Presidente Lula discursa durante evento em que sancionou a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 |11.5.2026| Imagem reprodução / Canal.Gov
| Brasília (DF)
11 de maio de 2026
No Palácio do Planalto, nesta segunda-feira (11/mai), o presidente Lula sancionou a lei que cria o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, a ser celebrado todo 12 de março, data da morte da primeira vítima brasileira, a técnica de enfermagem Rosana Aparecido Urbano.
O ato não se limitou à homenagem: serviu de palco para Lula detalhar, ponto a ponto, as falhas da gestão anterior e reforçar que a memória histórica é instrumento de justiça e de defesa da democracia.
Lula dedicou praticamente toda a sua fala à crítica direta a Jair Bolsonaro.
“Eu parto do pressuposto que os presidentes não são obrigados a saber tudo, mas ele tem que, pelo menos, ouvir quem sabe. E o que se reivindicava naquela época? Que ele montasse um comitê de especialistas, que ouvisse os principais cientistas brasileiros, para que pudesse o Estado ter orientação no trato com a sociedade brasileira”, afirmou o presidente.
Ele relembrou declarações do ex-presidente sobre as vacinas.
“O presidente dizia: ‘Tem muita gente, não tem muita coisa ainda que está em segredo. Não quero externar aqui, porque a imprensa vai usar contra mim. Mas o interesse é muito grande nesses 20 bilhões para comprar vacina’. O que ele estava tentando insinuar? Era tentar passar a ideia que as pessoas que estavam querendo vacina eram pessoas que estavam envolvidas com o processo de corrupção”, disse Lula, citando ainda a frase “a pressa da vacina não se justifica”, proferida por Bolsonaro em live do filho Eduardo Bolsonaro.
O presidente insistiu na necessidade de nomear responsáveis.
“É preciso que a gente comece a dizer os nomes das pessoas que participaram disso. [...] Nós temos que fazer com que as pessoas saibam quem foram os responsáveis, que fortaleceram a ignorância do presidente no trato de uma epidemia como essa. Nós temos que dizer em alto e bom som a quantidade de médico que receitava a cloroquina, a quantidade de gente desse país que diz que vacina fazia as pessoas virarem gays, virarem jacaré, que vacina fazia tudo de mal para as crianças”, declarou.
Lula anunciou ainda o lançamento de uma cartilha que reúne “tudo que foi a desgraça que eles falaram durante dois anos de pandemia”.
“É importante que cada militante tenha isso aqui na mão”, completou, entregando o material aos presentes.
A primeira-dama Janja da Silva também se pronunciou. Visivelmente emocionada, ela recordou a morte da própria mãe, Vani Ferreira, em outubro de 2020.
“Ela tinha Alzheimer e eu tinha me preparado psicologicamente para perder ela para o Alzheimer. [...] mas ela ter sido arrancada de mim pela covid...”, disse, antes de criticar o negacionismo atual: “Eu vi uma médica infectologista falando de um neném que tinha morrido de covid esses dias no hospital. Morreu porque a família não se vacinou. Até quando essa ignorância vai estar entre nós?”.
Estiveram presentes o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), e representantes de organizações de profissionais de saúde.
O evento reuniu ainda militantes e autoridades que acompanharam a sanção do projeto de lei de autoria do próprio Uczai.
O Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 surge seis anos após o início da crise sanitária que vitimou mais de 700 mil brasileiros, a maioria em 2021.
A data oficializa o compromisso do Estado com a memória, a ciência e a prevenção de novos ciclos de negacionismo.
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FAQ Rápido
Por que o dia escolhido é 12 de março?
Porque foi a data da morte da primeira vítima brasileira, a técnica de enfermagem Rosana Aparecido Urbano, em São Paulo, em 2020.
O que a cartilha lançada por Lula contém?
Compilação das principais declarações e ações da gestão anterior que, segundo o governo, contribuíram para a alta mortalidade, incluindo desinformação sobre vacinas e cloroquina.
Qual o impacto futuro dessa data?
Reforçar a defesa da ciência e do SUS como políticas de Estado, impedindo que o esquecimento apague lições essenciais para a proteção da vida e da democracia.
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