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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    28 de setembro de 2026

    O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao Canal Livre, da Band, que o país não pode manter o Congresso Nacional com metade do Orçamento da União e que os fundos públicos de campanha, que um dia defendeu, hoje deterioram a política. A entrevista foi ao ar no domingo (27/set).

    A fala interessa porque o presidente, candidato à reeleição nas eleições 2026, vinculou o fim da polarização a uma reforma partidária que o próprio Legislativo teria de aprovar — e reconheceu a dificuldade de alterar regras das quais os parlamentares se beneficiam.

    O QUE LULA DISSE NO CANAL LIVRE?

    Questionado por Fernando Mitre sobre polarização e governabilidade, Lula comparou o quadro atual a um campeonato no qual só dois clubes grandes sobrevivem. Citou a antiga polarização entre PT e PSDB e a disputa contemporânea entre o PT e o bolsonarismo. A mudança, segundo ele, virá de uma reforma capaz de produzir partidos com manifesto, programa, bandeira e ética.

    “É preciso a gente acabar com essa história que está acontecendo na política, que é uma promiscuidade generalizada na política”, disse o presidente, conforme o trecho reproduzido pela Band.

    Sobre o Orçamento, foi direto:

    “Não é possível a gente continuar com a promiscuidade política do jeito que está. Não é possível a gente continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União. Não é possível.”

    A declaração ecoa crítica que o próprio presidente já havia feito em 4 de dezembro de 2025, quando classificou como “erro histórico” o que chamou de sequestro de metade do Orçamento pelas emendas impositivas, segundo o Poder360 e o O Globo.

    IMPORTANTE: A expressão “50% do Orçamento da União” não descreve metade de toda a peça orçamentária. A maior parte das despesas federais é obrigatória. A crítica de Lula se refere à fatia discricionária e às emendas sob forte influência do Congresso — ponto já registrado por analistas, entre elas Míriam Leitão, no O Globo.

    POR QUE LULA MUDOU DE POSIÇÃO SOBRE OS FUNDOS?

    O presidente admitiu ter sido defensor do fundo partidário e do fundo eleitoral. Agora, disse o contrário:

    “Eu que fui defensor do fundo partidário, eu que fui defensor do fundo eleitoral, hoje eu sou contra. Eu sou contra porque isso apodreceu a política. Mais o orçamento secreto, aí que apodreceu de vez a política.”

    A frase foi confirmada pela CNN Brasil, pelo Correio Braziliense e pelo SBT News.

    Para 2026, a Folha de S.Paulo registrou cerca de R1,43bilha~onofundopartidaˊrioeR1,43bilha~onofundopartidaˊrioeR 4,96 bilhões no fundo eleitoral. O g1 apontou o PL com R881,6milho~eseoPTcomR881,6milho~eseoPTcomR 615,3 milhões no fundo eleitoral.

    Em 1º de janeiro de 2026, Lula sancionou a LDO com veto a aumento do fundo partidário estimado em cerca de R$ 160 milhões, medida relatada por Veja e Folha.

    O CONGRESSO “AJUDOU” E, AINDA ASSIM, É O OBSTÁCULO?

    Mitre observou que reforma política depende de quem se nutre do sistema. Lula reconheceu o ponto e, ao mesmo tempo, creditou ao Congresso a aprovação da reforma tributária e da PEC da Transição. Citou o trabalho de articulação de Fernando Haddad, Rui Costa e líderes.

    A ressalva veio em seguida: quando a mudança atinge o interesse pessoal de deputado ou partido, o acordo emperra. “Ora eu vou conseguir fazer com facilidade? Não. Mas se eu não fizer, ninguém faz.”

    A análise aponta que a entrevista opera em dois registros: o presidente preserva a governabilidade construída no terceiro mandato e, ao mesmo tempo, antecipa o custo político de mexer em emendas, fundos e fidelidade partidária num ano eleitoral.

    O QUE RESTOU DO ORÇAMENTO SECRETO?

    O Supremo declarou inconstitucionais as emendas de relator em 2022. Relatórios posteriores da Transparência Brasil e matérias da CNN Brasil e da Folha descrevem emendas de comissão com autoria opaca, mecanismo comparado ao antigo orçamento secreto. Pagamentos desse tipo saltaram de cerca de R136milho~esem2022paramaisdeR136milho~esem2022paramaisdeR 9 bilhões em 2025, segundo a CNN.

    Lula usou exatamente essa expressão — orçamento secreto — para dizer que o financiamento público, somado à opacidade orçamentária, “apodreceu de vez a política”.

    COMO O PRESIDENTE DESCREVEU OS PARTIDOS?

    Para Lula, restam poucos partidos de caráter nacional. “Só o PT”, afirmou, ao dizer que as demais legendas viraram “clube” de financiamento de campanha. Segundo ele, as pessoas se organizam pelo número de deputados, montam “média empresa”, recebem fundo partidário e fundo eleitoral e “nem sempre se controla o que faz com o dinheiro”.

    A afirmação é declaração política, não diagnóstico institucional neutro. Há partidos com programa e estatuto registrados na Justiça Eleitoral. O que o presidente descreveu foi a percepção de que a distribuição de recursos públicos reforça legendas sem densidade programática.

    O QUE ACONTECE AGORA?

    Não há, na entrevista, cronograma, texto de PEC ou acordo com o Congresso. Lula disse estar disposto a “estabelecer uma nova conversação”. Mitre lembrou que um eventual novo mandato começaria com país dividido e com o Legislativo ainda no centro da execução orçamentária.

    A questão que permanece aberta é concreta: quem, no Congresso de 2027, aceitaria reduzir emendas, fundos e a lógica de sobrevivência partidária que o próprio presidente descreveu.

    FAQ Rápido

    O que Lula disse sobre o Orçamento?
    Que não é possível manter o Congresso com 50% do Orçamento da União. A crítica se refere ao peso das emendas e ao poder de alocação do Legislativo, não à metade de todas as despesas federais.

    Lula é contra o fundo eleitoral?
    Sim, na entrevista. Afirmou ter defendido o fundo partidário e o fundo eleitoral no passado e hoje ser contrário porque, segundo ele, o modelo apodreceu a política.

    A reforma política já está em votação?
    Não. O presidente tratou o tema como prioridade de um eventual novo mandato e admitiu que a mudança depende de quem se beneficia das regras atuais.



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