Brasília (DF)
22 de outubro de 2026
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (22/out) que a Meta apresente, em até 24 horas, relatório técnico detalhado sobre o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A decisão atende a pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) e ocorre a menos de 72 horas da votação do segundo turno, marcada para domingo (25/out).
O QUE O TSE PEDIU À META?
Segundo informações do Valor Econômico e do Estadão, o ministro ordenou que a empresa responsável pelo WhatsApp, Instagram e Facebook informe metodologia, critérios, resultados e limitações da análise do canal. O relatório deve avaliar a existência de padrões de atuação coordenada e explicar os parâmetros técnicos usados para diferenciar “mobilização legítima” de “comportamento coordenado potencialmente irregular”.
A campanha de Flávio Bolsonaro alegou que o canal, com milhões de seguidores, seria usado para orientar ações em outras plataformas, incluindo elevação de hashtags e buscas no Google. O TSE também estendeu solicitações de informação ao Google e ao X.
IMPORTANTE: A determinação atual não é uma suspensão imediata do canal. Trata-se de pedido de informações técnicas. Decisões anteriores de suspensão e restabelecimento do Exército do Lula já ocorreram ao longo das últimas semanas, com idas e vindas envolvendo o presidente do TSE e o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva.
ANTECEDENTES E O CONTEXTO DA RETA FINAL
O canal Exército do Lula cresceu rapidamente após o primeiro turno. Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou sua suspensão após representação da campanha de Flávio Bolsonaro. Horas depois, o corregedor Cueva reverteu a medida por entender insuficientes as provas para interrupção tão ampla. Novas determinações de suspensão de novas postagens e de seguidores ocorreram nos dias seguintes, até a liberação após regularização de registro.
Na quarta-feira (21/out), Nunes Marques afirmou à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que não haveria alteração de última hora nas regras para canais de WhatsApp. Circulava minuta, associada ao vice-presidente do TSE André Mendonça, que previa restrições a canais com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à votação. O presidente do tribunal descartou a medida.
ANÁLISE DA REVISTA FÓRUM
Em publicação no X desta quinta-feira, a Revista Fórum destacou comentário do correspondente Henrique Rodrigues. Segundo o veículo, o jornalista classificou o pedido de relatório em 24 horas como “teatro”, pois a decisão estaria previamente tomada, e apontou risco de interferência direta na eleição. Rodrigues também mencionou determinação para que a Meta retome políticas do primeiro turno, o que, na visão dele, ampliaria a exposição de conteúdos de nomes da extrema-direita enquanto o principal canal progressista enfrentaria restrições.
A análise aponta que o episódio se insere em sequência de decisões monocráticas sobre ferramentas digitais que já geraram questionamentos de isonomia entre as campanhas. Fontes como Brasil de Fato e Nexo Jornal registraram assimetrias anteriores no tratamento de canais de apoio a Lula e a Flávio Bolsonaro.
O QUE ACONTECE AGORA?
A Meta tem prazo de 24 horas para responder. Após o relatório, a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifesta. A votação ocorre no domingo. Qualquer decisão de suspensão ou manutenção do canal terá efeito imediato na capacidade de mobilização digital de uma das campanhas na reta final.
FAQ Rápido
O canal Exército do Lula foi suspenso nesta quinta-feira?
Não. A decisão de Kassio Nunes Marques é de pedido de relatório técnico em 24 horas, não de suspensão imediata.
Quem administra o canal?
O deputado federal André Janones (Rede-MG).
Por que a campanha de Flávio Bolsonaro pediu a medida?
Alegou uso do canal para coordenar ações em outras redes e descumprimento de acordo de cooperação com a Justiça Eleitoral.
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