Brasília (DF)
27 de outubro de 2026
NO senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descumpriu o prazo fixado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e não entregou seus passaportes à Polícia Federal (PF) até as 11h desta terça-feira (27/out). Os documentos brasileiros, inclusive o diplomático, foram cancelados, e o paradeiro do parlamentar permanece incerto, com a PF investigando possível saída irregular do país, conforme o g1.
O QUE ACONTECEU?
A decisão de Moraes foi proferida na noite do domingo (25/out), horas após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno. O ministro determinou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, inclusive o diplomático, a entrega em até 24 horas de eventuais documentos de outras nacionalidades, a proibição de deixar o território nacional e a vedação de contato com o advogado Willer Tomaz. O caso tramita em segredo de Justiça e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas ligadas a Tomaz e casas de apostas, segundo o g1.
Flávio Bolsonaro possui cidadania italiana reconhecida desde 2023, o que lhe confere direito a passaporte do país europeu. A ordem de Moraes abrange também documentos estrangeiros.
Na manhã de segunda-feira (26/out), agentes da PF intimaram o senador após visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou: “Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai. Como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E, quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país.” Ele classificou a medida como “clara tentativa de intimidação” e disse que a decisão se baseou em declaração do irmão Eduardo Bolsonaro, de 23 de outubro, sobre eventual saída do país em caso de derrota. “Eu nunca falei isso. Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes”, declarou à Reuters.
POR QUE O DESCUMPRIMENTO IMPORTA?
O prazo de 24 horas venceu sem a entrega física dos documentos. A PF cancelou os passaportes no sistema e prepara ofício para informar Moraes sobre o não cumprimento. Não há registros formais de saída do senador pelos postos migratórios brasileiros, conforme O Globo.
O site argentino Infobae publicou, na madrugada desta terça, que Flávio teria cruzado a fronteira usando documento de identidade e se dirigido a Puerto Iguazú, na província de Misiones, para embarcar em jato particular (Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly) com destino aos Estados Unidos. Autoridades argentinas, incluindo a Direção Nacional de Migrações e o governo de Javier Milei, negaram qualquer registro de entrada do parlamentar. A aeronave permaneceu no aeroporto local, sem plano de voo que incluísse a família Bolsonaro.
Aliados relatam dificuldade de contato. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, afirmou que conversou com Flávio por volta das 8h desta terça e ouviu que o parlamentar estaria “esfriando a cabeça”, sem obter resposta clara sobre se ele permanecia no Brasil.
IMPORTANTE: A ausência de registro formal de saída não exclui a possibilidade de travessia irregular da fronteira, especialmente em regiões de tríplice fronteira como a de Foz do Iguaçu/Puerto Iguazú. Até o momento, nem a PF nem autoridades argentinas confirmaram a saída de Flávio Bolsonaro do território brasileiro. O descumprimento da medida cautelar pode ensejar o agravamento das restrições impostas pelo STF.
QUAL O CONTEXTO DA INVESTIGAÇÃO?
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz são investigados no STF por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A apuração originou-se na Justiça Federal do Rio Grande do Sul e envolve empresas de Tomaz, incluindo a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira (Portugal). E-mails obtidos pela PF indicam que o senador figurava como “usuário master” de conta bancária vinculada a essa empresa; o acesso foi removido em maio de 2025. Na semana anterior, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em ativos de Tomaz, conforme o g1.
Há ainda inquérito separado sobre possível financiamento irregular do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
O QUE ACONTECE AGORA?
A PF oficiará Moraes sobre o descumprimento. O ministro pode determinar o agravamento das medidas cautelares, inclusive a decretação de prisão preventiva, com base no Código de Processo Penal. A corporação continua em contato com autoridades argentinas para esclarecer os fatos.
A análise aponta que a sequência de eventos — derrota eleitoral, ordem judicial imediata, descumprimento do prazo e silêncio sobre o paradeiro — reforça a necessidade de transparência nas investigações que envolvem figuras com foro privilegiado, sem que isso substitua o devido processo legal.
FAQ Rápido
Flávio Bolsonaro entregou os passaportes?
Não. O prazo de 24 horas venceu às 11h desta terça-feira (27/out) sem a entrega à Polícia Federal.
Onde está o senador?
O paradeiro não é conhecido publicamente. Não há registro formal de saída do Brasil e autoridades argentinas negam entrada no país.
Por que Moraes determinou a medida?
No âmbito de inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, com fundamento em risco de fuga e elementos colhidos pela PF.
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