Brasília (DF)
20 de outubro de 2026
O Jornal Nacional exibiu nesta segunda-feira (19/out) reportagem detalhando a investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz. A matéria do telejornal, amplamente compartilhada nas redes, reforça indícios de vínculo operacional entre os dois em uma conta bancária de empresa offshore e ocorre no mesmo momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formaliza ao Tribunal Superior Eleitoral a autorização para quebra de seu próprio sigilo e desafia o adversário a abrir as contas.
A revelação original dos e-mails partiu do UOL em 10 de outubro. Documentos obtidos pela PF no iCloud de Tomaz, no curso da Operação Sem Desconto (que investiga descontos indevidos em aposentadorias do INSS), mostram que uma secretária do advogado, Fayla Zulmira Menezes, solicitou em 22 de maio de 2025 ao Banco Santander a desvinculação da conta identificada como “Flávio Bolsonaro” do perfil de “usuário master” ligado a Tomaz. O banco confirmou a exclusão no mesmo dia. A empresa em questão é a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
O deputado federal Rick Azevedo compartilhou nas redes sociais o trecho do Jornal Nacional e escreveu: “Explodam: Jornal Nacional expondo que Flávio Bolsonaro e seu grande amigo Willer Tomaz são investigados pela PF por lavagem de dinheiro. Tá explicado porque ele não abre o sigilo bancário”.
O QUE A PF ENCONTROU NOS DOCUMENTOS?
Segundo os relatórios da corporação, o cadastro de Flávio como usuário master conferia "acesso operacional relevante" à conta e "sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa". A PF também localizou registros de festas, encontros e reuniões entre os dois, além de pagamentos de viagens internacionais de Flávio e familiares por empresas ligadas a Tomaz (Alcazar e Cathedral Holdings). Os dois já haviam feito um safári na África do Sul em março de 2025 e utilizado jatinho e apartamento do advogado em São Paulo.
Willer Tomaz é investigado por suspeita de lavagem de recursos desviados de aposentadorias e também aparece em apurações sobre o setor de apostas esportivas. Ele foi alvo de busca e apreensão em agosto. Flávio e o advogado negam qualquer relação de negócios. Em nota exibida pelo Jornal Nacional, a defesa de Flávio afirma que "o senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz e nenhuma de suas empresas" e classifica as informações como fake news. A defesa de Tomaz repudiou a divulgação seletiva durante a campanha eleitoral.
POR QUE O CASO CHEGOU AO STF?
Como Flávio tem foro privilegiado, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um novo inquérito para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo a relação com Tomaz. O caso foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes. É o segundo inquérito no STF do qual o candidato do PL é alvo. A investigação originou-se em apurações no Rio Grande do Sul sobre evasão de divisas e uso de plataformas de apostas, que levaram a indícios sobre a Rede Loto, casa de apostas autorizada no Rio de Janeiro.
IMPORTANTE: A investigação apura suspeitas. Não há condenação. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades e afirmam que a relação é exclusivamente de amizade. Os e-mails e registros bancários constituem indícios analisados pela PF, que ainda precisa de aprofundamento.
LULA ENTREGA AUTORIZAÇÃO AO TSE E DESAFIA FLÁVIO
No mesmo contexto, o presidente Lula anunciou que entrega nesta terça-feira ao presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, uma autorização formal para a quebra de seu sigilo bancário, telefônico e o de seus cinco filhos. O desafio foi feito no debate da Band no domingo (18) e reforçado em ato em Porto Alegre nesta segunda-feira (19/out). "Eu vou entregar isso amanhã, no Tribunal Eleitoral, na expectativa de que o candidato adversário apresente a abertura do seu sigilo, das suas empresas e da sua família", afirmou Lula, segundo a Agência Brasil.
A análise aponta que a coincidência temporal entre a reportagem do Jornal Nacional e a formalização da proposta de Lula amplia a pressão por transparência patrimonial na reta final da campanha. O senador Flávio Bolsonaro, até o momento, não aceitou formalmente o desafio de abrir as contas.
O QUE ACONTECE AGORA?
O inquérito no STF segue sob relatoria de Alexandre de Moraes. A PF continua analisando movimentações financeiras de Tomaz, que incluem volumes elevados em plataformas de apostas, e a origem dos recursos utilizados em viagens. A entrega da autorização de Lula ao TSE ocorre nesta terça. Novos desdobramentos dependem de decisões judiciais e de eventual resposta de Flávio ao desafio de transparência.
FAQ Rápido
O que significa "usuário master" na conta bancária?
É o perfil com maior nível de acesso e gerenciamento da conta. Segundo a PF, o cadastro de Flávio nessa condição na Alcazar Holdings indica acesso operacional relevante.
Flávio Bolsonaro já foi condenado neste caso?
Não. Trata-se de investigação em andamento no STF. O senador e o advogado negam qualquer irregularidade.
Por que Lula entrega a autorização ao TSE?
Para formalizar o desafio feito no debate e pressionar o adversário a abrir o próprio sigilo antes das eleições, segundo declarações do presidente.
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