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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    12 de outubro de 2026

    Nesta segunda-feira (12/out), Dia de Nossa Senhora Aparecida, a cantora e advogada Juliette Freire apresentou o episódio A Guerra à Santa, da série jornalística Revelando. O material, disponível no YouTube, aborda ataques à padroeira do Brasil e questiona a proximidade do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) com o bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, igreja onde o político e a esposa, Fernanda Bolsonaro, foram batizados em 2024.

    Juliette reacende o debate sobre convivência religiosa em plena campanha eleitoral de 2026. O episódio destaca trechos do livro A Bomba: A verdade pode ser explosiva, de 2001, em que o bispo associa a devoção mariana a práticas pagãs e utiliza expressões fortes contra a figura da santa, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já classificou como falsa a alegação de que Flávio articula a retirada do título de padroeira.

    Na abertura, Juliette pergunta: “Por que uma santa tão frágil, que já nasceu partida em duas, desperta tanto ódio em quem quer mandar no país?” Ela descreve a padroeira como “uma Maria negra pescada por um pescador pobre, que soltou a corrente de um homem escravizado, que é santa pros católicos, mãe de Jesus pros evangélicos, e que até quem não reza pra ela respeita”. O episódio relaciona as críticas do bispo à escolha de Flávio.

    Em um dos trechos destacados, a produção aponta que o líder religioso escreveu um livro inteiro dizendo que a santa venerada por milhões de brasileiros é a “máscara do braço direito de satanás”. Juliette questiona: entre tantos pastores, por que cercar-se de quem espalha o ódio contra a fé das pessoas?

    A cantora ainda declarou: “Senti que precisava estar aqui. Como mulher e advogada, acredito no compromisso de defender o que é justo. Nossa Senhora Aparecida representa fé, acolhimento e união”. O episódio inclui sua interpretação de Romaria, de Renato Teixeira.


    O QUE O LIVRO DE JB CARVALHO REGISTRA

    Publicado em 2001, A Bomba contém um capítulo intitulado A Rainha dos Céus no Brasil. Nele, o bispo questiona a legalidade do feriado de 12 de outubro e do reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira, defendendo que cristãos e parlamentares se mobilizem para a mudança. Ele sustenta que Jesus Cristo deve ser o único Senhor do Brasil e associa a devoção a cultos pagãos.

    Trechos citados em ações e reportagens incluem expressões como “braço direito de satanás”, “figura demoníaca”, “Grande Meretriz” e “Deusa da Promiscuidade”, ligadas a divindades como Astarote e Ishtar. A coluna de Matheus Leitão no Metrópoles (27 de setembro) e reportagens do O Globo e da Alma Preta documentaram essas posições.

    Uma entidade protocolou notícia-crime na Justiça Federal pedindo a retirada de circulação do e-book, sob acusação de incitação à discriminação religiosa. Não há registro de que JB Carvalho tenha atacado fisicamente imagens religiosas; o famoso “chute na santa” de 1995 envolveu outro pastor.

    As críticas de JB Carvalho estão no livro de 2001 e são de natureza teológica e literária. O TSE determinou a remoção de posts que afirmem, como fato, que Flávio Bolsonaro propôs, articulou ou apoia a retirada do título de padroeira. O senador negou publicamente essa intenção. Discussões sobre a proximidade com o bispo ou sobre o conteúdo do livro não foram proibidas pela decisão.

    A LIGAÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO COM A IGREJA

    Flávio e Fernanda Bolsonaro foram batizados na Comunidade das Nações, em Brasília, em 2024. O senador manteve presença nos cultos e, em 7 de dezembro de 2025, dois dias após anunciar a pré-candidatura, escolheu a mesma igreja para a primeira aparição pública. Michelle Bolsonaro também manteve vínculos com a denominação.

    A análise aponta que a distinção entre a posição documentada do bispo e a ausência de evidência de que o candidato compartilhe ou pretenda implementar essa pauta é central para o debate eleitoral. Aproximação religiosa não equivale a endosso automático de todas as teses do líder.

    CONTEXTO E DESDOBRAMENTOS

    O tema ganhou força após a circulação de informações falsas sobre um suposto projeto de Flávio. Um projeto de lei antigo (PL 2.623/2007), de autoria de outro deputado e já arquivado, foi citado em algumas narrativas, mas não tem relação com o senador. O próprio Flávio participou de atividades em homenagem à padroeira para atenuar o desgaste junto ao eleitorado católico.

    O episódio de Juliette chega em um momento de polarização, em que símbolos religiosos são mobilizados na disputa política. A série Revelando, com apoio de coletivos como Calma Urgente e Mídia Ninja, posiciona o debate no campo do respeito à diversidade de crenças.

    FAQ Rápido

    Juliette provou que Flávio quer tirar o título de Nossa Senhora Aparecida?
    Não. O vídeo questiona a proximidade com o bispo e o conteúdo do livro de 2001. O TSE classificou como falsa a afirmação de que Flávio articula a medida.

    O bispo JB Carvalho chamou mesmo Aparecida de “braço direito de Satanás”?
    Sim. Expressões nesse sentido constam do livro A Bomba (2001) e foram citadas em reportagens e em ação judicial.

    Flávio se batizou na igreja de JB Carvalho?
    Sim. Ele e a esposa foram batizados na Comunidade das Nações em 2024 e o senador manteve vínculo público com a instituição.


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