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“Liguei a seta pra encostar e foram metendo bala”, diz pai de jovem alvejada na nuca sobre ação da PRF neste Natal

    Mais um caso de despreparo de agentes de segurança pública que, desta vez, ocorre um dia após governo Lula oficializar protocolos proibindo uso de arma de fogo em situações sem risco para policiais

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    “Eu sinalizei a seta para dar passagem, aí em vez deles me cortarem, eles foram para trás de mim. Aí foi para trás de mim e eu fui e voltei, para outra beirada. Aí já começaram, não mandaram parar, não fizeram nada, já foram atirando direto, metendo bala. Aí eu falei isso aí, isso é tiro, aí eu falei para o meu filho deita no carro, abaixa, abaixa. Aí eu deitei assim dentro do carro, com a mão dirigindo, acertou o tiro no meu dedo aqui, mas infelizmente na minha filha o primeiro tiro pegou nela, pegou na nuca”, contou Alexandre Rangel, pai de Juliana, 26, foi atingida por um disparo e internada em estado gravíssimo.

    A PF (Polícia Federal) está investigando o caso em que, segundo o relato do chefe de família, agentes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) atingiram a cabeça de Juliana Rangel, que está internada em estado gravíssimo. A ocorrência se deu na véspera deste Natal, no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro. No carro estavam outras quatro pessoas e um cachorro de estimação. Alexandre foi atingido por um tiro de raspão na mão.

    “Ligaram a sirene, eu liguei a seta pra encostar, já foram metendo bala em cima do meu carro, acertou um tiro de fuzil na cabeça da minha filha, 26 anos, mal aberto, sem fazer nada”, explicou em entrevista à TV Globo, acrescentando que ainda foi falsamente acusado de atirar contra a PRF: “Eu falei para minhas filhas, abaixa, abaixa no fundo do carro, abaixa, abaixa. Aí eu abaixei, meu filho deitou no fundo do carro, mas infelizmente, o tiro pegou na minha filha. Já desceu do carro e falou, você atirou no meu carro por quê? Eu falei, nem arma eu tenho, como é que eu tirei em você?”, disse, conforme transcreveu a ‘CBN Rio’.


    Alexandre e Dayse Rangel, mãe da jovem, prestaram depoimento à Polícia Federal na delegacia de Nova Iguaçu. Os agentes da PRF, dois homens e uma mulher, também compareceram à unidade na manhã desta quarta-feira de Natal (25/12). Juliana Leite Rangel foi socorrida por agentes da Polícia Rodoviária Federal, e levada ao Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, onde passou por cirurgia. Seu estado de saúde é considerado gravíssimo. Após o depoimento, a mãe de Juliana falou com a imprensa:

    “A gente estava indo para a ceia de Natal, começou uns pipocos, eu até falei com o meu marido assim Ah, deve ser bombinha, né? Deve ser bombinha… Mas assim, até então a gente achando que era bombinha e continuou. Aí quando começou os pedaços de vidro caindo em cima da gente, foi que a gente começou a falar que era tiro no carro. Aí a gente pegou, se abaixou, mas a minha filha não deu tempo, ela se abaixou e tomou um tiro na cabeça. Quando ele conseguiu parar o carro, eu saí falando tem família aqui, tem família aqui. Aí ele [agente da PRF]falou assim Ah, vocês estavam atirando na gente. Que isso? A gente não anda armando, a gente não tem arma, como é que a gente ia atirar de frente pra trás?”, disse.

    Segundo relatos de testemunhas, os policiais teriam confundido o carro com o de criminosos. A corporação confirmou que fez o socorro da vítima e informou que uma perícia no local do disparo terminou na manhã desta quarta. O caso aconteceu um dia depois da oficialização de protocolos de uso da força estipulados por um decreto do Ministério da Justiça, determinando que o uso de armas de fogo seja feito apenas como último recurso, proibindo disparos contra pessoas desarmadas ou veículos que desrespeitem bloqueios, exceto quando houver risco à vida de terceiros ou dos próprios agentes (CLIQUE NA IMAGEM A SEGUIR).

    Além disso, a norma prevê capacitação anual para policiais e o monitoramento de ações por meio de um Comitê Nacional.

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