Carla Zambelli / Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles | Alexandre de Moraes / Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles
| Brasília (DF)
20 de maio de 2026, 12h15
PT aciona TSE contra “Dark Horse” com base em R$ 61 mi do Banco Master (Daniel Vorcaro) intermediados por Flávio Bolsonaro. Ação pede suspensão até eleições, cita caixa 2, lavagem de dinheiro e precedente de 2022. Flávio admitiu ter mentido sobre relação com o banqueiro.
Para além da pressa burocrática, a determinação de Alexandre de Moraes busca encerrar um capítulo de tensão entre os Poderes e reafirmar a força das decisões judiciais brasileiras no exterior.
A ordem, direcionada ao Ministério da Justiça e ao Itamaraty, acelera o cumprimento de penas que já superaram todas as possibilidades de recurso.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o governo brasileiro adote “as providências necessárias à efetivação da extradição” da ex-deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP).
A decisão atende a uma comunicação oficial da Corte de Apelação de Roma, que autorizou a entrega da ex-parlamentar ao Brasil.
A ordem de Moraes atinge dois processos distintos nos quais Zambelli foi condenada pelo STF:
O primeiro, com pena de 10 anos de prisão, refere-se à contratação do hacker Walter Delgatti Neto para invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir um mandado de prisão falso contra o próprio ministro.
O segundo, com condenação de 5 anos e 3 meses de reclusão, é pelo crime de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, cometido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo com uma arma em punho.
De acordo com a legislação italiana, a última palavra sobre a extradição caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, após o esgotamento de todos os recursos possíveis na Corte de Cassação de Roma.
A defesa de Zambelli, que está presa na capital italiana desde julho do ano passado, tem recorrido sistematicamente, alegando “perseguição política” e “parcialidade” de Moraes.
Os advogados sustentam que o ministro teria atuado em múltiplas funções no processo, o que classificam como “absolutamente anômolo”.
Contudo, a Justiça da Itália rejeitou até agora todos os argumentos, incluindo o de que o país europeu não teria legislação equivalente ao crime de invasão de dispositivo informático.
O Caso em Detalhes: As Duas Condenações
A situação jurídica de Carla Zambelli é distinta da maioria dos casos de foragidos.
Diferentemente de outros processos, ambas as sentenças já transitaram em julgado, ou seja, não há mais possibilidade de recursos na Justiça brasileira.
Invasão ao CNJ:
A condenação por 10 anos de prisão foi unânime.
As investigações apontaram que Zambelli encomendou a Delgatti a criação de um documento falso para desacreditar o sistema judiciário.
A ex-deputada também foi condenada ao pagamento de R$ 2 milhões por danos morais coletivos.
Perseguição Armada (Caso Luan Araújo):
Por 9 votos a 2, o STF entendeu que a deputada usou sua arma de forma ilegal e desproporcional.
O relator, ministro Gilmar Mendes, destacou que “a ré adentrou estabelecimento comercial com a arma em punho apontada para Luan”, gerando perigo concreto aos frequentadores.
Os ministros Nunes Marques e André Mendonça ficaram vencidos, argumentando que Zambelli tinha porte de arma e que a conduta poderia ser enquadrada como exercício arbitrário das próprias razões.
O Papel do Itamaraty e os Próximos Passos
Com a decisão de Moraes, os ministérios comandados por Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública) devem articular-se com a representação diplomática brasileira na Itália.
A determinação acelera os trâmites para que, quando a Justiça italiana der a ordem final, os agentes possam repatriar a ex-parlamentar o mais rápido possível.
Apesar da celeridade determinada pelo STF, o processo ainda pode levar alguns meses.
A Corte de Cassação de Roma (equivalente ao STF brasileiro) tem até seis meses para julgar os recursos pendentes.
No entanto, por se tratar de um caso de prisão, a tendência é que a análise seja prioritária.
Se a extradição for concedida, Zambelli deverá cumprir as penas em solo brasileiro, iniciando pelo regime fechado na Papuda feminina, a Penitenciária da Colmeia, em Brasília.
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FAQ Rápido
1. O que Carla Zambelli fez para ser condenada?
A ex-deputada foi condenada por dois crimes graves. O primeiro foi por contratar um hacker para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e forjar um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, resultando em 10 anos de prisão. O segundo foi por sacar uma arma e perseguir um homem em São Paulo durante as eleições de 2022, crime que lhe rendeu 5 anos e 3 meses de reclusão.
2. Por que o governo brasileiro precisa agir agora?
A Justiça italiana já deu o sinal verde para a extradição. Agora, cabe ao Itamaraty e ao Ministério da Justiça coordenar os procedimentos diplomáticos e policiais para trazer Zambelli de volta ao Brasil assim que os recursos na Corte de Cassação de Roma forem julgados.
3. Carla Zambelli pode ser solta na Itália?
A defesa de Zambelli ainda recorre para evitar a extradição. No entanto, até o momento, a Justiça da Itália rejeitou todos os pedidos, incluindo a alegação de perseguição política e de risco nas prisões brasileiras. A palavra final será do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.
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