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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    29 de setembro de 2026

    O site PlatôBR publicou nesta terça-feira (29/set) que Alexandre Ferreira Dias Santini levou a Fernanda Bolsonaro fotos e mensagens sobre festas com garotas de programa das quais o marido, o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teria participado. O caso interessa à disputa presidencial porque choca o discurso de família e fé usado na campanha.

    O QUE O PLATÔBR AFIRMA TER OCORRIDO?

    A reportagem, assinada por Rodrigo Rangel, descreve um acervo de mensagens, áudios, documentos e fotografias guardado por Santini, ex-amigo e ex-sócio de Flávio na franquia da Kopenhagen Bolsotini Chocolates e Café Ltda., na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Segundo o site, o empresário organizava encontros privados e se referia ao senador como “meu filho”.

    Há cerca de três anos, no rastro da campanha de 2022 e de uma briga por dinheiro, Santini teria procurado a dentista para sustentar que o parlamentar frequentava esses encontros. O UOL, a CartaCapital, a Revista Fórum e o Diário Carioca reproduziram o núcleo da apuração e confirmaram a atribuição ao PlatôBR.

    IMPORTANTE: A publicação descreve material atribuído a Santini e mensagens reproduzidas pelo site. Não se trata, até aqui, de sentença judicial sobre os encontros. O UOL informou que procurou a campanha de Flávio e aguardava posicionamento.

    QUAIS MENSAGENS O SITE REPRODUZIU?

    Em conversa com uma mulher identificada como agenciadora, Santini teria escrito:

    “Fala bb, tudo bem? Eu estava viajando de férias e voltei hj. Vamos marcar outra festinha igual a do grand hyatt. Com os mesmos amigos meus… meu filho + João Pedro. Vc arruma as meninas?”

    Depois precisou o pedido: “Vc e mais 3 meninas. Só preciso confirmar a data e horário com os amigos. Precisa ser tudo sigiloso. Pois nessa época de eleição tá Fodaaaa.” Ao ser perguntado sobre o perfil, respondeu: “Tipo gostosa! Vc conhece o q a gente gosta. Me manda as fotos. Tem q ser novidade.”

    O PlatôBR situa parte dos encontros no hotel Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, e menciona também registros em Brasília. O veículo afirma que Santini guardou imagens de momentos íntimos e as apresentou a Fernanda.

    O QUE FLÁVIO TERIA ESCRITO DEPOIS QUE A MULHER VIU O MATERIAL?

    A reportagem reproduz uma mensagem longa atribuída ao senador, enviada a Santini após o contato com a esposa:

    “Não sei o que vc está ganhando querendo destruir meu casamento e minha família, mas saiba que Deus te usou pra me fazer um pai, um marido e uma pessoa melhor. Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com a minha família. Peço que se afaste definitivamente da Fernanda, não ligue mais, não procure mais, arrume outra dentista.”

    No mesmo texto, Flávio pede que o ex-aliado deixe Brasília e afirma que a família é “algo que foi Deus que criou”. A mensagem não detalha quais seriam as “escolhas erradas”. O PlatôBR associa o recado ao episódio em que Santini levou fotos e prints à dentista.

    Segundo o site, Santini ainda usou consultas no consultório de Fernanda, no Plano Piloto, para cobrar um acerto financeiro.

    QUAL O PANO DE FUNDO DA BRIGA ENTRE OS SÓCIOS?

    A sociedade na loja de chocolates atravessou as investigações das chamadas “rachadinhas” no gabinete de Flávio na Alerj. O inquérito do Ministério Público do Rio de Janeiro chegou a incluir o casal; processos posteriores foram arquivados por decisão judicial, o que não apaga o registro institucional da apuração.

    Santini enviou notificação extrajudicial em 28 de setembro de 2023 cobrando R$ 1,4 milhão, segundo o PlatôBR. A reportagem liga o dinheiro que circulava entre os dois — inclusive o usado nas festas, na versão do site — à mesma rede de despesas e negócios que o MP-RJ descreveu anos antes.

    O dossiê publicado nesta terça-feira (29/set) não se limita à vida privada. O site apresenta nota fiscal de um Rolex Submariner Date em ouro branco, de R$ 305 mil, comprado em 10 de fevereiro de 2022 em nome do advogado Alan Belaciano, e mensagens em que Santini cobra de Flávio uma intermediação junto ao gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do STF. Depois do recado, Flávio teria marcado encontro: “Terça às 15:00 no meu gabinete ok”. Santini, mais tarde, escreveu que o “assunto está encerrado”.

    COMO ISSO ENCONTRA O DISCURSO DE “HOMEM DE DEUS”?

    Em 25 de julho, na convenção do PL no Pacaembu, Fernanda apresentou o marido ao eleitorado e disse, segundo a Band: “eu e as nossas filhas temos muito orgulho da coragem de você seguir nessa missão e do homem de Deus que você se tornou”. O casal também divulgou batismo nas águas do Rio Jordão. A campanha de 2026 recorre a esse repertório para falar com o eleitorado evangélico e com mulheres.

    A análise aponta o contraste factual — e não uma sentença moral privada — como o ponto político da reportagem: o mesmo núcleo familiar que vende restauração cristã agora aparece, em documentos de um ex-sócio, associado a festas sigilosas, mimos de lobby e tentativa de silêncio doméstico. Em uma democracia sob escrutínio eleitoral, a distância entre o palanque e o arquivo do antigo parceiro deixa de ser só intimidade e vira matéria de interesse público.

    O QUE ACONTECE AGORA?

    Até o fechamento desta edição, não havia nota pública da campanha de Flávio sobre as fotos e as mensagens do Hyatt. O UOL registrou que buscava o posicionamento. Santini, segundo o próprio PlatôBR, ainda ostentava apoio ao senador em redes, o que não desfaz o conteúdo que entregou ao jornalismo.

    FAQ Rápido

    O que Fernanda Bolsonaro teria visto?
    Segundo o PlatôBR, fotos e mensagens que Santini apresentou como prova de encontros do marido com garotas de programa, inclusive registros ligados ao Grand Hyatt.

    Flávio admitiu os encontros?
    A mensagem reproduzida pelo site fala em “muitas escolhas erradas” e pede que Santini se afaste de Fernanda. O texto não descreve os encontros um a um.

    Isso já foi julgado?
    Não. Trata-se de reportagem baseada em acervo de um ex-sócio. A disputa de R$ 1,4 milhão e o histórico da loja de chocolates pertencem a outro capítulo, em parte já judicializado e arquivado.



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