Brasília (DF)
05 de novembro de 2026
As exportações brasileiras para a União Europeia alcançaram US$ 44,2 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2025. Do aumento total de US$ 7,4 bilhões, US$ 6,4 bilhões foram registrados entre maio e setembro, exatamente após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. Os números foram apresentados nesta quinta-feira (5/nov) pela Apex durante o evento European Day, organizado pelo portal Europa Brasil.
Marcia Nejaim Galvão de Almeida, diretora de negócios da agência, destacou que o resultado não se limita às commodities. Mesmo excluindo esses produtos, as vendas brasileiras para países europeus avançaram 13% nos primeiros nove meses do ano. Segundo ela, “O acordo não beneficiou apenas o agro, mas também a indústria. Acreditamos que há espaço para todos os tipos de produto. Ainda estamos no início do acordo, mas há espaço para diversificação para pequenas, médias e grandes empresas”, conforme o Europa Brasil.
A Europa ainda responde por apenas 14% da balança comercial brasileira, contra cerca de 30% da China. A diretora da Apex avaliou que o dado revela margem para expansão: “Isso mostra que há espaço para ampliar as vendas. Estamos começando agora a jogar esse jogo.”
O QUE O ACORDO REALMENTE MUDA?
O tratado entre Mercosul e União Europeia, negociado por mais de 25 anos, teve seus instrumentos assinados em 17 de janeiro de 2026. A aplicação provisória das disposições comerciais começou em 1º de maio. Dados anteriores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços já apontavam crescimento de 21% nas vendas de produtos beneficiados pela redução ou eliminação de tarifas no mesmo período de cinco meses, com destaques para abacates frescos (+421%), mel (+367%) e óleo de milho (+266%). Transformadores elétricos, que não registravam exportações no período equivalente de 2025, alcançaram US$ 39 milhões.
A análise aponta que o avanço inicial confirma o potencial estimado pela própria Apex no início do ano, quando a agência projetava elevação de cerca de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras. O resultado ocorre em um contexto de reorganização das cadeias comerciais globais, marcado pela política tarifária dos Estados Unidos e pela busca de parceiros alternativos por parte da União Europeia.
IMPORTANTE: A aplicação é provisória. A entrada em vigor definitiva do acordo depende ainda de procedimentos de ratificação no Parlamento Europeu e nos países do Mercosul. Os benefícios tarifários já em vigor seguem cronogramas específicos e regras de origem que as empresas brasileiras precisam cumprir.
COMO O RESULTADO SE CONECTA AO GOVERNO LULA?
O governo de Lula manteve a negociação como prioridade diplomática após a retomada do diálogo em 2023. A conclusão e a aplicação provisória do tratado reforçam a linha de multilateralismo e abertura seletiva que caracterizou a política externa do mandato. Setores industriais e de maior valor agregado passam a contar com condições de acesso mais favoráveis, o que reduz a dependência exclusiva de commodities e amplia a participação de pequenas e médias empresas no comércio exterior, segundo o Planalto.
O presidente da Eurocâmaras, Sergio Quiroga, observou que o aumento das importações europeias pelo Brasil ainda não foi proporcional ao das exportações brasileiras, em parte porque muitas empresas do bloco já operam no país. Ele atribuiu a viabilidade política do acordo à imprevisibilidade da política comercial americana.
O QUE ACONTECE AGORA?
Os primeiros cinco meses de aplicação mostram resultados concretos, mas o volume ainda está longe do potencial pleno do mercado europeu. Empresas brasileiras precisam adequar-se a exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade da União Europeia. A Apex e o MDIC lançaram materiais de orientação, incluindo websérie, para apoiar o setor produtivo.
A análise indica que a continuidade dos ganhos dependerá da capacidade das empresas de aproveitar as preferências tarifárias e da estabilidade institucional no Brasil e na Europa. O dado de US$ 6,4 bilhões em poucos meses oferece evidência inicial de que a aposta na diversificação de mercados produz efeito mensurável.
FAQ Rápido
Quanto subiram as exportações brasileiras para a União Europeia após o acordo?
Segundo a Apex, US6,4bilho~esdoaumentototaldeUS6,4bilho~esdoaumentototaldeUS 7,4 bilhões (janeiro a setembro) ocorreram entre maio e setembro de 2026, após a aplicação provisória do tratado.
O crescimento beneficiou só o agronegócio?
Não. Mesmo excluindo commodities, as vendas avançaram 13%. Produtos industriais e de maior valor agregado também registraram ganhos.
O acordo já está em vigor definitivo?
A aplicação comercial é provisória desde 1º de maio de 2026. A entrada em vigor plena ainda depende de ratificações.
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