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    Lima Duarte é visto como “canalha racista” após dizer que recusou puteiro porque “só tinha preta” em fala perturbadora (vídeo) (vídeo)

    Tá nas redes – na sequência da fala do ator de 96 anos, atrizes usaram seu empoderamento negro para rebater declarações que causaram náuseas e vergonha alheia

    Lima Duarte aos 96 anos

    O ator Lima Duarte, 96, foi homenageado em uma cerimônia de premiação da APCA (Associação Paulista de Críticos da Arte), mas causou repulsa ao comentar episódio de sua vida em que rejeitou ir a um puteiro que “só tinha preta” / Imagens reprodução

    Brasília (DF) 06 de maio de 2026

    A noite de segunda-feira (4) no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, era para ser uma celebração da cultura nacional durante a cerimônia da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

    Porém, o que se viu foi um misto de constrangimento e revolta (assista no vídeo mais abaixo).

    O ator Lima Duarte, 96 anos, homenageado com um troféu especial por sua trajetória na televisão brasileira, protagonizou um dos momentos mais infelizes da história recente da premiação ao proferir uma fala racista enquanto agradecia.

    Ao tentar narrar um episódio de sua juventude, o ator expôs, sem qualquer filtro, um pensamento excludente que chocou plateia e artistas.

    Lima Duarte contou que, aos 15 anos, ao ser convidado por um amigo para ir a uma zona de prostituição no bairro do Bom Retiro, teria duas opções: a Rua Aimorés, mais cara, e a Rua Itaboca, mais barata.

    Ao optar pela mais barata, o amigo o alertou que no local só haveria mulheres negras.

    A resposta de Lima Duarte foi imediata e estarrecedora: “Não fui. Não fui porque só tinha preta. Moleque de rua, dormia embaixo de caminhão. Não fui porque só tinha preta… Que vida, hein, que coisas eu fui percebendo ao longo da vida. Então, nós fomos na Aimorés”.

    A declaração, além de racista, também carrega um forte teor misógino ao reduzir as mulheres a objetos de escolha baseados na cor da pele.

    O caso causou desconforto generalizado no evento. Contudo, o que poderia ter sido uma noite dominada pelo discurso de ódio transformou-se em um ato de resistência e empoderamento negro. Três artistas premiadas subiram ao palco e, sem citar diretamente o veterano, desferiram respostas contundentes que foram amplamente ovacionadas.

    Carmen Luz foi a primeira voz. Premiada pelo projeto “Minas de Ouro”, ela rebateu com veemência: “Esse trabalho é uma obra de vingar, mas também de vingança. É uma obra que invadiu a cidade de Campinas para reverenciar o samba. O samba das mulheres pretas, que não estão no mundo para serem recusadas.” 

    Em seguida, convocou a plateia: “Mulheres pretas, levantai-vos, levantai-vos, celebramos as nossas presenças”.

    Logo após, a atriz Shirley Cruz, vencedora na categoria de melhor atriz de cinema pelo filme “A Melhor Mãe do Mundo”, agradeceu a Carmen Luz“Sou uma mulher de pensamento próspero, de atitudes prósperas. Sou a prosperidade das minhas ancestrais. Prosperidade é um direito nosso. Vejam só, de rejeitados a premiados”.

    Completando o coro de resistência, a diretora Grace Passô, premiada por sua direção cênica na ópera “Porgy and Bess”, afirmou: “Essa artista lembrou que nós mulheres negras não nascemos para ser negadas”.

    A pronta reação dessas três mulheres não apenas salvou a noite do ponto de vista moral, como reorientou o debate público. A APCA, procurada pela imprensa até a noite de terça-feira (5/mai), não havia se manifestado oficialmente sobre o ocorrido até o fechamento desta edição.

    A tentativa de justificativa

    Na manhã de terça-feira (5), diante da repercussão avassaladora nas redes sociaisLima Duarte recorreu à assessoria para tentar conter os danos.

    Em nota enviada à imprensa, o ator afirmou que estava contando uma memória de infância, “de um Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua”.

    A nota ainda tenta moldar a fala como um protesto: “Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos”.

    A justificativa, no entanto, foi recebida com ceticismo por críticos e internautas, que apontam a fragilidade do argumento: narrar uma escolha pessoal baseada no racismo não equivale a protestar contra ele. Pelo contrário, a naturalidade com que o ator relatou a recusa expõe o racismo estrutural enraizado em sua própria memória.


    As reações de suas “colegas”:

    Nas redes sociais, o perfil Alargolo disse que “canalhas tb envelhecem! Esse sempre foi um racista, foi isso que ele confessou“.

    Mas sua reação foi rebatida por Priscila Maffia, que crititou o entendimento do “colega” de rede social:

    Interpretação tá em dia, hein? “Eu moleque, que dormia embaixo de caminhão, não fui, Não fui, pq só tinha preta. Que coisa, hein? Que coisas eu fui percebendo ao longo dessa vida.” Ele narrou um episódio q ocorreu há 80 anos e emendou uma autocrítica sobre sua conduta racista“, respondeu ela.

    Veja outras reações e opine também:



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