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    ‘Obama ganhou as eleições e a OMC nunca mais funcionou’; ‘Aí veio a China que, após 5 mil anos, também merecia uma chance’

     

    Entenda o contexto das declarações de Lula em Portugal, criticando a virada protecionista dos ricos após Brasil e China se tornarem competitivos, defendendo o multilateralismo, as relações equilibradas com a República Popular, os Estados Unidos e todos os parceiros

    Presidente Lula e o presidente António José Seguro, de Portugal

    Presidente Lula e o presidente António José Seguro, de Portugal |21.4.2026| Foto: António Pedro Santos / Lusa

    Lisboa (PT) · 21 de abril de 2026

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (21/abr) a urgente recuperação da Organização Mundial do Comércio (OMC) para que o órgão volte a funcionar de forma efetiva.

    A declaração ocorreu durante pronunciamento conjunto com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, no âmbito da visita de Estado ao país europeu.

    Nós precisamos, primeiro-ministro, trabalhar de forma muito forte para recuperar a OMC e fazê-la funcionar, afirmou Lula.

    Ele se apresentou como “testemunha viva” do que considera um ponto de inflexão negativo nas negociações globais de comércio.

    Eu sou testemunha viva que em 2008 a gente estava quase para concluir o acordo na OMC quando, por conta das eleições do Obama, o presidente Bush parou de negociar; depois, por conta da eleição na Índia, o negociador da Índia também parou de negociar. E eu imaginava que, quando o Obama tivesse voltado, a gente ia fazer uma negociação perfeita, ia fazer o grande acordo do mundo. Aconteceu que o Obama ganhou as eleições e nunca mais a OMC funcionou. Esse é o dado”, relatou o presidente.

    A fala revela uma visão histórica sobre os entraves políticos que paralisaram o sistema multilateral de comércio.

    As eleições nos Estados Unidos e na Índia em 2008 coincidiram com o momento em que o Brasil, já mais competitivo, começava a defender com maior ênfase o livre comércio — inversão de posições em relação aos anos 80.

    Lula recordou sua juventude militante no Brasil dos anos 80, época do Consenso de Washington, quando o livre comércio e a globalização eram bandeiras dos países desenvolvidos.

    Naquele tempo, a coisa mais fantástica era o livre comércio, era a globalização. E no Brasil nós éramos meio contra, dizendo: ‘eles querem vender os produtos deles, e nós somos pequenos, nós somos pobres, e tal’. Pois bem, quando nós passamos a gostar do livre comércio, quem vira protecionista são aqueles que nos anos 80 queriam que tivesse livre comércio. Ou seja, por que isso aconteceu? Porque nós passamos a ser competitivos e os nossos produtos passaram a chegar no mercado deles, explicou.

    O presidente contextualizou ainda o papel da China no cenário global contemporâneo.

    “E aconteceu os chineses na história da humanidade – que ninguém tem culpa de, depois de 5.000 anos, o chinês também merecia uma chance na vida”, disse, sem atribuir culpas, mas reconhecendo a ascensão natural de uma potência histórica.

    O discurso reforça a posição brasileira de não se alinhar a uma nova divisão bipolar. Lula rejeitou qualquer preferência comercial entre China e Estados Unidos.

    Nós não somos favoráveis à Segunda Guerra Fria, não aceitamos guerra fria, não temos preferência comercial entre China e Estados Unidos: nós queremos ter relação com a China, queremos ter com os Estados Unidos, queremos ter com a Rússia, queremos ter com a França, queremos ter com todo mundo, sem preferência. O que nós queremos é multilateralismo, harmonia e muita paz para a gente poder negociar”, concluiu o presidente.




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