
📷 Imagem da matéria do Intercept Brasil, que apresenta recibos da transferência de Vorcaro para fundo ligado a Eduardo Bolsonaro / @TheInterceptBr/X
| Brasília (DF)
09 de junho de 2026
Documentos obtidos com exclusividade pelo The Intercept Brasil e divulgados nesta terça-feira (09/jun) comprovam o trajeto financeiro das transferências negociadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para viabilizar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A publicação dos recibos e comprovantes desmonta a narrativa de que não existiriam provas concretas das transações, revelando que pelo menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) foram efetivamente repassados entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo nos Estados Unidos ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
O caso expõe a necessidade de maior transparência em financiamentos privados que envolvem figuras públicas, especialmente quando o doador enfrenta investigações graves.
O episódio reforça a importância da justiça e do escrutínio democrático sobre relações que podem comprometer a integridade do debate público.
As mensagens e áudios obtidos pela reportagem mostram Flávio Bolsonaro cobrando diretamente Vorcaro pelo cumprimento do cronograma.
Em um dos áudios, o senador alerta para o risco de “dar calote” em nomes como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, afirmando que o projeto chegara “no limite”.
Outra mensagem define o aporte como essencial: “Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Em 20 de janeiro de 2025, após pressão via intermediário Thiago Miranda, Vorcaro elevou o filme à prioridade máxima.
Mensagens internas do banqueiro com seu operador de confiança, Fabiano Zettel, registram a ordem clara: “Esse e o mais importante disparado. Não pode falhar mais”.
Na ocasião, o Banco Master já acumulava pendências de R$ 55,5 milhões e enfrentava cobranças intensas do Banco Central por problemas de liquidez.
Os recursos seguiram para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, incluindo o advogado Paulo Calixto.
O cronograma previa inicialmente dez parcelas de US$ 2,5 milhões, ajustado depois para 14 parcelas que somavam US$ 23,9 milhões.
Flávio Bolsonaro admitiu as tratativas, mas sustenta que se tratava de patrocínio privado legítimo, sem uso de recursos públicos ou contrapartidas políticas.
Ele afirmou ter se reunido com Vorcaro — então com tornozeleira eletrônica — para “colocar ponto final na questão”.
A Polícia Federal investiga se parte dos valores custeou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A produtora brasileira do longa, Go Up Entertainment, comandada por Karina Ferreira da Gama, nega irregularidades e confirma o aporte privado.
O filme, com estreia prevista para 11 de setembro de 2026, já teve filmagens iniciadas em outubro de 2025. O bolsonarismo reagiu às primeiras revelações, em 13 de maio, questionando a “materialidade” das provas.
Os novos documentos, no entanto, reconstroem o caminho completo do dinheiro e colocam em xeque essa defesa.
O caso ilustra como a falta de regulação rigorosa sobre doações privadas pode abrir brechas que ameaçam a democracia e a confiança nas instituições.
A investigação do The Intercept Brasil integra a série Vaza Flávio e conecta o financiamento ao contexto mais amplo de investigações sobre o Banco Master, liquidado em novembro de 2025 após rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos.
Nesta terça-feira (09/jun), o The Intercept Brasil reforçou a série com novos documentos que detalham o percurso do dinheiro.
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FAQ Rápido
1. Quanto dinheiro foi efetivamente repassado?
Pelo menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) em seis operações, conforme documentos e recibos publicados pelo The Intercept Brasil.
2. Flávio Bolsonaro nega irregularidades?
Sim. O senador confirma as conversas, mas afirma que buscava apenas patrocínio privado para produção cinematográfica sem contrapartida política.
3. A Polícia Federal investiga o caso?
Sim. A PF apura se os recursos foram usados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e possíveis ligações com outras investigações sobre o Banco Master.
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