Libanês tenta salvar seus pertences dos escombros em Beirute |28.4.2026| Foto: Marwan Naamani/Deutsche Presse-Agentur
Teerã (IR) · 10 de abril de 2026
Irã diz que cessar-fogo com EUA perde sentido enquanto Israel bombardeia Líbano.
O presidente Massoud Pezeshkian declarou na quinta-feira (9/abr) que os contínuos ataques israelenses ao Líbano tornam inúteis as negociações de paz com os Estados Unidos, ao condicionar um acordo duradouro ao fim da guerra contra o país vizinho.
“O cessar-fogo no Líbano é condição essencial”, reforçou o mandatário iraniano, que garantiu não abandonar o povo libanês.
A posição iraniana ganhou força após os bombardeios israelenses de quarta-feira (8/abr), descritos pelas Forças de Defesa de Israel como a maior onda de ataques da guerra contra o Hezbollah.
Mais de 250 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas, segundo autoridades libanesas, com danos significativos à infraestrutura civil em Beirute, no sul do Líbano, no Vale do Bekaa e no Monte Líbano.
Fontes israelenses confirmaram a morte de Ali Youssuf Harshi, secretário particular e sobrinho do secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassim.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghtchi, denunciou violações do cessar-fogo em contato com o Paquistão, mediador das conversas.
O Brigadeiro-General Esmail Ghaani, da Força Quds da Guarda Revolucionária, e o Brigadeiro-General Majid Mousavi, das Forças Aéreas, advertiram que ataques ao Hezbollah equivalem a agressão direta ao Irã.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, escreveu na plataforma X que, enquanto os EUA violarem compromissos, não haverá negociações.
Israel e os Estados Unidos, por sua vez, sustentam que o acordo de trégua entre Washington e Teerã não abrange o Líbano.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reiterou a intenção de prosseguir com as operações contra o Hezbollah “onde for necessário”.
O Hezbollah acusou o exército israelense de mirar deliberadamente mercados e empresas civis e respondeu com contra-ataques, embora afirme ter respeitado o cessar-fogo até a violação israelense.
As ações israelenses provocaram forte reação internacional.
O ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei, acusou Tel Aviv de tentar “eliminar qualquer chance de paz” entre Washington e Teerã e de impedir reconciliação com países árabes do Golfo.
A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos classificou os ataques como “terríveis” e exigiu investigação independente.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou veementemente as operações.
A Alta Representante da União Europeia, Kaja Kallas, e o presidente francês, Emmanuel Macron, pressionam pela extensão da trégua ao Líbano, com apoio de China, Reino Unido e Espanha.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que tropas americanas permanecerão na região até a conclusão de um acordo de paz com o Irã.
Em publicação nas redes sociais, ele ameaçou “perseguição mortal e a destruição” caso as negociações fracassem, acrescentando que “os tiros começarão, maiores, melhores e mais fortes do que nunca”.
Fontes confiáveis indicam que o Hezbollah manteve contra-ataques limitados e que diplomatas paquistaneses buscam mediação para evitar colapso total da trégua.

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