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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    02 de outubro de 2026

    Nesta sexta-feira (02/out), a coluna de Alvaro Costa e Silva na Folha de S.Paulo descreveu a desistência de Flávio Bolsonaro do debate da Globo como fuga. O senador culpou o TSE e pediu eleições limpas, embora pudesse falar. O episódio recoloca a desconfiança eleitoral no centro da campanha de 2026.

    No julgamento do jornalista, houve recusa de ocupar o microfone, coberta por uma narrativa de censura: “Para justificar a fuga, o 01 culpou a decisão da ministra do TSE Estela Aranha, que determinou à Globo a retirada do púlpito vazio com o nome de Lula. Ao estilo bolsonarista, aproveitou para fomentar o golpismo, pedindo “eleições limpas”. Um caso raro de “censura” em que o “censurado” poderia dizer tudo o que quisesse, mas preferiu calar-se.“

    FUGA

    Segundo a coluna, o debate da Globo foi cancelado à última hora, depois da desistência de Flávio Bolsonaro, e entrou na categoria de mico histórico. Desde 2002, escreve Alvaro Costa e Silva, nenhum pleito presidencial havia registrado menos de três encontros na primeira rodada. Neste ano houve apenas um, o da Band, em agosto, transcorrido num clima melancólico: três homens tristes falando ao vento. O da Globo nem isso.

    A ausência de Lula já estava anunciada. No mesmo horário, o presidente deu entrevista ao Flow Podcast, com 10 milhões de visualizações, audiência que a coluna descreve como predominantemente de jovens das classes B e C. Para o senador, o cenário seria de sonho: de um lado, o petista fora do estúdio; do outro, três nomes que o texto chama de satélites, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury.

    A coluna afirma que Flávio Bolsonaro se preparava para massacrar o petista. Duas horas antes, uma pesquisa Datafolha favorável a Lula o fez repensar a estratégia. Sem impacto eleitoral expressivo, teria mais a perder ao enfrentar Renan Santos, autorizado a participar e a perguntar sobre os milhões de Vorcaro, as orgias, a ligação com milícias e o entreguismo aos Estados Unidos. Essa enumeração é do colunista, não um roteiro publicado pelo próprio Renan Santos.

    IMPORTANTE: A decisão citada na coluna determinou à Globo a retirada do púlpito vazio com o nome de Lula. Não há, no texto de Alvaro Costa e Silva, qualquer elemento de que o TSE tenha proibido Flávio Bolsonaro de comparecer, de responder ou de expor seu programa. O ponto da Folha é outro: o senador podia dizer o que quisesse e escolheu não dizer.

    POR QUE LULA FOI AO FLOW E NÃO À GLOBO?

    No começo da entrevista ao Flow, o apresentador perguntou por que o presidente estava ali e não no debate da Globo. Lula respondeu: É, porque eu gosto mais de você do que da Globo. Em seguida, deixou o gracejo e retomou uma crítica antiga ao formato da emissora.

    “Eu a tempo, eu tenho questionado os debates da Globo“, disse. Lembrou que foi aos encontros de 1989, com muitos candidatos, e aos de 2002. Sobre 1994 e 1998, afirmou que não houve debate porque a Globo defendia a eleição de Fernando Henrique Cardoso e não queria expor o então candidato. “Não teve nem debate em 94, nem debate em 98. É importante lembrar”.

    O presidente distinguiu o segundo turno do primeiro. No mano a mano de 2002 com José Serra, o debate valeu, porque era tete a tete. Com cinco ou seis candidatos, cada um fala um minuto e espera dez. “É como se o jogador desse um pique e voltasse para descansar”. Para ele, o formato não produz sequência e empurra os participantes para a piada e a pegadinha. “Quando você tá numa disputa para presidente da República, é uma coisa mais séria”.

    Lula defendeu um recorte por patamar de intenção de voto, comparando a triagem a séries de campeonato, e disse que o segundo turno já garante disputa entre iguais. Sobre 2006, contou que não foi aos debates porque o adversário era Geraldo Alckmin, hoje seu vice, e havia três candidatos do PT. “Eu vou nos debates para ficar brigando com o meu ex-companheiro do PT? Eu não vou”.

    A memória que ele guarda daquele ano é a da cadeira vazia. “O que que a Globo fez comigo? Colocou uma cadeira vazia”. E contrastou o tratamento com o dado a Fernando Henrique Cardoso: a emissora, segundo ele, não expôs o tucano da mesma forma. O preconceito é muito grande. Por isso, disse estar decidido a não ir. “O pessoal já me conhece demais”.

    A coluna não trata a desistência como discordância de formato, que foi o argumento usado por Lula no Flow. Trata como cálculo. Com a pesquisa na mesa e Renan Santos autorizado a entrar, o senador teria mais a perder do que a ganhar. A justificativa pública, segundo Alvaro Costa e Silva, foi outra: a decisão da ministra Estela Aranha.

    É nesse deslocamento que o texto localiza o golpismo. Pedir “eleições limpas” depois de recusar um debate em que se podia falar não é cobrança de regra. É o uso de uma decisão pontual, a retirada de um púlpito vazio, como prova de que o pleito estaria viciado. A análise acompanha a coluna nesse ponto: a narrativa não descreve o limite da decisão; substitui o limite por uma suspeita geral sobre o processo.

    O colunista amplia o diagnóstico para além deste encontro. Os debates de televisão, escreve, estão em xeque: espetáculo caricato, desmoralizado pelos próprios participantes e não raro violento, em concorrência com discursos sedutores e mentirosos nas redes e com o domínio do marketing sobre as propostas. “O debate não ajuda mais o eleitor a tomar uma decisão. O maior problema, contudo, não é o meio, mas a mensagem”.

    A campanha de 2026, no retrato da Folha, mistura cansaço e descrédito. Os dois líderes nas pesquisas têm altíssimo rechaço e temem uma abstenção recorde. No mano a mano do segundo turno, a televisão até pode ter uma sobrevida. A coluna fecha com uma ironia seca: “Quem sabe alguém desmaia diante das câmeras?“

    FAQ Rápido

    Por que Flávio Bolsonaro não foi ao debate da Globo?
    Segundo a coluna de Alvaro Costa e Silva, ele desistiu à última hora e culpou a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, que determinou a retirada do púlpito vazio de Lula. O texto trata a justificativa como fuga e lembra a pesquisa Datafolha divulgada duas horas antes.

    A decisão do TSE impedia o senador de falar?
    Não, no relato da coluna. A medida atingia a exibição do púlpito vazio com o nome de Lula. Flávio Bolsonaro poderia dizer o que quisesse e preferiu calar-se.

    O que Lula disse no Flow sobre a Globo?
    Disse que gosta mais do Flow do que da Globo, que questiona os debates da emissora desde os anos 1990, que não houve debate em 1994 nem em 1998 e que, em 2006, a emissora colocou uma cadeira vazia no lugar dele.



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