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RESUMO
URBS MAGNA


Brasília (DF)
09 de outubro de 2026

Assalariados, aposentados e estudantes de escola pública passaram a calcular o custo de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Interlocutores da campanha trataram R$ 300 bilhões como referência de corte, e a imprensa descreveu um pacote que mexe no SUS, na educação e no reajuste do INSS e do BPC. A candidatura nega que pretenda retirar pisos constitucionais ou reduzir aposentadorias.

O QUE A EQUIPE DE FLÁVIO DISCUTIU?

O número de R$ 300 bilhões apareceu em 25 de setembro no blog de Caio Junqueira, na CNN Brasil. Interlocutores do candidato chamaram o valor de “número mágico” para estabilizar a dívida pública, enquanto a casa de 82 270 bilhões.

O desenho, segundo a CNN, previa despesa crescendo menos que a receita, fim de exceções do arcabouço e desvinculação de recursos da saúde e da educação. Programas sociais seriam mantidos, com foco em irregularidades. As medidas estavam divididas em leves, médias e duras, sob sigilo, e dependeriam de acordo com o Congresso depois do segundo turno. A campanha repetia o lema “quem não cuida das contas não pode cuidar das pessoas”.

Na quarta-feira (7/out), a Folha de S.Paulo detalhou outro patamar: um ajuste inicial de 2% do PIB, cerca de R$ 250 bilhões. O núcleo, escrito por Fernando Canzian, mirava a desvinculação dos reajustes da Previdência e do BPC em relação ao ganho real do salário mínimo, e o fim dos pisos que atrelam saúde e educação à receita. A saúde ficaria sem a vinculação de 15% da Receita Corrente Líquida; a educação, sem os 18% da Receita Líquida de Impostos. As duas rubricas passariam a ser corrigidas só pela inflação.

A Folha registrou que as propostas foram levadas por interlocutores a empresários e ao mercado ao longo do ano. Em setembro, o assessor Luiz Felipe Trevisan teria exposto a estratégia de uma Super PEC a consultores da Eurasia. A assessoria respondeu que conversa informal, interpretação de terceiros ou especulação não pode ser tratada como posição oficial.

IMPORTANTE: O valor de R$ 300 bilhões e a mudança dos pisos não são, neste momento, lei nem item publicado no plano de governo. São estimativas e estudos atribuídos pela imprensa a interlocutores da equipe. Na quinta-feira (8/out), a campanha afirmou à VEJA que não há proposta de retirar os pisos de saúde e educação nem de cortar aposentadorias. O eleitor lê, portanto, um conflito entre o que foi discutido reservadamente e o que a candidatura assume em nota.

O QUE A CAMPANHA NEGOU?

A VEJA publicou, na quinta-feira (8/out), a nota da equipe. O texto diz: “não haverá corte em benefícios sociais ou nas aposentadorias dos brasileiros” e “o salário mínimo será reajustado acima da inflação”. Em seguida: “Não há nenhuma proposta de retirar os pisos constitucionais de saúde e educação. Flávio não fará economia em cima dos que mais precisam.”

A mesma nota situa o ajuste “pelo lado da despesa, com corte de privilégios e penduricalhos, racionalização de gastos ineficientes e redução de impostos”. Daniella Marques, Rogério Marinho e Adolfo Sachsida são citados como vozes autorizadas. A VEJA lembra que Flávio Bolsonaro e Daniella Marques já falaram em corte de R$ 200 bilhões, sem detalhar a composição. A coordenadora econômica também mencionou, em outras entrevistas, um cardápio de cortes em torno de R$ 1,520 bilhões. A coordenadora econômica também mencionou, em outras entrevistas, um cardápio de cortes em torno de R$ 1,5 trilhões.

A distância entre os três números — R$ 190 bilhões, R$ 250 bilhões e R$ 300 bilhões — não foi fechada pela campanha. O plano público continua genérico. A conta de quem paga, se o ajuste sair das maiores rubricas obrigatórias, é que mobiliza sindicatos e o governo.

POR QUE APOSENTADOS E O SUS ENTRAM NA CONTA?

Mais de 41 milhões de benefícios são pagos pelo INSS, e cerca de 70% acompanham o piso de um salário mínimo. A desvinculação estudada separaria o ganho real de quem está na ativa do reajuste de aposentadorias e do BPC, limitado ao INPC. Projeções atribuídas ao CDPP e citadas a partir da Folha estimam alívio de R$ 1,1 trilhão em dez anos nessa frente, saindo de cerca de R$ 15 bilhões no primeiro ano para R$ 238,5 bilhões anuais em 2035. Saúde e educação, com a complementação do Fundeb, apareceriam com outros R$ 238,5 bilhões anuais em 2035. Saúde e educação, com a complementação do Fundeb, apareceria com outros R$ 800 bilhões no mesmo período.

O efeito não é imediato e depende de PEC, com três quintos da Câmara e do Senado. É por isso que a equipe fala em votar uma Super PEC entre o segundo turno, em 25 de outubro, e a posse. Sem essa maioria, o desenho não sai do papel.

No SUS, corrigir o piso só pela inflação significa que a rede deixa de acompanhar a arrecadação quando a receita cresce acima dos preços. José Luís Oreiro, professor da UnB, disse ao Brasil de Fato: “Ao reduzir gasto com saúde hoje, você aumenta taxas de mortalidade, aumenta hospitalizações.” Juliane Furno, da UFF, classificou o pacote como “um ajuste no lombo do trabalhador”.

ESTUDANTES E INSTITUTOS FEDERAIS TAMBÉM ESTÃO NO RAIO?

Sim, se a desvinculação e o corte de despesa discricionária saírem do papel. O piso de 18% da educação está na Constituição desde 1988. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse a O Globo — e foi repercutido pelo Brasil de Fato e por Lula — que um ajuste desse tamanho atingiria bolsas da Capes e o Pé-de-Meia. “O Pé-de-Meia é o primeiro a acabar”, afirmou. O MEC concentra cerca de R$ 43 bilhões em despesas discricionárias.

Na terça-feira (6/out), a CTB registrou o alerta da CNTE. A presidente Fátima Silva disse que a desvinculação “é enterrar de vez a possibilidade de um piso para os demais profissionais da educação que não seja professor” e que “não tem nenhuma política que não seja atingida com esse corte, inclusive a alimentação escolar”. O governo Lula autorizou 19 novas unidades de institutos federais em 12 estados; a rede federal é o contraponto que a campanha de Lula usa no segundo turno.

Lula escreveu, na quarta-feira (7/out), que cortar R$ 200 bilhões “é decretar, na prática, o fim do Pé-de-Meia” e significaria, no alerta do ministro, fechar universidades e institutos, parar obras e dispensar serviços terceirizados. Essa é a leitura do Palácio, não um ato já editado pela oposição.

O QUE ACONTECE AGORA?

O segundo turno é em 25 de outubro. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula, por 47% a 45%, segundo a VEJA. A análise aponta que a disputa fiscal deixou de ser abstrata: o eleitor de salário mínimo, o aposentado do piso e o estudante de instituto federal passaram a ser o centro da conta, enquanto a campanha tenta manter o corte na rubrica de privilégios e a Folha descreve as maiores despesas obrigatórias como alvo das conversas com o mercado.

A antecedência importa. Em 21 de abril, a própria Folha já havia publicado que a equipe estudava corrigir aposentadorias, saúde e educação só pela inflação, com economia potencial de dois pontos do PIB. O tema não nasceu na reta final. O que mudou em setembro e outubro foi o calendário: uma PEC entre a urna e a posse, antes que o novo governo precise negociar o Orçamento de 2027 sob o peso de uma promessa já cobrada pelo mercado.



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1 comentário em “Assalariados e aposentados temem arrocho de Flávio; estudantes também podem perder ensino público?”

  1. Preocupante. No primeiro turno votei em Caiado, mas preciso proteger meus pais. Segundo turno é Lula

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文

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