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RESUMO
URBS MAGNA


Brasília (DF)
15 de setembro de 2026

A oposição no Senado voltou a pedir, na segunda-feira (14/set), mudança no regimento para que pedidos de impeachment de ministros do STF avancem com 49 assinaturas, sem depender de Davi Alcolumbre. O anúncio reabriu nas redes a tese de que o alvo real não é o equilíbrio entre Poderes, e sim o ministro Alexandre de Moraes, enquanto Flávio Bolsonaro e André Mendonça permaneceriam à sombra.

O que aconteceu?

Senadores liderados por Rogério Marinho (PL-RN) defenderam que o presidente da Casa deixe de ser o filtro exclusivo dos processos contra a Corte. Segundo a CNN Brasil, só Alexandre de Moraes concentra 55 pedidos; o total na Casa chega a 109 contra ministros do STF. A condenação, se um processo fosse aberto, exigiria 54 votos.

O perfil @BellatrixMarla resumiu a cena com a frase que circulou na sequência: “O golpe não dorme. Por um lado, STF, por outro, Senado. Enquanto isso, a imprensa blinda Flávio e André Mendonça.”

Contas alinhadas à defesa do governo Lula trataram como capítulo de um roteiro já conhecido: pressionar o STF no calendário eleitoral, ampliar o custo político de Moraes e preservar o candidato do PL.

O perfil @lazarorosa25 escreveu, em 1º de setembro, que André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, “atua em duas frentes: paralisa apurações contra Flávio Bolsonaro enquanto alimenta narrativas públicas contra (…) Alexandre de Moraes com vazamentos seletivos”. A formulação foi retomada por outros usuários ao longo de setembro.

Chamam de “golpe” qualquer tentativa de fiscalizar a Corte. Mas dezenas de pedidos contra Moraes permanecem sem admissibilidade, enquanto o inquérito que inclui Flávio Bolsonaro no financiamento do filme Dark Horse autorizado pelo próprio Mendonça em julho segue sob sigilo.

A inclusão de Flávio Bolsonaro como investigado no caso Dark Horse é fato processual e carece de conclusão criminal.

André Mendonça, no TSE, determinou a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro a milícia, crime organizado ou à morte de Marielle Franco sem, segundo o ministro, lastro mínimo demonstrado. A Veja registrou que a mesma relatoria também barrou conteúdo do PL que ligava Lula ao PCC. Neste mês de setembro, o ministro mandou o X remover posts que incitavam a morte do senador.

No STF, o mesmo magistrado autorizou inquérito para apurar, em tese, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento de Dark Horse, com cerca de R$ 61 milhões apontados pela PF em repasses ligados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O g1 informou que a PGR viu “indícios consistentes”. Flávio Bolsonaro nega irregularidade e pediu o fim do sigilo, segundo a Bloomberg Línea.

O caso da “rachadinha” na Alerj, denunciado em 2020 pelo Ministério Público do Rio, voltou à campanha. O Valor relembrou a denúncia por organização criminosa, peculato e lavagem e o fato de o STJ ter anulado a quebra de sigilo do então deputado em 2021. As redes usam esse histórico para dizer que “as notícias não evoluem”. O registro jornalístico é outro: os casos existem, tramitam em ritmos diferentes e ainda não produziram sentença definitiva contra o presidenciável.

Perfis que ecoaram a frase de @BellatrixMarla sustentam que Luiz Inácio Lula da Silva seria o presidente que mais entregou resultado social e que, por isso, a ofensiva institucional seria tentativa de inverter o quadro nas urnas. Os dados disponíveis documentam marcas do terceiro mandato.

Folha de S.Paulo mostrou que o IPCA acumulado de janeiro de 2023 a agosto de 2026 ficou em 17,9%, a menor alta de um mandato até a véspera eleitoral desde o Plano Real. O desemprego recuou a mínimas da série do IBGE ao longo de 2024-2026. O governo atribui a milhões de pessoas a saída da linha de pobreza à reformulação do Bolsa Família.

O mercado de trabalho está aquecido e a inflação relativamente contida, graças a Lula, mas Flávio Bolsonaro acumula investigações sem o mesmo volume de cobertura contínua que cerca Moraes, o que provoca uma pergunta legítima de assimetria de atenção.

Davi Alcolumbre classificou os 109 pedidos como “não normal”, segundo o g1, e evitou comentar o mérito das mensagens entre Moraes e Vorcaro. Reportagens do g1 e do O Globo descreveram a tese do “impeachment cruzado”: se avançar Moraes, avançaria também Mendonça. Líderes avaliavam, no início de setembro, que Alcolumbre pretenderia segurar qualquer desfecho até depois da eleição de 4 de outubro.

No STF, Edson Fachin manteve para terça-feira (15/set) o exame das mensagens que envolvem Moraes e marcou para 23 de setembro a análise da conduta de Mendonça, conforme a Reuters. A crise interna da Corte — vazamento seletivo, afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e pedidos recíprocos de investigação — alimenta a frase das redes sobre um golpe que “não dorme”.

Melhor Moraes com a democracia do que Mendonça com Flávio. A formulação aparece em comentários de perfis que defendem a linha de Moraes no inquérito do 8 de Janeiro e na contenção de milícias digitais. Mendonça, único ministro evangélico da Corte, indicado por Bolsonaro, tornou-se relator do caso Master e peça central da disputa eleitoral, como descreveu a Reuters.

A democracia brasileira não se resume a um ministro. Depende de Congresso que não se omita, de Corte que não se frature em campanha e de imprensa que cubra com o mesmo rigor o inquérito de Flávio Bolsonaro, as mensagens de Moraes e as decisões de Mendonça. Quando só um desses eixos vira manchete contínua, a leitura das redes encontra terreno.

O paralelo com 2016 e 2022 é invocado o tempo todo. Cada ciclo teve fatos próprios. O de 2026 tem data marcada, pesquisa apertada e um banco quebrado no centro do tabuleiro. É isso que torna a frase de @BellatrixMarla eficaz: ela nomeia um medo, não substitui o processo.


O que acontece agora?

Nesta terça-feira (15/set), o plenário do STF examina o material sobre Moraes. Em 23 de setembro, cabe a vez de Mendonça. No Senado, a mudança de regimento anunciada na segunda-feira (14/set) não tem prazo de votação neste ano. A campanha segue. As apurações do Dark Horse e da “rachadinha” também.

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1 comentário em “‘O golpe não dorme. Por um lado, STF, por outro, Senado. Enquanto isso, a imprensa blinda Flávio e André Mendonça’”

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