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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    12 de setembro de 2026

    O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lotou neste sábado (12/set) a chamada ‘Boca Maldita’ – espaço central e uma tradicional confraria de Curitiba, marcos da história e política da cidade.

    Lula transformou o comício “Brasil pronto pra mais” em um recado direto à oposição: “Quem fez putaria vai ser desmascarado” e “a família Bolsonaro não escapa”.

    O petista, candidato à reeleição, amarrou o caso do Banco Master, as fraudes no INSS e o pedido de voto à chapa paranaense a 22 dias do primeiro turno.

    No palanque estavam o candidato ao governo Requião Filho (PDT), o pai Roberto Requião, a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) e o senador e candidato Dr. Rosinha (PT).

    O que Lula disse no começo do discurso?

    Lula saudou o Paraná e Curitiba e tratou Requião Filho como “futuro governador”, Requião Pai como “futuro deputado federal” e Gleisi Hoffmann e Rosinha como nomes da chapa ao Senado. Recorreu à memória sindical: quando presidia o Sindicato dos Metalúrgicos, segurança de fábrica filmava a porta. Convidou quem gravava de janelas e tapumes a descer ao palanque.

    “Não fique escondido atrás da janela ou abaixado. Venha para cá. Aqui tem lugar para você. Se você vier para cá, você vai ficar aqui nesse lugar de destaque, porque eu quero convencer de que você tá errado.”

    Disse estar rouco e pediu atenção para a frase que aprendeu “desde pequeno”: “Deus escreve certo por linhas tortas.” Afirmou que a extrema direita, “adversário do Requião Filho”, passou o último mês falando em corrupção e que, aos 80 anos, aprendeu a ter paciência.

    O que Lula falou sobre a fraude no INSS?

    O presidente atribuiu à Controladoria-Geral da União e à Polícia Federal, em seu governo, a descoberta de “a maior quadrilha montada para roubar aposentado e pensionista”. Disse que o esquema foi montado no governo Bolsonaro, que “roubaram 3 bilhões e meio” com desconto falso, que “vários deles já estão na cadeia”, que houve apreensão de patrimônio e que “já devolvemos 3 bilhões e meio aos aposentados”.

    “É importante lembrar que a quadrilha foi montada no governo Bolsonaro. E hoje saiu a matéria de que tal do Careca está no mesmo prédio que o Flávio Bolsonaro. A verdade é lenta, mas não falha.”

    A reportagem a que se referiu foi publicada na sexta-feira (11/set) pelo ICL Notícias: a Bravo Grafeno, empresa de capacetes que tem Flávio Bolsonaro entre os sócios, está registrada na sala 2601, bloco D, do Edifício Connect Towers, em Águas Claras (DF), mesmo endereço cadastral de ao menos 16 firmas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. A informação foi reproduzida pelo Urbs Magna.

    A PF estima descontos indevidos de cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. O governo já devolve mais de R$ 3 bilhões a milhões de beneficiários, segundo g1 e o Ministério da Previdência. Bloqueios judiciais de bens giram na casa dos bilhões.

    IMPORTANTE: Dividir endereço cadastral e contador não prova, por si só, participação de Flávio Bolsonaro no esquema do INSS. O que está documentado até aqui é a coincidência de sede e de serviços contábeis da Voga, de Alexandre Caetano dos Reis, preso e apontado como sócio de Antunes. Flávio Bolsonaro nega envolvimento nas fraudes.

    O que Lula disse sobre o Banco Master e a família Bolsonaro?

    Na sequência, o presidente tratou do Banco Master. Disse que, em 2019, “eles pegaram um agiota e transformaram num banqueiro”, que o banco “corrompeu muita gente da República”, que o governo “prendemos esse banqueiro” e “fechamos esse banco” e que o golpe teria sido de “60 bilhões de reais”.

    O Banco Central liquidou o Master em novembro de 2025 e a PF prendeu Daniel Vorcaro. Lula já havia dito na sexta-feira (11/set), em Porto Alegre, que Vorcaro “virou banqueiro” no governo Bolsonaro e “prisioneiro” no seu mandato, conforme o g1 e O Globo.

    Em Curitiba, o petista afirmou ter falado com o presidente do STF, Edson Fachin, “que aqui no Paraná é o presidente daqui”, contra o que descreveu como vazamento seletivo do relator. Sem citar André Mendonça, Lula criticou o ministro que “fica soltando matérias pinçadas, somente aquilo que interessava a ele”.

    “Eu pedi para liberar todo o processo, vamos deixar nu para saber quem é que está por trás disso. […] E vamos deixar claras para ver quem é de verdade ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa. Não escapa.”

    Na quinta-feira (10/set) e na sexta-feira (11/set), Fachin determinou a retirada de sigilo de inquéritos do Master. Mendonça liberou parte dos autos; Fachin depois cobrou a abertura do restante, salvo diligências em curso, segundo g1 e Veja.

    Lula afirmou que seu filho “não será protegido” e que o mesmo padrão vale “para qualquer ministro da Suprema Corte”.

    “Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico. Aquilo é um sacerdócio.”

    Sobre Vorcaro, já preso, projetou o que viria com a abertura dos autos:

    “Vai começar a aparecer as orgias que ele fazia, as mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política. […] Portanto, quem fez putaria vai ser desmascarado nesse país.”

    A menção a “orgias” e a mulheres da Suíça e da Suécia é declaração de palanque. Até a publicação desta matéria, não há, nas fontes consultadas, documento público que descreva esses encontros com o detalhe usado no comício.

    Como Lula tratou mentira, eleição e educação?

    O presidente disse que 2026 “era o ano da verdade vencer a mentira” e criticou sessões no Senado e na Câmara em que a oposição “faz uma pergunta cretina” e corre para a internet. Recorreu a dona Lindu: “quando a gente quer saber se uma pessoa tá falando a verdade, […] a gente olha no olho”.

    “A mentira nunca mais vai ganhar uma eleição nesse país. Eleição é coisa muito séria.”

    Passou então à educação. Afirmou que o país tinha 140 ou 144 campi universitários federais até sua chegada à Presidência e que agora haveria 344 “em 15 anos”; que havia 140 institutos federais e que o governo deixará 608, com meta de 1.000. Disse que, até 2003, o mercado de trabalho tinha 4,8 milhões de pessoas com diploma universitário e que hoje seriam 25,5 milhões.

    A expansão federal sob os governos PT é fato documentado — novas universidades, campi e a criação dos Institutos Federais em 2008.

    Lula contrastou Santo Domingo, com universidade em 1532, e o Brasil, cuja primeira universidade federal dataria de 1920, “porque o rei da Bélgica ia fazer uma visita”. Concluiu: “Um metalúrgico, sem diploma universitário, apenas torneiro mecânico, é o presidente que mais fez universidade na história deste país.”

    O que o presidente disse sobre o Pé-de-Meia?

    O petista afirmou ter criado o Pé-de-Meia depois de constatar que 500 mil jovens do ensino médio desistiam da escola por ano. Falou em investimento de R$ 14 bilhões, 7,2 milhões de jovens atendidos e 280 mil no Paraná, com promessa de universalizar o programa.

    O Ministério da Educação registrou 5,67 milhões de beneficiados em 2024 e 2025, 202.444 no Paraná nesse recorte, e queda de 43% no abandono. Reportagens de 2026 falam em mais de 7 milhões desde o início e em cerca de 7,1 milhões de contas abertas pela Caixa, segundo a Folha e o Brasil de Fato.

    Defendeu ainda escola de tempo integral, formação em inteligência artificial “em língua portuguesa” e o envio de jovens para estudar no exterior.

    O que Lula falou sobre petróleo na margem equatorial?

    O presidente disse ter sido descoberto petróleo na margem equatorial, “tão fino que parece que já está refinado”, após um poço, com previsão de mais três. Localizou a área a 570 km da margem de Manaus e a 175 km da margem do Amapá.

    A Petrobras anunciou hidrocarbonetos no poço Morpho, a cerca de 175 km da costa do Amapá. Lula esteve no local em 17 de agosto e chamou o óleo de “petróleo chique”. O g1 informou que o Ibama autorizou mais três poços no bloco FZA-M-59. O presidente repetiu que pretende acabar com o combustível fóssil, mas extrair e vender o óleo para financiar educação, ciência, tecnologia e saúde.

    Como o discurso tratou mulheres, cuidado e saúde?

    Lula narrou a trajetória de dona Lindu, analfabeta, que saiu de Pernambuco em 1952 com oito filhos e criou a família sozinha em São Paulo. Usou a mãe como argumento para autonomia feminina, titulação de imóveis do Minha Casa, Minha Vida e pagamento do Bolsa Família às mulheres.

    Falou em creches, política nacional de cuidado e no Pacto Nacional contra o feminicídio, “já aprovamos 11 leis”. Atribuiu ao PT a Farmácia Popular, o SAMU e a melhoria do SUS. Disse que 41 remédios de uso contínuo são dados de graça e que carretas de exames, “quase 80 ambulâncias” para mulheres, entregam resultado na hora. Citou ter levado Janja do Rio de Janeiro a uma mamografia nesse modelo.

    Qual foi o recado eleitoral no Paraná?

    O presidente pediu que o eleitor escreva “o Brasil que você quer” antes de escolher candidato. No estado, orientou a ordem do voto: deputado federal da base da chapa; dois votos ao Senado em Gleisi e Rosinha; Requião Filho ao governo; e, “se sobrar uma força no dedo”, “vote no Lulinha para presidente”.

    “Este menino tem DNA. Eu conheço o pai dele. […] Se ele for igual ao pai, já será muito bom, mas como ele é mais jovem, estudou mais, mais bonito que o pai, ele certamente vai ser melhor que o pai.”

    Sem nomear Moro – ex-juiz da Lava Jato, hoje pretendente do PL ao governo do PR, disse que “aqui tem um que é candidato que não vale o que come” e que “nosso adversário é muito frouxo” e “mentiroso”. Lula lembrou os 580 dias de prisão e perguntou: “Cadê a minha chácara e cadê meu apartamento no Guarujá?”

    Citou Getúlio Vargas (salário mínimo e CLT) e os governos Lula e Dilma como os dois momentos de inclusão social desde 1889. Falou em sete anos sem reajuste de salário mínimo, merenda e bolsa. Encerrou cobrando soberania diante dos Estados Unidos:

    “Eles foram nos Estados Unidos pedir intervenção aqui no Brasil. […] O Trump sabe que eu já falei: não se meta nas eleições no Brasil. Esse país não é um país de virar lata, esse país não é uma republiqueta de banana.”

    Despediu-se pedindo trabalho de rua, rejeição a fake news e “até a vitória do Requião Filho, se Deus quiser, da Gleisi e do Rosinha”.

    O comício uniu três eixos: transparência forçada no Master, deslocamento da culpa das fraudes do INSS para o ciclo Bolsonaro e consolidação da chapa paranaense num estado em que o petismo disputa território com Moro e com o bolsonarismo. O que permanece aberto é o alcance jurídico das coincidências de endereço no INSS e o conteúdo integral dos autos do Master depois da quebra de sigilo.

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