Segundo Celso Rocha de Barros, ao julgar o ex-presidente por tentativa de golpe, o STF envia mensagem global contra autoritarismo
Brasília, 31 de agosto de 2025
O sociólogo Celso Rocha de Barros analisa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para iniciar em 2 de setembro, como um marco na luta global pela democracia.
Intitulado “Julgamento de Bolsonaro é recado para candidatos a ditador”, o texto destaca a relevância do processo contra Bolsonaro por sua suposta liderança em uma trama golpista após as eleições de 2022, enviando uma mensagem contundente a líderes autoritários mundo afora.
“A democracia precisa provar que demora mais para apertar o gatilho, mas mas tem mira melhor que a do fascismo”, escreve Rocha de Barros, em sua coluna na Folha de S. Paulo, enfatizando a precisão e a força das instituições democráticas brasileiras.
O julgamento de Bolsonaro refere-se às investigações da Operação Tempus Veritatis, que apura sua suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, após perder a reeleição para Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-presidente está em prisão domiciliar desde novembro de 2024, com medidas como monitoramento policial na área externa de sua residência, determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, para evitar risco de fuga.
“O Brasil lidou muito melhor com Bolsonaro do que os Estados Unidos com Trump”, observa Rocha de Barros, destacando a capacidade do Judiciário brasileiro de agir frente às ameaças à democracia, contrastando com os desafios enfrentados pelos EUA com republicano.
Rocha de Barros argumenta que o julgamento de Bolsonaro não é apenas uma questão interna, mas um sinal de maturidade democrática do Brasil, especialmente por sua memória recente de autoritarismo.
Ele aponta que os bolsonaristas, com sua idolatria a figuras como o torturador Brilhante Ustra e elogios a ditadores como Pinochet e Stroessner, tornaram as ameaças à democracia mais evidentes.
“Jair Bolsonaro foi um golpista mais ‘old school’ que Trump em seu primeiro mandato, o que o tornou mais reconhecível como ameaça à democracia”, escreve o colunista, sugerindo que a clareza das intenções autoritárias de Bolsonaro facilitou a resposta institucional.
O artigo também conecta o caso ao cenário internacional, notando que Trump, aliado de Bolsonaro, vê o julgamento como uma ameaça a seu próprio movimento autoritário, o que teria motivado sanções comerciais contra o Brasil e a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes.
“Se a Suprema Corte e o Congresso americanos tiverem 10% da coragem do STF brasileiro, Trump não vai conseguir implementar a ditadura que deseja nos Estados Unidos”, provoca Rocha de Barros, reforçando a relevância global do processo.
Para a previsível tensão em torno do julgamento, o STF implementou medidas de segurança em Brasília para o período, incluindo vigilância para evitar acampamentos golpistas, especialmente com a proximidade do feriado de 7 de setembro.
A PGR se posicionou contra a presença de policiais dentro da residência de Bolsonaro, indicando um debate sobre os limites das restrições impostas.
Além disso, aliados como Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, enfrentam dilemas políticos, com promessas de indulto a Bolsonaro caso eleito presidente em 2026.
Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, usa sua expertise para contextualizar o julgamento como parte de um esforço para consolidar a democracia brasileira, que, apesar de desenvolvida o suficiente para ter um Judiciário robusto, carrega a memória de 21 anos de ditadura militar (1964-1985).
Ele sugere que essa dualidade posiciona o Brasil como um protagonista na luta contra o autoritarismo global, especialmente em um momento em que Trump intensifica pressões econômicas contra o país.
O julgamento também reacende discussões sobre a solidez das instituições brasileiras. “O papel de adulto democrático do hemisfério migrou para o Sul”, afirma Rocha de Barros, destacando que o Brasil assumiu um papel de liderança na defesa da democracia, contrastando com a hesitação de outras nações.
As medidas de segurança e o monitoramento de Bolsonaro refletem a seriedade com que o STF encara o caso, paralelamente às críticas de aliados, como Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, que veem as ações como uma invasão de privacidade.
O julgamento de Bolsonaro não é apenas um acerto de contas com o passado, mas um precedente para o futuro.
“Os ministros que julgarão Jair devem ter consciência do que estão fazendo: além de punir quem ameaçou a democracia brasileira, darão um recado para candidatos a ditador mundo afora”, conclui Rocha de Barros.
A decisão do STF pode fortalecer a jurisprudência contra crimes antidemocráticos e desencorajar novas conspirações, mas também enfrenta resistências de aliados bolsonaristas, que planejam manifestações e articulam estratégias políticas para 2026.
Como apontou o colunista Celso Rocha de Barros em artigo na Folha de S.Paulo, o processo envia um “recado para candidatos a ditador”, reforçando que a democracia brasileira tem mecanismos para resistir a ameaças autoritárias.








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