Brasília (DF)
21 de setembro de 2026
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou no domingo (20/set) a versão em português de um artigo publicado no Financial Times. O texto, intitulado “O multilateralismo não é idealismo, é uma necessidade”, é coassinado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e pelo presidente do Quênia, William Ruto.
A publicação ocorre na semana da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para a qual Lula viajou em agenda curta. O presidente desembarcou no domingo e deve discursar na abertura do Debate Geral na terça-feira (22/set).
O artigo não é um texto exclusivo de Lula. Os quatro líderes assinam juntos a apresentação da iniciativa Parceiros pelo Multilateralismo, P4M na sigla em inglês.
O QUE O ARTIGO PROPÕE
No jornal britânico, os signatários descrevem um paradoxo: a interdependência econômica e tecnológica cresce, enquanto a geopolítica se fragmenta. O texto cita comércio global recorde de US$ 35 trilhões no ano passado e 6 bilhões de pessoas conectadas à internet. Na direção contrária, registra 65 conflitos armados envolvendo Estados em 2025, o maior número desde 1946, e gastos militares globais de US$ 2,9 trilhões.
A P4M, segundo o artigo, não pretende criar um bloco exclusivo nem nova burocracia. O propósito declarado é oferecer estrutura flexível e aberta a países de diferentes regiões e tradições políticas, apoiar a reforma da ONU e de outras instituições e aproximar governos que discordam em vários temas, mas aceitam princípios da Carta da ONU.
Entre os princípios citados como inegociáveis estão igualdade soberana, integridade territorial, solução pacífica de controvérsias, proibição da ameaça ou do uso da força, direito internacional humanitário, desenvolvimento sustentável, direitos humanos e liberdades fundamentais.
O texto atribui ao secretário-geral da ONU, António Guterres, a frase de que “as superpotências estão descobrindo seus limites”. Os autores concluem que a escolha não é preservar intacta a ordem do pós-1945 ou abandoná-la, e sim renovar a cooperação ou aceitar fragmentação e política de poder.
CONTEXTO DA VIAGEM
Lula interrompeu a campanha eleitoral por cerca de 48 horas para a passagem por Nova York. A Exame informa que a agenda bilateral foi reduzida e que o discurso na ONU está marcado para a terça-feira, com retorno previsto no mesmo dia.
A análise aponta que o artigo funciona como peça diplomática na abertura da semana da Assembleia, ao colocar Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia no mesmo chamado por reforma institucional. O texto não menciona a eleição brasileira nem chefes de Estado específicos além dos signatários e de Guterres.
ÍNTEGRA DIVULGADA POR LULA
Segue a versão em português publicada pelo presidente na conta LulaOficial:
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