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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    04 de novembro de 2026

    A Fitch Ratings confirmou a classificação internacional de crédito da Petrobras em BB, com perspectiva estável, mas elevou de bbb para bbb+ a avaliação independente da capacidade financeira da companhia. A decisão reconhece a solidez operacional da estatal, embora mantenha seu rating condicionado à situação soberana brasileira.

    O comunicado foi publicado pela agência em 3 de novembro de 2026 e apresenta uma avaliação que distingue a capacidade financeira própria da Petrobras dos riscos associados à sua relação com o Estado brasileiro.

    A classificação nacional também foi mantida em AAA(bra), igualmente com perspectiva estável.

    PETROBRAS MELHORA SUA AVALIAÇÃO INDEPENDENTE

    O principal avanço anunciado pela Fitch está na elevação do chamado Perfil de Crédito Individual (SCP, na sigla em inglês) da Petrobras, que passou de bbb para bbb+.

    Essa avaliação considera a capacidade de uma empresa honrar seus compromissos financeiros sem incorporar diretamente os efeitos de eventuais apoios ou restrições relacionados ao governo controlador.

    Segundo a agência, a melhora reflete uma combinação de fatores: governança demonstrada, eficiência administrativa, grande escala operacional, diversificação, reservas robustas, baixo endividamento e geração consistente de caixa.

    A Fitch também reconhece que a Petrobras conseguiu fortalecer sua estrutura de capital e reduzir sua exposição à intervenção governamental.

    A avaliação, entretanto, não representa uma mudança equivalente na classificação internacional da empresa.

    POR QUE A NOTA INTERNACIONAL CONTINUA EM BB?

    A explicação está na relação entre a Petrobras e o governo federal.

    Embora a capacidade financeira individual da companhia tenha recebido uma avaliação superior à classificação soberana brasileira, a Fitch considera que a influência do Estado sobre as decisões estratégicas e financeiras impede que a estatal tenha uma classificação internacional independente do risco do país.

    O governo federal detém atualmente 50,3% dos direitos de voto da Petrobras, direta e indiretamente. A legislação exige que a União mantenha o controle majoritário da companhia.

    Essa participação faz com que a agência aplique seus critérios específicos para empresas vinculadas a governos.

    Na interpretação da Fitch, não existe uma separação jurídica suficiente para isolar completamente os fluxos financeiros da Petrobras de uma eventual interferência soberana.

    Assim, mesmo com uma avaliação individual de bbb+, as notas internacionais de longo prazo permanecem em BB, acompanhando a classificação do Brasil.

    A agência também manteve a perspectiva estável.

    PRODUÇÃO, RESERVAS E ENDIVIDAMENTO PESAM POSITIVAMENTE

    A avaliação favorável da capacidade operacional da Petrobras está relacionada à sua posição entre as grandes produtoras mundiais de hidrocarbonetos.

    A Fitch projeta que a produção da companhia ultrapasse 3,2 milhões de barris de óleo equivalente por dia até 2029, ante aproximadamente 3 milhões registrados em 2025.

    A vida útil das reservas provadas, conhecidas como reservas 1P, deverá permanecer próxima de 11 anos.

    Outro indicador considerado positivo é o nível de endividamento. A agência projeta que a alavancagem permaneça abaixo de uma vez durante o horizonte de avaliação.

    Em 2025, a relação entre dívida e EBITDA da Petrobras ficou em 0,6 vez, segundo os números apresentados pela Fitch.

    Esse resultado foi melhor que os indicadores mencionados pela agência para ConocoPhillips, BP, Occidental Petroleum e Eni.

    A comparação reforça a avaliação de que a Petrobras possui uma estrutura financeira competitiva diante de grandes empresas internacionais do setor.

    LIQUIDEZ E ACESSO AO MERCADO FINANCEIRO

    A Fitch também classificou como robusta a posição de liquidez da companhia.

    Em 30 de junho de 2026, a Petrobras possuía US$ 6,5 bilhões em caixa, diante de vencimentos de dívida financeira de US$ 1,6 bilhão previstos para o restante daquele ano.

    Além disso, a empresa contava com US$ 7,3 bilhões em linhas de crédito rotativo disponíveis no encerramento do primeiro semestre.

    Outro elemento favorável é o perfil de vencimento da dívida: 69% dos compromissos financeiros estavam programados para depois de 2029.

    A agência reconhece que a Petrobras mantém acesso aos mercados doméstico e internacional de capitais, embora considere que as condições de financiamento no Brasil limitam parcialmente sua flexibilidade financeira.

    O QUE A FITCH PROJETA PARA OS PRÓXIMOS ANOS

    A avaliação considera um conjunto de premissas econômicas e operacionais para o horizonte de classificação.

    Entre elas estão:

    • Petróleo Brent caminhando para US$ 60 por barril até 2028.
    • Taxa de câmbio média próxima de R$ 5,50 por dólar.
    • Produção em torno de 3,2 milhões de barris de óleo equivalente por dia nos próximos quatro anos.
    • Custo médio de extração de US$ 6 por barril.
    • Utilização das refinarias em 94%.
    • Investimentos anuais médios de US$ 19 bilhões.
    • Capacidade de refinanciar integralmente os vencimentos anuais, a uma taxa média de juros de 7%.
    • Distribuição de US$ 44 bilhões em dividendos nos próximos quatro anos.

    A Fitch também informa que não considerou novas receitas provenientes da venda de ativos durante o período analisado.

    Essas premissas ajudam a compreender os parâmetros utilizados pela agência. Não representam garantias de resultados futuros nem compromissos necessariamente assumidos pela companhia.

    O RISCO BRASILEIRO CONTINUA SENDO UM FATOR DECISIVO

    A avaliação apresenta uma distinção importante para compreender a posição da Petrobras no mercado internacional.

    A estatal possui indicadores operacionais e financeiros que, segundo a Fitch, justificam uma classificação individual superior à nota soberana brasileira. Entretanto, sua estrutura de controle e a possibilidade de influência governamental impedem que essa vantagem se traduza integralmente no rating internacional.

    A agência identifica três fatores que poderiam provocar uma avaliação negativa: eventual rebaixamento da classificação soberana do Brasil, redução do acesso da Petrobras a fontes de financiamento e deterioração do ambiente operacional brasileiro.

    No sentido contrário, uma melhora na classificação soberana do país poderia favorecer uma elevação da nota internacional da companhia.

    A análise evidencia que o desempenho empresarial e o risco soberano são dimensões diferentes, mas interligadas na avaliação de uma estatal sob controle governamental.

    Para a Petrobras, a melhora dos indicadores próprios é reconhecida pela agência, mas a classificação internacional continua dependente também das condições econômicas e institucionais do Brasil.

    O que significa a classificação BB?

    A classificação BB atribuída pela Fitch à Petrobras indica que a empresa apresenta capacidade de cumprir suas obrigações financeiras, mas está exposta a riscos maiores do que companhias classificadas na categoria de grau de investimento. Na escala internacional da agência, notas de AAA a BBB- são consideradas grau de investimento; classificações abaixo desse patamar, como BB, pertencem à categoria especulativa. Isso não significa que a empresa esteja inadimplente, mas que sua capacidade de honrar dívidas pode ser mais vulnerável a mudanças econômicas e financeiras.

    A avaliação BBB+, por sua vez, refere-se ao perfil de crédito individual da Petrobras — isto é, à análise de sua força financeira própria, sem considerar integralmente o possível apoio do governo brasileiro. Já a nota internacional BB permanece vinculada, entre outros fatores, ao risco de crédito soberano do Brasil.

    Classificações

    Classificação Significado
    BB Nota internacional da Petrobras. Indica capacidade de pagamento, mas com risco de crédito superior ao das empresas classificadas como grau de investimento.
    BBB+ Perfil de crédito individual (SCP). Representa a avaliação da força financeira própria da companhia, antes de considerar integralmente o apoio do governo.
    AAA(bra) Classificação na escala nacional brasileira, que indica a posição de crédito da empresa em comparação com outros emissores avaliados no Brasil.
    Perspectiva estável Indica que a Fitch não sinaliza, naquele momento, uma tendência definida de elevação ou rebaixamento da classificação.

    Fonte: Fitch Ratings. As classificações seguem escalas e critérios distintos e não devem ser comparadas diretamente entre si.

    FAQ RÁPIDO

    Qual nota a Fitch manteve para a Petrobras?
    A agência confirmou a classificação internacional BB, com perspectiva estável, e manteve a nota nacional AAA(bra).

    O que melhorou na avaliação da Petrobras?
    A avaliação independente de crédito da companhia subiu de bbb para bbb+, refletindo avanços na governança, na operação e na estrutura financeira.

    Por que a Petrobras não recebeu uma nota internacional maior?
    Porque a Fitch considera que o controle do governo brasileiro e a classificação soberana do país limitam a nota internacional da estatal.


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