ARRASTE 0%
Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo
    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    30 de setembro de 2026

    A série jornalística Revelando, iniciativa do podcast Calma Urgente com distribuição do ICL Notícias, da Mídia Ninja, da 342 Artes e do Intercept Brasil, estreou o terceiro episódio na quarta-feira (30/set), às 10h. O vídeo está no YouTube nos canais Calma Urgente e Revelando.

    A sinopse oficial descreve a menina que “dizia querer ser igual a mãe quando crescesse” e afirma que, na manhã de 2 de fevereiro de 2021, ela “brincava na porta de casa e foi atingida por quatro tiros de fuzil” disparados por um policial militar no Rio de Janeiro. O texto diz ainda que o delegado da Polícia Civil que foi ao local “não tem dúvidas de quem atirou”: o cabo Bruno Delaroli.

    A pergunta que organiza o episódio é a mesma do subtítulo desta matéria: “Qual era a intenção de um Senador em defender o homem preso em flagrante pelo assassinato de uma criança?” A produção acompanha a mãe, Cristiane Gomes da Silva, e o processo que, cinco anos depois, segue sem júri.

    A Notícias da TV registrou que Pitanga assume a frente do projeto depois do episódio conduzido por Fábio Porchat sobre o Banco Master.

    O QUE ACONTECEU EM NITERÓI EM 2 DE FEVEREIRO DE 2021?

    Ana Clara brincava com o irmão de 2 anos na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Pendotiba, Niterói, quando foi atingida. O g1 e o Estadão noticiaram a prisão em flagrante do cabo Bruno Dias Delaroli, do 12º BPM, por homicídio com dolo eventual.

    No velório, a mãe disse ao g1: “Eu quero justiça para a morte da minha filha. Que não caia no esquecimento como muitas já caíram. Minha filha tinha só cinco anos e morreu na covardia com dois tiros de fuzil.” Cristiane afirmou ainda que não houve a troca de tiros alegada pelos militares e cobrou o socorro tardio.

    A Polícia Militar sustentou, à época, que havia confronto com criminosos. A Polícia Civil apontou contradições entre o depoimento dos PMs, as testemunhas e a perícia. Foram recolhidos estojos de fuzil 7,62 compatíveis com o armamento da tropa. A versão de confronto armado com pistola, segundo reportagens posteriores reunidas pelo Brasil 247, não encontrou lastro equivalente no local.

    O QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO ACUSOU?

    Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, reproduzida pelo ICL, Delaroli atirou em direção à área residencial e de lazer “com vontade livre e consciente, assumindo o risco de matar”. Pessoas no local teriam gritado “é morador, é morador”. A promotoria afirma que o policial “seguiu com os disparos” e só prestou socorro “diante da clemência dos moradores e parentes da vítima fatal”.

    A prisão preventiva foi revogada em novembro de 2021 e substituída por cautelares. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro submeteu o caso a júri popular. Delaroli nega ser o autor do tiro que matou a menina e alega reação a agressão de traficantes. Não há condenação transitada. O processo aguarda julgamento.

    IMPORTANTE: Advogar é direito constitucional. Isso não apaga o fato documental: Flávio Bolsonaro, já senador da República, integrou a banca e assinou recurso ao STJ para tentar impedir o júri popular. Também não transforma a denúncia do MPRJ em sentença. Delaroli é acusado e ainda não foi julgado pelo Tribunal do Júri.

    QUAL FOI O PAPEL DE FLÁVIO BOLSONARO?

    A reportagem de Alice Maciel no ICL, em 31 de março de 2026, e a confirmação da Revista Fórum mostram Flávio Nantes Bolsonaro na peça de defesa ao lado de Paulo Márcio Ennes Klein, Isabela Klein, Felipe Azeredo e Bruno Giusto. Klein já havia defendido Fabrício Queiroz.

    Em 2024, o senador assinou recurso ao Superior Tribunal de Justiça contra a decisão do TJ-RJ que mandou o caso a júri. O STJ negou. Sem novo recurso, Delaroli aguarda o plenário do júri.

    O mesmo ICL registrou outra atuação: recurso ao STJ, com o escritório Paulo Klein, em defesa de quatro PMs acusados de matar quatro homens em emboscada no Morro do Vidigal, em 16 de janeiro de 2020.

    Em setembro, Marcelo Freixo retomou o caso em vídeo e na imprensa. Ao Brasil 247, disse: “Você, Flávio, já era senador da República e você assina, com mais quatro advogados, petições para adiar o Júri Popular contra o assassino de Ana Clara.” E perguntou se o senador procurou a mãe da criança.

    ATÉ BOLSONARISTAS ESTÃO CHOCADOS

    A busca nas redes, pedida para esta apuração, encontrou uma onda nítida de indignação após o episódio de Pitanga — especialmente em contas de oposição, jornalistas e perfis independentes. O Intercept Brasil republicou o vídeo na quarta-feira (30/set). O Blog do Noblat resumiu o encadeamento: a menina, os quatro tiros, o cabo e o senador que entrou na defesa quando a família esperava o júri.

    Comentários sob as postagens oficiais do Revelando no Instagram repetiram o choque moral com o lema da família Bolsonaro. Um usuário escreveu que “Deus, pátria e família” seria discurso “só da boca pra fora”. Outro perguntou: “Político defensor de assassino de criança é o quê mesmo?”

    Entre perfis que se apresentam como de direita, a reação documentada nesta varredura foi mais defensiva do que rupturista. Recorre-se com frequência ao argumento de que “advogado pode trabalhar”. A antropóloga Beatriz Klimeck rebateu exatamente essa linha: “Ele já era SENADOR DA REPÚBLICA. Por que foi defender um cabo que matou uma criança?”

    Existe é um constrangimento seletivo: o mesmo eleitorado que cobra “proteção à criança” e “família” passa a relativizar quando o acusado veste farda e o advogado se chama Bolsonaro, apesar de não haver uma debandada orgânica de grandes influenciadores bolsonaristas confessando ruptura por causa de Ana Clara. Mas no fundo, há e não é declarado. A análise aponta que o choque real, neste ponto, é menos partidário e mais ético. Quem se diz chocado e permanece no palanque trata a menina como exceção descartável.

    O caso se soma à galeria já mapeada por este portal — rachadinha, medalha a Adriano da Nóbrega, filme Dark Horse com dinheiro de Daniel Vorcaro, homenagens a PMs depois associados a milícias, como cobrou Freixo em vídeo sobre a viagem aos EUA.

    O QUE ACONTECE AGORA?

    Delaroli segue aguardando o Tribunal do Júri. Flávio disputa a Presidência pelo PL. Cristiane Gomes da Silva continua sem a sentença que pediu no cemitério, em 3 de fevereiro de 2021. A pergunta de Camila Pitanga permanece no ar porque nenhum dos envolvidos a respondeu em nota pública até esta quarta-feira (30/set).

    FAQ Rápido

    Flávio Bolsonaro foi advogado do PM acusado de matar Ana Clara?
    Sim. Reportagens do ICL e da Revista Fórum mostram que ele integrou a banca e assinou, em 2024, recurso ao STJ contra o júri popular. O STJ negou o pedido.

    O cabo já foi condenado?
    Não. Bruno Dias Delaroli foi preso em flagrante em 2021, teve a preventiva revogada em novembro daquele ano e aguarda júri popular.

    O que o episódio de Camila Pitanga acrescenta?
    Reúne o dossiê familiar, a fala do delegado no local e a linha do tempo do processo para mostrar por que, cinco anos depois, o julgamento não ocorreu — e em que momento o então senador entrou nos autos.

    Atualização: o episódio estreou na quarta-feira (30/set), às 10h, segundo o ICL. Até o fechamento, não foi localizada nota oficial de Flávio Bolsonaro sobre o vídeo. Novas informações poderão ser acrescentadas se o senador, a PM ou o MPRJ se pronunciarem.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

     

    Comente com moderação

    文

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading