📷 Alfredo Gaspar assina filiação ao PL ao lado de Flávio Bolsonaro / Foto: Divulgação PL via O Globo |•| Arte URBS MAGNA
| Brasília (DF)
05 de agosto de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (5/ago) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa pura do PL.
A escolha, feita no último dia do prazo das convenções, ocorre enquanto Gaspar responde a inquérito no STF por suspeita de estupro de vulnerável e a apuração no TCU por irregularidades em emendas de cerca de R$ 6 milhões.
O próprio Flávio é alvo da Polícia Federal por calúnia e por suspeitas ligadas ao financiamento do filme Dark Horse.
A decisão reforça o isolamento da campanha bolsonarista após a neutralidade do centrão e coloca sob escrutínio público a transparência e a accountability de candidatos em um sistema democrático.
A indicação de Gaspar, ex-promotor, ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, busca reforçar o discurso de segurança e o apelo ao Nordeste, região em que Flávio enfrenta dificuldades.
O anúncio surpreendeu integrantes da própria campanha, que esperavam uma mulher no posto, como o senador havia defendido publicamente.
Partidos como PP e Republicanos optaram pela neutralidade, inviabilizando nomes como Tereza Cristina e Daniella Marques.Gaspar, de 55 anos, nasceu em Maceió e ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS.
Em seu relatório, pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O parecer foi rejeitado. Segundo a Folha de S.Paulo, a Polícia Federal pediu ao STF, em abril de 2026, a abertura de inquérito para apurar denúncia apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS).
Os parlamentares alegam que Gaspar teria mantido relação com adolescente de 13 anos, que resultou em gravidez, e que haveria tentativas de pagamento para silêncio.
O caso tramita sob sigilo, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que aguarda manifestação da PGR.Gaspar nega as acusações.
Em nota, classificou-as como “falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis” e atribuiu o episódio a “perseguição política” por causa da CPMI.
Ele realizou coleta de material genético em 23 de abril de 2026, na Polícia Científica de Alagoas, e afirmou ter pedido ordem judicial para antecipar provas.
O laudo identificou perfil genético “único e completo”.
O deputado sustenta que a história se refere a um primo, Maurício César Brêda Filho, e divulgou vídeo e exame de DNA de 2014.
Além da apuração criminal, o TCU investiga irregularidades em emendas Pix de cerca de R$ 6 milhões (ou R$ 6,3 milhões, conforme reportagens) destinadas por Gaspar ao município de São José da Laje (AL).
Técnicos identificaram transferências para outras contas municipais e ausência de relatório de gestão.
Gaspar afirmou que “todas as ações foram realizadas dentro da legalidade e das normas vigentes”, conforme o Estadão.
A escolha ocorre em paralelo às próprias investigações que cercam Flávio Bolsonaro. Em junho de 2026, a Polícia Federal concluiu que o senador cometeu calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em postagem de 3 de janeiro de 2026 no X, na qual associou o chefe do Executivo a tráfico internacional de drogas, armas e lavagem de dinheiro após a captura de Nicolás Maduro.
O relatório foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, e a PGR tem prazo para decidir sobre denúncia.
Flávio também é investigado no âmbito do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram o senador negociando com Daniel Vorcaro, do Banco Master, recursos para a produção.
A PF apura repasses de cerca de R$ 61 milhões e possível destinação de parte dos valores a despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, além de emendas a entidades ligadas à produtora.
O ministro André Mendonça autorizou inquérito. Flávio nega irregularidades e afirma que buscou financiamento privado.
Após o anúncio desta quarta-feira (5/ago), adversários resgataram as acusações.
O ministro Guilherme Boulos afirmou nas redes que a escolha une “a rachadinha com o orçamento secreto”.
Integrantes da campanha de Flávio, segundo o Estadão, classificaram o nome de Gaspar como “péssimo” e questionável, especialmente diante da expectativa de uma vice mulher.
A indicação de um nome sob investigação reforça o debate sobre a qualidade da representação e a necessidade de mecanismos de controle em um regime democrático.
A progressão lógica dos fatos mostra que tanto o candidato quanto o vice carregam processos que a Justiça ainda precisa esclarecer.
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