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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    06 de outubro de 2026

    a literatura de ciência política não trata a ascensão da extrema-direita como acidente eleitoral. Pesquisas associam o fenômeno à perda de status de setores trabalhadores, à reação cultural contra mudanças de costumes e a uma infraestrutura digital que premia indignação — combinação que, no Brasil, voltou ao debate institucional com as 46 diretrizes do CGI.br.

    O que muda, quando se lê o conjunto, é a escala da explicação. Não se trata de um país, de um líder ou de um aplicativo. O mesmo desenho aparece em democracias ricas e em sociedades marcadas por desigualdade, com pesos diferentes para emprego, imigração, segurança pública e plataformas.

    O QUE A PESQUISA DIZ?

    O argumento mais citado nessa literatura é o de Pippa Norris e Ronald Inglehart, então ligados à Universidade Harvard. No artigo de trabalho de 2016, Trump, Brexit e a Ascensão do Populismo: Desfavorecidos Econômicos e Reação Cultural, registrado pelo Illiberalism Studies Program, e depois no livro Cultural Backlash, de 2019, os autores testam duas hipóteses:

    A primeira é a insegurança econômica: desindustrialização, empregos de baixa qualificação, perda de proteção e sensação de descenso social.
    A segunda é a reação cultural. Gerações mais jovens e mais escolarizadas teriam empurrado as sociedades ocidentais para valores pós-materialistas — direitos de gênero e de pessoas LGBTQIA+, secularização, abertura à diversidade —, e setores conservadores teriam respondido com um recuo autoritário.

    Uma síntese pública dessa tese, reunida em material da ONU a partir do livro, descreve o cultural backlash como reação à “revolução silenciosa” de valores socialmente liberais. O mesmo material registra a hipótese econômica concorrente: um novo subproletariado vulnerável a mercados globais, com baixa escolaridade, emprego instável e dependência de benefícios. Norris e Inglehart concluem, no working paper, que a evidência comparada favorece de modo mais consistente a tese cultural. Isso não apaga a economia. Indica que renda isolada explica menos do que geração, escolaridade, religiosidade e atitudes diante da diversidade.

    Noam Gidron e Peter A. Hall deslocam o eixo para o status. No artigo The politics of social status, publicado em 2017 no British Journal of Sociology, e em texto na London School of Economics, examinam homens brancos sem diploma em democracias desenvolvidas. Usando pesquisas ISSP, mostram que, em quase todos os países da amostra, esses homens se colocavam mais baixo na “escada social” em 2014 do que duas ou três décadas antes. Status subjetivo mais baixo aparece associado a voto na direita populista, à crença de que é preciso ser corrupto para vencer na vida e a maior oposição à imigração.

    A ponte entre as duas escolas é útil para ler o voto popular. Gidron e Hall não escolhem economia ou cultura. Argumentam que o desaparecimento de empregos manuais decentes — bem pagos e com alguma estabilidade — e a perda de reconhecimento social se reforçam. O operário não perde só salário. Perde o lugar de onde falava com autoridade na família, no bairro e na política. É nesse vazio que a promessa de restauração encontra escuta.

    Cas Mudde, cientista político de referência sobre populismo radical de direita, acrescenta uma peça que fala diretamente com a esquerda: o chauvinismo de bem-estar. A oferta não é extinguir o Estado social. É mantê-lo e restringi-lo a “nativos de bem”, excluindo imigrantes e grupos descritos como indignos sob o argumento da escassez. Em coluna no The Guardian de 26 de setembro de 2026, Mudde alerta ainda contra a narrativa única de “mainstream acuado pela extrema-direita”. Nas eleições regionais alemãs daquele mês, a AfD chegou a 43,8% em um dos pleitos, mas o bloco de esquerda também avançou, e jovens mulheres votaram majoritariamente à esquerda em Berlim. O crescimento é real. Não é linear nem universal.

    O VOTO POPULAR

    A ruptura com o alinhamento histórico de parte das classes populares com a esquerda não exige uma causa única. O terreno descrito pelos estudos é de interação. Onde o emprego industrial estável encolheu, o discurso de abandono encontra ouvido. Onde a pauta pública dos partidos de centro-esquerda passou a ser lida como distante da segurança econômica cotidiana, a acusação de “abandono do povo” cola mesmo quando os dados de renda são mistos.

    Jan-Werner Müller, em What Is Populism?, oferece a gramática política desse deslocamento. Resenha no Journal of Democracy resume a tese: o populismo, para Müller, não é qualquer crítica a elites. É a reivindicação de representar sozinho um povo homogêneo e autêntico, e a exclusão dos adversários como quem está fora desse povo — ou como “inimigos do povo”. Em ensaio na London Review of Books, Müller descreve uma arte de governar compartilhada por líderes tão distintos quanto Orbán, Trump e Bolsonaro: nacionalismo, captura do Estado por leais e uso da economia como clientela. A frase de campanha de Trump que ele cita, de maio de 2016, condensa o método: “A única coisa importante é a união do povo, porque os outros povos não significam nada.”

    Essa moldura moral facilita a transferência de lealdade. O problema deixa de ser o programa — salário, ônibus, posto de saúde — e passa a ser a identidade de quem fala. Universidade, imprensa e Judiciário podem ser redesenhados como elite contra o povo. A análise aponta que o risco democrático não está na existência de oposição conservadora, e sim na substituição do adversário por inimigo existencial. Sem pluralismo, a eleição deixa de ser regra do jogo e vira etapa de exclusão.

    Na América Latina, a segurança pública adiciona uma camada que a média europeia não cobre sozinha. Pesquisas de opinião e estudos de comportamento eleitoral têm mostrado, em vários países da região, que o discurso de “tolerância zero” captura eleitorado popular quando a violência é experiência diária. A esquerda tradicional tende a explicar a criminalidade pela raiz estrutural, solução de prazo longo. A extrema-direita oferece autoridade policial imediata. Não é preciso concordar com a eficácia dessa oferta para reconhecer o apelo. O eleitor que teme o caminho de casa não espera o ciclo de uma geração.

    Há ainda a apropriação invertida de Antonio Gramsci. Estrategistas da direita radical passaram a tratar a hegemonia cultural como guerra cotidiana: canais de vídeo, editoras, documentários históricos e influenciadores que disputam o senso comum antes do voto. A ironia é política, não filológica. Gramsci pensava a hegemonia a partir do trabalho e da organização de classe. O uso contemporâneo reduz o conceito a disputa de narrativa, muitas vezes contra a própria produção universitária. O efeito prático, porém, está descrito em estudos de comunicação: um ecossistema paralelo que dispensa o jornalismo profissional como fonte de verdade.

    AS REDES E O MÉTODO

    A antropóloga Letícia Cesarino, professora do Departamento de Antropologia da UFSC, é uma das autoras brasileiras que mais sistematizaram essa infraestrutura. Em 2022, publicou O Mundo do Avesso: Verdade e Política na Era Digital, pela Ubu. Na entrevista à Folha de S.Paulo daquele ano, defendeu que outras forças políticas ocupassem as redes e não deixassem a extrema-direita “jogar sozinha”. O argumento não é de neutralidade da técnica. É de viés: a infraestrutura favorece populismo reacionário e conspiracionismo porque premia afeto e coesão de grupo.

    No sábado (3/out), a Folha de S.Paulo voltou ao tema a partir de Ecologias de Crise, também pela Ubu. Cesarino descreve plataformas como o Discord como ambientes que moldam socialização e identidade, com crianças e adolescentes particularmente expostos. A ideia de ecologia, inspirada em Gregory Bateson, junta modelo de negócio, algoritmo e trajetória individual. A frase que a entrevista destaca é direta: “Existe a espiral de radicalização — o modo como os algoritmos e os ambientes digitais participam, moldam e aceleram o que era a radicalização no mundo pré-digital.” Ela foi assessora do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania em 2023 e 2024. O cargo ajuda a situar a autora; não transforma o livro em política oficial.

    O mecanismo econômico das plataformas abertas é conhecido e não depende de intenções ideológicas da empresa. O modelo de anúncios paga por tempo de tela. Publicação que gera raiva, medo ou repulsa tende a receber mais curtida, comentário e compartilhamento do que explicação longa. Sistemas de recomendação escalam o interesse. Um vídeo sobre segurança ou custo de vida pode ser seguido, em poucos dias, por material mais intenso. O usuário não precisa buscar o extremo. A aba “Para você” entrega a próxima dose para manter a sessão aberta.

    A bolha completa o circuito. Para reduzir a chance de o usuário fechar o aplicativo, o sistema esconde o contraditório. O eleitor passa a encontrar só confirmação. A narrativa do “nós contra eles” deixa de ser retórica de comício e vira experiência de navegação. Quem discorda parece minoria, elite ou complô. Estudos de comunicação política descrevem esse efeito como câmara de eco, não como teoria da conspiração sobre um botão secreto.

    O microdirecionamento fragmenta ainda mais a mensagem. Em vez de um discurso único, como na televisão aberta, a comunicação chega por dor. O jovem sem emprego recebe o vídeo sobre imigrante ou cota. A mãe recebe o conteúdo sobre escola e infância. A vantagem metodológica é a personalização do medo. A limitação, registrada por pesquisadores e por reguladores, é que as plataformas restringiram parte desse targeting político nos últimos anos, sem eliminar a segmentação orgânica feita pelo próprio algoritmo.

    Criadores aprendem a regra de prestígio. Vídeo curto, corte rápido, frase de efeito e confronto performático rendem mais do que debate institucional. A extrema-direita adaptou a estética nativa — meme, ironia, “denúncia urgente” — com mais rapidez do que partidos acostumados a nota oficial e entrevista longa. A militância vira entretenimento. O programa fica para depois, se ficar.

    WHATSAPP E TELEGRAM

    Nas redes abertas, o algoritmo recruta. Nos aplicativos de mensagem, a operação retém, radicaliza e mobiliza. A literatura de monitoramento classifica parte dessa atuação como comportamento inautêntico coordenado: pauta centralizada, distribuição por hubs e recirculação por usuários reais. O desenho descrito em estudos de redes políticas tem três tempos. Um núcleo, muitas vezes ligado a gabinete ou agência, produz o material do dia. Canais grandes de Telegram funcionam como depósito. Grupos de WhatsApp de família, trabalho e igreja fazem a última milha.

    A criptografia de ponta a ponta muda o problema da checagem. O ataque à reputação de um jornalista, de uma urna ou de um ministro ocorre em ambiente que agências públicas não varrem em tempo real. Imagem e meme carregam a carga emocional. Estudos de mensageria política indicam que imagens podem representar parcela relevante do fluxo coordenado, porque ridicularizam o adversário e heroizam o líder em um olhar. Não é preciso ler um parágrafo.

    O maior vetor não é o robô. É o conhecido. Depois da viralização inicial, o cidadão comum reencaminha. A barreira crítica cai porque a mensagem chega de alguém de confiança. Esse ponto aparece em análises brasileiras de desinformação eleitoral e em estudos internacionais de redes de extrema-direita no Telegram. O método é comparável. Os conteúdos são locais.

    A destruição da imprensa fecha o circuito. Se o veículo profissional “sempre mente”, o grupo de mensagem vira a única fonte. O vácuo informativo é o produto. É esse vazio que as diretrizes brasileiras de transparência e de compensação ao jornalismo tentam enfrentar, segundo o release do CGI.br.

    IMPORTANTE: Nada disso significa que o algoritmo cria a extrema-direita, nem que todo usuário de rede seja manipulado. A literatura descreve amplificação: a arquitetura premia afeto intenso e fragmenta a mensagem por público. Também não autoriza tratar opinião conservadora como delito. O alvo regulatório recorrente, na União Europeia e nas diretrizes brasileiras, é a arquitetura — contas falsas, anúncio opaco, falta de transparência —, não a palavra isolada.

    O QUE OS GOVERNOS PASSARAM A EXIGIR?

    A União Europeia fixou o padrão mais citado com o Digital Services Act, Regulamento (UE) 2022/2065. Para plataformas e buscadores de muito grande porte, a Comissão Europeia pode aplicar multa de até 6% do faturamento global anual do exercício anterior por descumprimento substantivo, nos termos do artigo 74. Falhas procedimentais, como informação incorreta ou recusa de inspeção, têm teto menor, de 1%. O artigo 52 obriga os Estados-membros a prever penas efetivas, proporcionais e dissuasórias, com o mesmo teto de 6% para o descumprimento geral. As obrigações materiais incluem avaliação de riscos sistêmicos, entre eles processos eleitorais, e mais transparência sobre sistemas de recomendação. O regulamento não é uma lei de censura de opinião. É um regime de deveres para intermediários.

    No Reino Unido, o Online Safety Act segue outra engenharia, com deveres ativos de proteção contra conteúdo ilegal e danos a crianças. A comparação serve para mostrar que não há um modelo único. Há uma convergência: a plataforma deixa de ser tratada só como hospedeira neutra quando o próprio desenho do serviço amplia o risco.

    No Brasil, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) apresentou em 17 de setembro, em São Paulo, o documento com 46 diretrizes para regulação de plataformas de redes sociais. O release do comitê define o texto como guia conceitual, desdobramento dos 10 Princípios para a Regulação de Plataformas apresentados em agosto de 2025. As recomendações se organizam em seis eixos: soberania e jurisdição nacional; transparência; economia e concorrência; direitos humanos; prevenção e responsabilidade; governança e regulação assimétrica.

    A diretriz 1 pede representação legal ou escritório no país para plataformas estrangeiras que ofertem serviço ao público brasileiro. A diretriz 4 trata de interferência em processos eleitorais, inclusive disparos em massa e monetização de conteúdo antidemocrático. A diretriz 6 exige publicação de regras de moderação, métricas de remoção — se por automação ou denúncia — e equipes humanas capazes de ler o contexto cultural brasileiro. A diretriz 11 pede rotulagem de conteúdo sintético gerado por inteligência artificial, com direito de contestação. A diretriz 15 limita a autopreferência de produtos próprios em buscas e feeds de agentes de relevância sistêmica. A diretriz 24 fala em interoperabilidade. A diretriz 26 pede testes contra discriminação algorítmica de raça, gênero ou condição social. A diretriz 35 trata de compensação ao jornalismo pelo uso de conteúdo. A diretriz 40 diferencia o dever de prevenção conforme o grau de interferência do serviço na circulação. A diretriz 46 mantém a governança multissetorial. O documento está em cgi.br/pagina/diretrizes-plataformas.

    A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, disse à Agência Brasil: “Nosso objetivo é oferecer balizas previsíveis e aplicáveis que fortaleçam o Estado Democrático de Direito e a integridade informacional, preservando a inovação e a diversidade na Internet.” O próprio documento, citado pela agência, afirma que quanto maior a interferência da rede na distribuição de conteúdo de terceiros, maior o dever de prevenção e o potencial de responsabilização.

    O G1 registrou que as diretrizes não têm efeito prático imediato, porque o comitê é consultivo. Podem, porém, embasar projetos e decisões sobre o ECA Digital e o Marco Civil da Internet, Lei nº 12.965/2014. Três dias antes do lançamento, em 14 de setembro, houve audiência no Congresso. O conselheiro Rafael Evangelista descreveu monetização e recomendação como “caixa-preta” e afirmou que atores produzem desinformação também por estímulo econômico, com pagamento em dólar em um país de alta desigualdade. Fernanda Campagnucci, diretora-executiva do InternetLab, defendeu a passagem da lógica do conteúdo individual para a lógica sistêmica: a plataforma responderia menos por um erro pontual de moderação e mais por não manter mecanismos adequados de gestão de risco.

    O UOL e a ABERT repercutiram o mesmo lançamento em 17 e 18 de setembro. O histórico do CGI.br, lembrado no release, inclui os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet, de 2009, base do Marco Civil, e contribuições à LGPD, Lei nº 13.709/2018.

    IMPORTANTE: As 46 diretrizes não são lei, decreto ou regulamento da Anatel. Não obrigam Meta, Google, TikTok ou X a mudar o algoritmo amanhã. São parâmetros de um colegiado multissetorial para orientar Congresso, Judiciário e órgãos reguladores. Quem afirmar que o CGI.br “proibiu” um discurso ou “censurou” uma conta está descrevendo um documento que não tem esse efeito. A limitação está registrada tanto pelo G1 quanto pela Agência Brasil.

    O QUE FICA EM ABERTO?

    A bibliografia explica o terreno e o método. Não entrega antídoto eleitoral. Norris e Inglehart encontram evidência mais consistente para a reação cultural do que para a insegurança econômica isolada, conforme o working paper reunido pelo Illiberalism Studies Program. Gidron e Hall mostram, no British Journal of Sociology, que as duas dimensões se encontram no status. Mudde, no The Guardian, registra que a leitura derrotista esconde avanços da esquerda em cidades e entre jovens mulheres.

    No Brasil, a segurança pública, a desigualdade e a circulação em aplicativos fechados adicionam camadas que a média europeia não cobre sozinha. A regulação tenta alcançar a arquitetura — transparência, rotulagem de IA, representação legal, responsabilidade por anúncio impulsionado — sem transformar crítica política em censura. O impasse é o mesmo em Bruxelas e em São Paulo. Movimentos de extrema-direita usam cada remoção de conta como prova de perseguição. Por isso os textos mais recentes insistem em punir conta falsa, financiamento oculto e opacidade do algoritmo, não a lista de palavras proibidas.

    A questão que a regulação ainda não responde é prática. Transparência algorítmica e responsabilidade por anúncio pago reduzem o custo da desinformação coordenada, ou apenas deslocam a operação para canais menos visíveis? As 46 diretrizes do CGI.br oferecem parâmetros. A lei, se vier, é outra etapa. O voto popular, enquanto isso, continua sendo disputado no terreno que a pesquisa já descreveu: status, medo, pertencimento e a tela que decide o que aparece em seguida.

    FAQ Rápido

    A extrema-direita cresce só por causa da economia?
    Não, segundo a literatura citada. Norris e Inglehart dão peso maior à reação cultural, no working paper de 2016. Gidron e Hall argumentam, na LSE, que economia e cultura se encontram na perda de status subjetivo, sobretudo entre homens sem diploma.

    As 46 diretrizes do CGI.br já valem como lei?
    Não. O CGI.br é órgão consultivo. O documento de 17 de setembro, segundo o G1 e a Agência Brasil, orienta projetos e decisões; não cria obrigação automática para as plataformas.

    O algoritmo cria a extrema-direita?
    Não. Pesquisadores como Letícia Cesarino, na Folha de S.Paulo, descrevem as plataformas como infraestrutura que acelera e molda radicalizações já existentes, porque o engajamento premia emoção intensa.



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