Brasília (DF)
31 de outubro de 2026
A jornalista Eliane Cantanhêde afirmou neste sábado (31/out), em duas redes sociais, que Flávio Bolsonaro logo se tornará apenas mais um imigrante nos Estados Unidos, após o breve encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio durante a reunião de ministros das Relações Exteriores do G20 em Atlanta, na Geórgia.
O comentário surge em meio à confirmação de Rubio de que o governo americano não participou dos preparativos da saída do senador do Brasil, embora o presidente Donald Trump tenha autorizado sua entrada.
@ECantanhede Um fdp desses, com tanto dinheiro roubado do Brasil, não pode ser tratado como apenas “mais um imigrante”, não! Tem que ser extraditado, responder aos processos na Justiça brasileira e, caso comprovada sua culpa, devolver integralmente tudo o que foi roubado do povo brasileiro.
— Talismã, ✌🏾 (@TalismaEm) October 31, 2026
O encontro ocorreu na sexta-feira (30/out), durante coquetel de boas-vindas à reunião de chanceleres. Segundo apuração do Estadão, os dois conversaram rapidamente e acertaram novo contato antes da cúpula de líderes do G20, prevista para dezembro em Miami. Foi o primeiro contato após o segundo turno das eleições brasileiras, no domingo (25/out), no qual Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio.
IMPORTANTE: A autorização concedida a Flávio e família nos EUA é o chamado humanitarian parole (liberdade condicional por motivos humanitários), de caráter temporário e válido por até um ano, até outubro de 2027. Não se trata de visto de residência permanente nem de asilo político formal. O senador utilizou passaporte diplomático brasileiro cancelado pela Polícia Federal ao entrar no país, após descumprir ordem do Supremo Tribunal Federal para entregar os documentos.
O QUE DISSE MARCO RUBIO?
Em entrevista coletiva neste sábado (31/out) em Atlanta, Marco Rubio afirmou que o governo dos Estados Unidos não facilitou a saída de Flávio do Brasil. “Não facilitamos nada. Soubemos que ele chegou aos EUA, ele já tinha um visto garantido e o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse, mas não estávamos envolvidos em nenhum dos arranjos para ele sair do País”, declarou o secretário de Estado, segundo o InfoMoney e o G1. Rubio confirmou que Trump havia deixado claro que autorizaria a entrada caso Flávio chegasse a um ponto de fronteira americano.
A declaração ocorre após reportagens do The New York Times e do The Wall Street Journal apontarem envolvimento de assessores próximos a Trump, como Jason Miller, e de Eduardo Bolsonaro na organização do jato particular que levou a família de Puerto Iguazú, na Argentina, com escala em Guayaquil, no Equador, até Miami. O governo brasileiro manteve postura pragmática e não reagiu oficialmente ao episódio.
COMO FLÁVIO CHEGOU AOS EUA?
Flávio, a esposa Fernanda e as filhas Carolina e Luiza cruzaram a fronteira com a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves na noite de terça-feira (27/out), às 22h50, segundo a Direção Nacional de Migrações argentina. O senador utilizou passaporte italiano — ele possui cidadania italiana desde 2023 — enquanto a família viajou com documentos brasileiros. Em seguida, embarcaram em jato da empresa Baires Fly, conforme a Reuters.
Registros da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) mostram entrada sob código “DT”, correspondente a discretionary parole. A Polícia Federal brasileira havia cancelado os passaportes diplomático e pessoal de Flávio após o descumprimento da ordem de Alexandre de Moraes, no âmbito de inquéritos sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligados ao advogado Willer Tomaz e ao caso Master, segundo o Metrópoles.
A CARTA E A COMPARAÇÃO COM GUAIDÓ
Após o desembarque em Miami, Flávio divulgou carta em que inicialmente se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, contestou o resultado sem apresentar provas de fraude e agradeceu a Trump e a Javier Milei. Minutos depois, publicou versão alterada em que se denomina “líder do Brasil”. No texto, citou Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado como exemplos de atuação política no exterior. O partido de Flávio, o PL, e o Tribunal Superior Eleitoral reconheceram o resultado oficial, conforme O Globo.
A análise aponta que a tentativa de paralelismo com Guaidó esbarra em diferenças essenciais: as eleições brasileiras de 2026 foram reconhecidas por observadores internacionais e por mais de 100 países, enquanto a Venezuela de 2019 enfrentava questionamentos amplos sobre o processo eleitoral e o regime de Nicolás Maduro.
O QUE ACONTECE AGORA?
Com imunidade parlamentar até 31 de janeiro, Flávio enfrenta risco de prisão se retornar ao Brasil enquanto as investigações prosseguirem. A permanência nos EUA depende de eventual pedido de residência permanente ou de outras vias migratórias. O encontro entre Vieira e Rubio sinaliza tentativa de normalização diplomática, apesar das tensões geradas pela autorização de entrada e pela demora no reconhecimento oficial da vitória de Lula por parte do governo Trump, conforme O Globo.
FAQ Rápido
Flávio Bolsonaro é considerado foragido?
Não. A Polícia Federal informou que não há mandado de prisão vigente. Há ordem de entrega de passaportes e proibição de saída, descumprida por ele.
O governo americano facilitou a fuga?
Marco Rubio negou participação direta do governo dos EUA nos preparativos da saída. Reportagens americanas apontam envolvimento de assessores próximos a Trump.
Qual o status migratório de Flávio nos EUA?
Autorização temporária (humanitarian parole) por até um ano, até outubro de 2027. Não é visto permanente.
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