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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    23 de outubro de 2026

    Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, articulam a entrada do Bank of America no capital do Banco do Brasil (BB), segundo reportagem do Jornal do Brasil publicada na quinta-feira (22/out) pela coluna Relatório Reservado. A operação, ainda em fase de conversas, buscaria atrair capital privado, contribuir indiretamente para o ajuste fiscal e estreitar laços com os Estados Unidos e a administração de Donald Trump, sem que a União perdesse necessariamente o controle acionário. O fato importa porque o BB é um dos principais instrumentos de financiamento do agronegócio, da agricultura familiar e de políticas de crédito no país, e qualquer alteração em sua governança repercute sobre soberania econômica e desenvolvimento regional.

    O QUE A REPORTAGEM DO RELATÓRIO RESERVADO DESCREVE?

    De acordo com fonte ligada à campanha ouvida pela coluna, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mantém, desde antes do início formal da campanha eleitoral, conversas com interlocutores do governo norte-americano — incluindo esferas do Departamento do Tesouro e da Casa Branca — sobre a possibilidade de o Bank of America adquirir participação relevante no BB. A arquitetura estudada, caso Flávio seja eleito, permitiria o ingresso do banco americano sem que a União abrisse mão do controle. A União detém cerca de 50% das ações (precisamente o mínimo de 50% mais uma ação necessário para o controle), enquanto o restante está majoritariamente com investidores privados, incluindo a Previ.

    A coluna descreve o arranjo como uma “privatização em pele de cordeiro”: os norte-americanos poderiam ter assento no conselho de administração e participação ativa na gestão e nas estratégias, mas permaneceriam minoritários no capital. O objetivo declarado inclui expandir negócios via aliança, gerar lucros e dividendos à União e criar agenda bilateral de tratamento diferenciado em comércio, investimentos e financiamento. Para o Bank of America, a presença no maior mercado latino-americano abriria sinergias em financiamento de exportações, infraestrutura, câmbio e mercado de capitais.

    QUAL O HISTÓRICO DA IDEIA E QUEM A IMPULSIONA?

    A possibilidade não é nova. Em novembro de 2018, logo após a eleição de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes ventilou, em conversa informal com Alexandre Bettamio (então presidente do Bank of America para a América Latina), a hipótese de associação ou fusão entre as instituições. Em maio de 2019, em Dallas (EUA), durante homenagem da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, Guedes voltou ao tema em discurso, mencionando uma associação nos moldes da então discutida Embraer-Boeing. À época, o próprio Guedes e o Ministério da Economia esclareceram que se tratava de ideia conceitual para o futuro, não de plano de governo imediato.

    Na equipe atual de Flávio, a coordenadora econômica Daniella Marques (ex-presidente da Caixa Econômica Federal) admitiu, em setembro de 2026, durante evento do Grupo Esfera, a possibilidade de privatização do BB, argumentando que as ações negociavam abaixo do valor patrimonial. Outros nomes da equipe, como Adolfo Sachsida, já descartaram publicamente a privatização integral do BB, da Caixa e da Petrobras em pronunciamentos posteriores. A reportagem do JB aponta Daniella Marques como a “mãe” da ideia na campanha atual e Guedes como o “founding father” (pai fundador).

    COMO REAGEM ENTIDADES E QUAL O IMPACTO POTENCIAL NO BRASIL?

    A Contraf-CUT repudiou a articulação em nota divulgada em 22 de outubro. A coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, Fernanda Lopes, afirmou: “Não vamos aceitar que o Banco do Brasil seja entregue, ainda que parcialmente, a interesses estrangeiros. O BB é dos brasileiros e tem que continuar sendo um instrumento de desenvolvimento do nosso país”. A entidade destaca o papel do banco no financiamento da produção agrícola, no apoio a regiões e em programas de crédito, e afirma que qualquer decisão sobre o patrimônio público deve ser transparente e debatida com a sociedade.

    A análise aponta que, mesmo sem perda formal de controle acionário, a presença de um acionista estrangeiro de grande porte com assento no conselho altera a dinâmica de decisão estratégica de uma instituição de economia mista com mais de dois séculos de história e função de política pública. No contexto das eleições de 2026, a discussão se soma a outros temas já cobertos pelo portal, como investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e o caso Banco Master (ver matéria sobre financiamento da mansão e usuário master de conta offshore).

    IMPORTANTE: A reportagem baseia-se em fonte anônima ligada à campanha e não descreve acordo fechado nem operação concreta em andamento. Não há confirmação pública do Bank of America, do governo dos Estados Unidos ou da equipe de Flávio Bolsonaro sobre as conversas específicas. Qualquer operação de entrada de capital estrangeiro no BB precisaria respeitar a legislação societária brasileira, as regras de controle da União e eventuais aprovações regulatórias. A manutenção do controle formal da União não elimina a possibilidade de influência relevante de um sócio minoritário estratégico.

    O QUE ACONTECE AGORA?

    Até o momento, a campanha de Flávio não se pronunciou publicamente de forma detalhada sobre a reportagem do Relatório Reservado. A discussão ocorre em um momento em que o BB enfrenta desafios de inadimplência no agronegócio e o debate eleitoral gira em torno de privatizações, ajuste fiscal e relações com os Estados Unidos. Novos desdobramentos dependerão de posicionamentos oficiais, eventuais reações de mercado e do avanço das investigações que já envolvem o senador em outros casos financeiros.

    FAQ Rápido

    O Bank of America já fechou acordo para entrar no Banco do Brasil?
    Não. A reportagem descreve conversas e articulações em fase preliminar, com base em fonte da campanha. Não há anúncio formal de operação.

    A União perderia o controle do BB nessa proposta?
    Segundo a coluna, não necessariamente. A União manteria o mínimo de 50% mais uma ação. O arranjo permitiria influência do sócio americano via conselho e gestão.

    Qual a reação dos funcionários do Banco do Brasil?
    A Contraf-CUT repudiou a ideia, afirmando que não aceitará entrega, ainda que parcial, de interesses do banco público a capital estrangeiro e que defenderá o caráter público da instituição


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