Brasília (DF)
06 de outubro de 2026
Flávio Bolsonaro (PL) encerrou o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 com 47,03% dos votos válidos, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45,16%. A distância de 1,87 ponto percentual, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 100% das seções totalizadas, é a menor entre os dois primeiros colocados desde 1989. O dado alimenta um card que circula nas redes e trata essa margem como a primeira, na série, estreita o bastante para tornar viável uma virada no segundo turno de 25 de outubro.
A apuração, encerrada na madrugada de segunda-feira (5/out), deu a Flávio Bolsonaro 56.104.503 votos e a Lula 53.879.538. A diferença absoluta foi de 2.224.965 votos. Nenhum dos dois chegou à maioria absoluta dos votos válidos, de 119.300.788. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, conforme o calendário eleitoral.
O QUE O CARD DAS REDES AFIRMA?
A imagem em circulação lista a vantagem do primeiro sobre o segundo colocado no primeiro turno presidencial: 13,3 ponto em 1989; 27,8 em 1994; 21,4 em 1998; 23,2 em 2002; 7,0 em 2006; 14,3 em 2010; 8,0 em 2014; 16,8 em 2018; 5,2 em 2022; e 1,87 em 2026. O texto que acompanha o card diz que “não se deixem levar pelo papo que nunca houve uma virada” e atribui a ausência de reversão ao fato de a diferença “sempre foi maior que 5p.%”. Sustenta que, com 1,87 ponto, “é possível sim a virada”, e pede foco nas abstenções e nos eleitores de Renan Santos, descritos no post como eleitores de “rejeição altíssima contra a família Bolsonaro”.
O card é peça de campanha, não boletim do TSE. A série que ele apresenta está, em linhas gerais, alinhada aos percentuais oficiais, com um desvio relevante em 1994.
OS NÚMEROS OFICIAIS BATEM COM O CARD?
Segundo a consolidação de resultados do TSE reproduzida por G1, Terra e GaúchaZH, a margem de 2026 é de 1,87 ponto. O recorde anterior de proximidade no primeiro turno era o de 2022: Lula teve 48,43% e Jair Bolsonaro, 43,20%, distância de 5,23 pontos, de acordo com a série compilada a partir dos boletins eleitorais.
A conferência da série, com percentuais de votos válidos, fica assim:
- 1989: Fernando Collor, 30,47%; Lula, 17,18%; margem de 13,29 ponto. O card arredonda para 13,3.
- 1994: Fernando Henrique Cardoso, 54,24%; Lula, 27,07%; margem de 27,17 pontos, segundo o Valor Econômico. O card registra 27,8, cerca de 0,6 ponto acima do cálculo oficial.
- 1998: Fernando Henrique, 53,06%; Lula, 31,71%; margem de 21,35 ponto. O card arredonda para 21,4.
- 2002: Lula, 46,44%; José Serra, 23,20%; margem de 23,24 pontos. O card registra 23,2.
- 2006: Lula, 48,61%; Geraldo Alckmin, 41,64%; margem de 6,97 pontos. O card arredonda para 7,0.
- 2010: Dilma Rousseff, 46,91%; José Serra, 32,61%; margem de 14,30 pontos. O card registra 14,3.
- 2014: Dilma Rousseff, 41,59%; Aécio Neves, 33,55%; margem de 8,04 pontos. O card arredonda para 8,0.
- 2018: Jair Bolsonaro, 46,03%; Fernando Haddad, 29,28%; margem de 16,75 pontos. O card registra 16,8.
- 2022: Lula, 48,43%; Jair Bolsonaro, 43,20%; margem de 5,23 pontos. O card registra 5,2.
- 2026: Flávio Bolsonaro, 47,03%; Lula, 45,16%; margem de 1,87 ponto.
IMPORTANTE: A margem de 1,87 ponto descreve só a distância entre os dois primeiros no primeiro turno. Ela não é previsão de segundo turno, não altera a regra da maioria dos votos válidos e não significa que o TSE tenha reconhecido qualquer “possibilidade oficial de virada”. Em 1994 e 1998 não houve segundo turno: Fernando Henrique Cardoso passou de 50% dos votos válidos já na primeira votação. O 27,8 do card, portanto, não é margem de uma final, e está acima do 27,17 calculado com os percentuais oficiais.
NUNCA HOUVE VIRADA. ISSO MUDA COM 1,87 PONTO?
Não muda o histórico. Desde 1989, em todas as eleições presidenciais que foram ao segundo turno, o líder do primeiro turno venceu a decisão. O Estadão registrou essa sequência em 2022, quando já eram seis finais sem reversão. A DW descreveu o mesmo padrão até 2018. Reportagem da Agência Estado publicada pelo UOL em segunda-feira (5/out) atualiza o quadro: se Lula vencer em 25 de outubro, será a primeira vez, desde a redemocratização, que o segundo colocado no primeiro turno vira a disputa presidencial.
O card inverte o peso desse dado. O fato é que não houve virada. A explicação de que isso ocorreu apenas porque a vantagem sempre superou 5 pontos é interpretação da postagem, não conclusão do TSE. Em 1989, Lula cresceu cerca de 30 pontos entre os turnos e ainda perdeu para Collor. Em 2014, Dilma Rousseff chegou ao segundo turno com 8 pontos de vantagem sobre Aécio Neves e venceu a final por 3,28 pontos. Em 2022, a vantagem de 5,23 pontos de Lula sobre Jair Bolsonaro encolheu para 1,80 ponto na decisão, sem troca de posição. Margem curta reduz o caminho a percorrer; não cria precedente.
ONDE ESTÁ O ESTOQUE DE VOTOS CITADO NO CARD?
O terceiro colocado, Augusto Cury (Avante), teve 3.448.569 votos, ou 2,89%. Renan Santos (Missão) ficou em quarto, com 2.675.887 votos, ou 2,24%. Ronaldo Caiado (PSD) somou 2.605.148 votos (2,18%). Romeu Zema (Novo) teve 0,27%. A soma dos demais candidatos fica perto de 7,8% dos votos válidos, volume inferior à distância que separou Lula de Flávio em votos absolutos apenas se for tomada isoladamente a votação de Renan Santos: os 2,67 milhões do candidato do Missão superam, sozinhos, os 2,22 milhões que separam os dois primeiros.
A abstenção foi de 33.469.244 eleitores, 21,08% do eleitorado apto de 158.745.502, o maior índice de não comparecimento em eleição presidencial desde 1998, segundo a Terra, com dados do TSE. Brancos somaram 2.300.798 (1,84%) e nulos, 3.674.249 (2,93%).
A análise aponta que o card mistura um fato verificável — a menor margem da série — com uma orientação de campanha. A rejeição dos eleitores de Renan Santos à família Bolsonaro não está medida nos boletins do TSE. Transferência de voto, abstenção e voto em branco no segundo turno só serão conhecidos em 25 de outubro. Até lá, o estoque existe como hipótese eleitoral, não como voto já contado.
O QUE ACONTECE AGORA?
Os dois classificados têm três semanas de campanha. A regra não muda: vence quem obtiver a maioria dos votos válidos no segundo turno. Pesquisas da véspera, como Quaest, Datafolha e AtlasIntel, não apontavam Flávio à frente no primeiro turno; o resultado das urnas inverteu esse quadro e, segundo a Reuters, alterou o prognóstico com que parte dos analistas chegou a domingo (4/out).
Para o eleitor, o efeito prático da margem de 1,87 ponto é outro: cada transferência da chamada terceira via e cada variação da abstenção pesa mais do que pesou em 1994, quando a vantagem de Fernando Henrique ultrapassava 27 pontos, ou em 2002, quando Lula abriu 23 pontos sobre Serra já na primeira votação. A Justiça Eleitoral segue como a fonte da contagem. O card pode organizar o argumento de um lado da disputa. Não substitui a urna.
FAQ Rápido
A diferença de 1,87 ponto é oficial?
Sim. Com 100% das seções totalizadas, o TSE registrou 47,03% para Flávio Bolsonaro e 45,16% para Lula, margem de 1,87 ponto percentual e de 2.224.965 votos.
Já houve virada em segundo turno presidencial no Brasil?
Não, desde 1989. Em todas as finais presidenciais, o líder do primeiro turno venceu o segundo. Uma vitória de Lula em 25 de outubro seria a primeira reversão dessa série.
O card está certo ao dizer que a margem sempre ficou acima de 5 pontos?
Está certo para as eleições que foram ao segundo turno: a menor vantagem anterior no primeiro turno foi a de 5,23 pontos, em 2022. Não vale para 1994 e 1998, decididas no primeiro turno, nem autoriza tratar 1,87 ponto como garantia de virada.
Atualização: a totalização de 100% das seções, concluída na madrugada de segunda-feira (5/out), é o último dado confirmado por veículos que reproduzem o TSE. Novas informações poderão ser acrescentadas se a proclamação oficial ou a campanha do segundo turno alterarem o quadro já apurado.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
