e o candidato ao Senado Dr. Rosinha (PT). O ato faz parte da ofensiva de campanha no Sul, depois de Porto Alegre e antes de Florianópolis.
Curitiba é palco simbólico para Lula: foi na capital paranaense que ele cumpriu 580 dias de prisão na sede da Polícia Federal, pena depois anulada. O retorno à Boca Maldita, mesmo local do comício de 2022, mistura memória institucional, disputa estadual e confronto direto com o campo bolsonarista.
Ao usar o episódio da fábrica nos tempos de sindicalista, e sem citar diretamente os delegados na janela, o Presidente transformou a vigilância da oposição em convite ao debate público, como Lula sabe fazer, mas que essa atual oposição desconhece, conforme críticas registradas em eventos anteriores.
O que acontece agora?
A campanha de Lula segue no Sul. No Paraná, a disputa pelo governo contrapõe Requião Filho a nomes do campo de direita, entre eles Sergio Moro (PL). O casal Tito Barichello e Tathiana Guzella disputa cadeiras legislativas pela mesma legenda.
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