Brasília (DF)
22 de outubro de 2026
No livro Mito ou Verdade: Jair Messias Bolsonaro, publicado em 2017 pela Altadena Editora, o senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu o massacre do Carandiru como legítima defesa, negou que o movimento de 1964 tenha sido um golpe, exaltou a ditadura militar e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas. As posições, registradas em quase 200 páginas, voltam ao centro do debate eleitoral de 2026.
O QUE ACONTECEU E POR QUE ISSO IMPORTA?
O texto de Flávio, escrito quando ele ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro, expõe um conjunto de posições históricas sobre o regime militar e a segurança pública que contrastam com a imagem de moderação que o candidato à Presidência tenta projetar. A obra foi resgatada pela reportagem da Folha de S.Paulo e, posteriormente, comentada pelo jornalista Tom Farias na mesma publicação.
O QUE O LIVRO REGISTRA SOBRE O MASSACRE DO CARANDIRU?
Segundo a reportagem da Folha, Flávio afirma que os policiais envolvidos na operação de 1992, que resultou na morte de 111 presos, agiram em legítima defesa. O autor menciona os antecedentes criminais de parte dos mortos e pergunta: “Quantos milhares de novas vítimas esses marginais poderiam ter feito quando voltassem ao convívio em sociedade?” O episódio permanece um dos mais graves da história recente do sistema penitenciário brasileiro.
COMO FLÁVIO TRATA O GOLPE DE 1964 E A DITADURA?
No livro, Flávio rejeita a caracterização de golpe. Ele escreve: “Que golpe foi esse em que o Congresso, com respaldo constitucional, afasta um presidente? […] Ou seja, só houve golpe nos livros de ‘estória’ do MEC.” Em outra passagem, afirma que “havia eleições naquele período que alguns gostam de chamar de ditadura” e que os militares “deveriam ser tratados como heróis nacionais por terem evitado que o Brasil se tornasse uma ditadura socialista”.
Sobre o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador, Flávio o descreve como “um homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”. A Comissão Nacional da Verdade é classificada como iniciativa revanchista. O livro também trata da Lei da Anistia, que, segundo o autor, “serviu apenas os terroristas”.
URNAS ELETRÔNICAS E O FILME DARK HORSE
Flávio questiona a auditabilidade das urnas eletrônicas e defende a impressão de comprovante de voto. A obra serviu de inspiração narrativa para o filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro que se tornou alvo de investigação da Polícia Federal sobre financiamento envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A análise aponta que o resgate do livro em pleno processo eleitoral de 2026 permite confrontar as posições registradas em 2017 com o discurso de campanha atual. O debate sobre segurança pública, tema central no confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio, ganha um elemento concreto: as formulações do próprio candidato sobre o uso da força e o regime militar.
IMPORTANTE: O livro é uma publicação de 2017. As declarações atribuídas a Flávio Bolsonaro foram extraídas de reportagens jornalísticas que tiveram acesso ao texto e citaram trechos específicos. Não se trata de declarações novas, mas de posições registradas há nove anos e agora recolocadas no debate público.
FAQ Rápido
Flávio Bolsonaro defendeu o massacre do Carandiru no livro?
Sim. Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, ele classificou a ação policial como legítima defesa e questionou quantas vítimas os presos poderiam fazer se fossem soltos.
O livro nega o golpe de 1964?
Sim. Flávio escreveu que não houve golpe e que a versão de golpe existe apenas “nos livros de ‘estória’ do MEC”.
Qual a relação do livro com o filme Dark Horse?
A obra de 2017 é citada como inspiração para a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O filme, por sua vez, está sob investigação por questões de financiamento.
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