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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    08 de outubro de 2026

    O deputado federal André Janones (Rede-MG) garantiu, em live no YouTube nesta quinta-feira (8/out), a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e designou sete tarefas aos inscritos do canal Exército de Lula. A transmissão importa porque o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL) é em 25 de outubro, e o parlamentar só promete soltar conteúdo de campanha quando o grupo bater 3 milhões de pessoas.

    Até o fechamento desta matéria o Canal Exército de Lula no WhatsApp (<< acesse e siga aqui) reunia em torno de 2,8 milhões de seguidores:

    Dois homens de mãos dadas usando camisetas com frases políticas, em um ambiente interno.
    Imagem reprodução

    Na live “EXÉRCITO DO LULA! LIVE COM JANONES!“. Janones disse que o canal tinha 53 mil pessoas na manhã de segunda-feira (5/out) e que já estava “com quase 3 milhões”. A garantia veio em repetição: “não tem como o Lula perder essa eleição”, desde que a base cumpra o que for enviado ao canal e que a meta final chegue a 5 milhões de “soldados”.

    POR QUE ELE DIZ QUE NÃO É OTIMISMO?

    Janones ancorou a frase numa previsão que atribui a si mesmo. Disse que, em julho, publicou no X: “na segunda semana de setembro Flávio Bolsonaro ultrapassará o Lula”. Afirmou ter acertado, ter sido criticado à esquerda e ter feito uma segunda previsão, ainda no ar segundo ele: uma onda na reta final, a partir do dia 28, com Flávio terminando o primeiro turno na frente. “Esse cara aqui não é otimista não.” O tuíte de julho não foi localizado nesta apuração. A fala fica como declaração da live, não como post verificado.

    O primeiro turno, em 4 de outubro, terminou com Flávio à frente: 47,03% contra 45,16% de Lula, diferença de cerca de 2,2 milhões de votos, segundo o TSE citado pelo G1. A ordem dos candidatos confirma a previsão de quem terminaria na frente. Não confirma, por si, o tuíte nem a data em que teria sido publicado.

    O QUE O DATAFOLHA MOSTROU — E O QUE ELE FEZ COM O NÚMERO

    Janones tratou o Datafolha desta quinta-feira (8/out) como “notícia extremamente positiva”. Disse que a campanha de Flávio esperava 54% a 46% e que a pesquisa trouxe “empate 52 a 48”, “no limite da margem de erro”. Admitiu que o adversário segue à frente por dois, três ou quatro pontos.

    O G1 e o Valor registram o levantamento encomendado pela Globo e pela Folha: 2.520 entrevistas entre terça-feira (6/out) e quarta-feira (7/out), margem de dois pontos. No total, Flávio tem 49% e Lula, 45%. Nos votos válidos, 52% a 48%. O campo começou cerca de 48 horas depois do fechamento das urnas, como ele disse.

    IMPORTANTE: Empate técnico, no limite da margem, não é eleição empatada nem virada consumada. O critério da Justiça Eleitoral é o voto válido. Nesse recorte, Flávio segue numericamente à frente. A leitura de Janones é de campanha, não resultado do instituto.

    Na live, ele afirmou que, “nesse mesmo momento” de 2014, Dilma Rousseff tinha 46 pontos e Aécio Neves, 54, e que o PT virou oito pontos. O primeiro Datafolha daquele segundo turno, de 9 de outubro de 2014, registrado pela Agência Brasil, mostra outro placar: Aécio com 46% e Dilma com 44% no total; nos votos válidos, 51% a 49%. Dilma venceu o turno. O 54 a 46 citado na live não corresponde a esse levantamento.

    Janones também apresentou um recorte do Datafolha de hoje: 46% de quem votou na terceira via iriam a Flávio e 32%, a Lula. Esse corte não aparece na síntese publicada pelo G1 e pelo Valor. Fica como número dito na live.

    AS SETE TAREFAS DOS “SOLDADOS”

    Janones pediu que a ordem seja cumprida antes de assistir ao vídeo, para o que descreveu como leitura inicial do algoritmo. As tarefas, na sequência que ele fechou:

    1. Curtir.
    2. Comentar, com frase do tipo “Lula reeleito”.
    3. Compartilhar — o passo que, segundo ele, perde efeito se feito horas depois.
    4. Clicar no aviãozinho e publicar nos stories.
    5. Clicar de novo e enviar a todos os directs.
    6. Copiar o link e mandar a contatos e grupos de WhatsApp. “O segredo é o WhatsApp, fura bolha.”
    7. Assistir ao vídeo até o fim, mesmo no mudo.

    Além dos botões, fixou regras de conteúdo. Uma pauta por dia: nesta quinta, o fim da escala 6 por 1, ainda que Lula tivesse anunciado outro programa. Linguagem popular: Bolsa Família, preço e fim da 6 por 1, não soberania nem terras raras. Comando único até o dia 25: “todo mundo fala a mesma coisa”. Não responder a conteúdo adversário, para não ampliar o alcance. Não tentar convencer eleitor já fechado com Flávio pelo ataque. O alvo, disse, são indecisos e eleitores de Ciro Gomes.

    Sobre Ciro, a frase foi “acabou de apoiar, muda nada”. Janones o tratou, junto com Renan e Caiado, como liderança não consolidada. O O Povo informou nesta quinta-feira (8/out) que o PSDB liberou filiados para apoiar Lula ou Flávio. Reportagens do dia dão conta de articulação do PL pelo apoio de Ciro a Flávio, sem confirmação pública fechada nas fontes consultadas.

    Citou ainda cerca de 25% dos eleitores de Flávio propensos a mudar de voto e mais de 30 milhões de ausentes, sobretudo de baixa renda. Pediu convencimento para ir à urna, e fez a ressalva de que “levar” pessoa fisicamente é crime eleitoral. Os percentuais e o contingente de ausentes não foram conferidos fora da live.

    A TRAVA DOS 3 MILHÕES

    A pressão para começar antes, disse Janones, veio de aliados, deputados e pessoas da campanha de Lula. Ele afirmou não atender telefone. A escolha apresentada foi entrar em campo com 50 mil ou esperar 3 milhões. “Enquanto não tiver 3 milhões de pessoas eu não vou postar nenhum conteúdo de campanha.” A mobilização, acrescentou, só para aos 5 milhões. Disse dormir quatro horas por noite e suspeitar de início de infecção de garganta.

    IMPORTANTE: “Quase 3 milhões” é fala da live. Até a quarta-feira (7/out), a Folhapress e o Metrópoles registravam a passagem de 2 milhões. O O Globo havia descrito o salto de cerca de 50 mil para mais de 1 milhão. O contador do WhatsApp no horário da live não foi auditado nesta apuração.

    O canal foi criado em abril, segundo a Folhapress, e servia a troca de ideias até o primeiro turno. Janones o transformou em central de missões. Na terça-feira (6/out), escreveu no X que havia cerca de 1 milhão de denúncias em 24 horas e que o canal ainda não publicava notícia.


    Em vídeo, Lula pediu ingresso e falou em “5, 10 milhões de pessoas”.

    Na live, Janones acrescentou que o presidente prometeu comprar um celular e entrar no canal se a marca de 5 milhões for atingida. A promessa do aparelho permanece como fala do deputado.

    O QUE ELE PEDE ALÉM DOS BOTÕES

    Janones quer uma comunidade, não uma página só. Citou Seja Subversivo, Brasil Fora da Caverna, Esquerda Sexo Oficial, Jovens pela Democracia, Esquerda Verde, Eu Tô com Lula e o perfil @bmoreiraf. A tese: 50 páginas com 1 milhão de visualizações cada pesam mais, no orgânico, do que um vídeo com 50 milhões numa conta única. Disse que, depois de uma eventual vitória, o canal passaria a se chamar Exército da Esquerda.

    Repetiu o diagnóstico de que o primeiro turno se perdeu na rede, não na rua nem na comparação de candidatos. “É aqui na rede social que a eleição vai ser definida.” É tese de campanha. O que a imprensa documentou, na Brasil de Fato, é a tentativa de coordenar militância, fandoms e páginas num canal de transmissão unidirecional.

    Fechou com a eleição do DCE em 2007, perdida por um voto depois de ter dispensado dois. A história é relato pessoal da live, sem registro externo nesta apuração. O uso político é direto: quem achar a eleição ganha não trabalha; quem achar perdida também não. “Vai ser voto a voto.”



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