Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante “vigília” em Brasília na prisão domiciliar do pai condenado por tentativa de golpe de Estado |22.11.2026| Imagem reprodução de vídeo | Ciro Nogueira, então ministro do governo de Jair Bolsonaro, em 2021 / Foto divulgação
| Brasília (DF)
08 de maio de 2026
A rápida sucessão de eventos na política nacional tem mostrado que a memória do eleitor é curta, mas o impacto das investigações da Polícia Federal (PF) é duradouro.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desfrutava dos louros de uma reunião de quase três horas com Donald Trump na Casa Branca — um encontro que o colunista Ricardo Noblat classificou como fruto de “sorte” mas também de “passos certos” —, a direita ensaiava um recuo estratégico nos bastidores.
O cenário político para a oposição azedou rapidamente na última quinta-feira (07/mai) com a deflagração da 5ª fase da Operação Compliance Zero.
O alvo principal, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas e até então cotado para ser o “vice” na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em 2026, viu o mundo desabar.
Segundo a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) , André Mendonça, há indícios robustos de que Ciro Nogueira “instrumentalizou” seu mandato em favor do Banco Master.
Em uma análise minuciosa dos autos, a PF descreve um verdadeiro “mar de lama”, segundo escreve o colunista em seu Blog no Metrópoles, que assustou o clã Bolsonaro.
As suspeitas incluem o recebimento de “mesadas” que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, pagas pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
A ligação entre o poder público e o privado foi escancarada pela chamada “Emenda Master”.
Conforme apurou a imprensa, a Emenda nº 11 à PEC 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira para elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, teria sido redigida integralmente pela assessoria do Banco Master.
Mensagens interceptadas mostram Daniel Vorcaro comemorando que o texto “saiu exatamente como mandei”.
Vale lembrar o contexto: essa revelação ocorre exatamente enquanto Lula estava fora do país. Ao ser questionado sobre as investigações, de Washington, o presidente mandou um recado sóbrio, repetido por Ricardo Noblat: “Espero que todos sejam inocentes”.
A frase, carregada de ironia política, reforça a tese de que, enquanto a direita se despedaça em escândalos, o petista navega com a “sorte” ao lado, mas também com uma estratégia de não se envolver diretamente na lama alheia.
O pânico no ninho bolsonarista
A reação do clã Bolsonaro foi imediata e cirúrgica. Até o dia anterior, Ciro Nogueira era visto como o nome ideal para compor a chapa presidencial.
Em 14 de junho do ano passado, Flávio Bolsonaro afirmou ao jornal Folha de S.Paulo: “quem eu acho que tem todas as credenciais para ser é o Ciro. É nordestino, é de um partido bem forte, tem ali a lealdade que ele sempre teve ao presidente Bolsonaro”.
No entanto, assim que a notícia da operação estourou, a fidelidade evaporou. Em nota oficial citada por Noblat, Flávio Bolsonaro simplesmente “largou a mão” do aliado para não se queimar, afirmando que acompanha “com atenção” as investigações e que os fatos devem ser apurados “com rigor e transparência”.
A tentativa de Flávio de se distanciar de Ciro revela não apenas o instinto de sobrevivência, mas o medo real de que o “mar de lama” descrito pelo colunista engula as pretensões presidenciais da família.
O ato que formalizaria o apoio do PP à reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo, previsto para a próxima segunda-feira (11/mai), já deve ser adiado.
Com Ciro Nogueira proibido de manter contato com outros investigados e empresas de seu núcleo familiar tendo as atividades suspensas, o Centrão agora hesita .
A análise final é que, mesmo longe, Lula venceu mais um round no tabuleiro político, assistindo de camarote a implosão de uma aliança que, até ontem, era dada como certa para 2026.
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