Brasília (DF)
23 de outubro de 2026
Nesta sexta-feira (23/out), o O Globo noticiou que Google e X informaram ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, não terem identificado irregularidades na atuação coordenada de integrantes do canal de WhatsApp Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A resposta chega a dois dias do segundo turno das Eleições 2026 e reforça o caráter predominantemente orgânico da mobilização de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva.
O QUE AS PLATAFORMAS RESPONDERAM A NUNES MARQUES?
Na quinta-feira (22/out), Nunes Marques determinou que Meta, Google e X apresentassem, em 24 horas, relatórios técnicos sobre possível amplificação artificial de conteúdos, hashtags e buscas relacionadas ao canal. A medida atendeu a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que alegou orientação de integrantes para elevar hashtags e pesquisar termos específicos.
Segundo reportagens da CNN Brasil e do próprio O Globo, o X identificou atuação coordenada em 58 hashtags, com cerca de 8,2 milhões de publicações originadas de aproximadamente 476 mil contas. A plataforma afirmou que a mobilização foi realizada “predominantemente por contas autênticas de usuários brasileiros”, o que não viola suas políticas de autenticidade nem a legislação eleitoral. Cerca de 97% das contas não apresentaram sinais de automação ou redes de perfis falsos; a empresa suspendeu cerca de 12,4 mil contas e exigiu reverificação de outras 398.
O Google, por sua vez, comunicou que verificações internas não detectaram tráfego automatizado, ataques por scripts ou infraestrutura de bots. A empresa ressaltou que variações acentuadas de interesse de pesquisa são fenômenos corriqueiros diante de acontecimentos noticiosos de grande repercussão e não indicam, isoladamente, manipulação ilícita. Relatos posteriores indicam que a Meta também não encontrou irregularidades no canal.
COMO JANONES REAGIU À NOTÍCIA?
Em post no X, citando a matéria do O Globo, André Janones escreveu: “Entendam de uma vez por todas: NÃO TEM FAKE NEWS, NÃO TEM NADA IRREGULAR, O QUE TEM É SOMENTE O BARULHO ENSURDECEDOR DE UM POVO UNIDO FAZENDO UMA REVOLUÇÃO!”
Entendam de uma vez por todas: NÃO TEM FAKE NEWS, NÃO TEM NADA IRREGULAR,L, O QUE TEM É SOMENTE O BARULHO ENSURDECEDOR DE UM POVO UNIDO FAZENDO UMA REVOLUÇÃO!
— André Janones (@AndreJanonesMG) October 23, 2026
A declaração sintetiza a visão do deputado de que o crescimento do canal — que ultrapassou 8,8 milhões de seguidores — reflete engajamento real de apoiadores, e não operação artificial.
IMPORTANTE: As respostas das plataformas não encerram o procedimento no TSE. Elas fornecem dados técnicos que o ministro e a Procuradoria-Geral Eleitoral poderão analisar. A resolução do TSE de 18 de outubro admite mobilização nas redes, inclusive compartilhamento simultâneo e uso de hashtags, desde que não tenham fins ilícitos. O canal já havia sido suspenso e restabelecido em meados de outubro após registro e adequações.
ANTECEDENTES E CONTEXTO DA RETA FINAL
O Exército do Lula surgiu como ferramenta de mobilização digital coordenada por Janones após o primeiro turno. A campanha de Flávio Bolsonaro questionou o canal em múltiplas frentes no TSE, alegando disseminação de desinformação e amplificação artificial. Decisões anteriores do presidente da Corte levaram a suspensões temporárias, posteriormente ajustadas por outros ministros ou após cumprimento de exigências de registro.
A análise aponta que a confirmação de predominância de contas autênticas pelas próprias plataformas reduz o peso das alegações de “robôs” ou operação inautêntica no debate público dos últimos dias. Em um cenário de segundo turno apertado, a capacidade de mobilizar milhões de pessoas em canais de mensagem e redes sociais se tornou elemento central da disputa, com impacto direto na capacidade de conversão de indecisos e ausentes.
O QUE ACONTECE AGORA?
O material enviado pelas empresas será examinado pela Procuradoria-Geral Eleitoral. Até o momento, as manifestações públicas das plataformas indicam ausência de irregularidades graves que justifiquem medidas extremas contra o canal. Janones e a campanha de Lula seguem orientando a base para ampliar o alcance, com o presidente gravando mensagens de convocação.
A questão que permanece aberta é o alcance final da análise do TSE e se haverá novos desdobramentos processuais antes da votação de domingo (25/out).
FAQ Rápido
As plataformas confirmaram que o Exército do Lula usa robôs?
Não. Google não detectou tráfego automatizado, e o X afirmou que a grande maioria das contas é autêntica de usuários brasileiros.
O canal pode ser suspenso novamente?
Depende da análise final do TSE. Até agora, as respostas das plataformas não apontam irregularidades que sustentem suspensão imediata.
Quantos seguidores o canal tem?
Reportagens de sexta-feira (23/out) citam cerca de 8,8 milhões de inscritos.
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