Bruno Fernandes de Souza / Foto: Felipe Dana/AP
| Brasília (DF)
08 de maio de 2026
O ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza foi preso na tarde de quinta-feira (07/mai) em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, depois de permanecer dois meses foragido da Justiça.
A captura encerra uma temporada de descumprimento judicial que expôs fragilidades no sistema de monitoramento de benefícios penais.
Equipes do 25º BPM (Cabo Frio), com suporte da inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais, localizaram o ex-atleta na Rua A, no bairro Porto d’Aldeia, reporta O Globo. Segundo a corporação, Bruno não esboçou reação e colaborou com os agentes.
Conduzido inicialmente à 125ª DP (Cabo Frio), o caso foi depois direcionado à 127ª DP (Búzios).
A viagem de Bruno ao Acre, em 15 de fevereiro deste ano, configura o estopim da crise judicial. Apenas quatro dias após a Justiça do Rio de Janeiro conceder a liberdade condicional, o goleiro embarcou para Rio Branco a fim de assinar contrato com o Vasco-AC — deslocamento expressamente proibido pelas regras do benefício, conforme o Estadão.
A defesa do atleta sustentou que a ida ao Norte do país visava à “ressocialização por meio do trabalho” e que a conduta não configuraria falta grave.
O argumento, no entanto, foi rejeitado de plano pela desembargadora Katya Maria de Paula Menezes Monnerat, da 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Em decisão que manteve a revogação da condicional, a magistrada escreveu que “o apenado quem deve se adequar às regras de cumprimento da pena e não o contrário”.
Condenação histórica
O nome de Bruno Fernandes de Souza entrou para a crônica criminal brasileira em 8 de março de 2013, quando a juíza Marixa Rodrigues, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) , o sentenciou a 22 anos e três meses de prisão, segundo também reportou o UOL.
A pena foi aplicada pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver de Eliza Samudio, ex-namorada e mãe de seu filho, então com quatro meses de idade.
Na sentença, a magistrada descreveu o réu como alguém que “demonstrou ser uma pessoa fria, violenta e dissimulada”, envolvido em uma “trama diabólica” para silenciar a jovem, que cobrava o reconhecimento da paternidade.
Até hoje, o corpo de Eliza Samudio — desaparecida desde junho de 2010 — não foi encontrado.
Trajetória na prisão e tentativas de volta ao futebol
A condenação, no entanto, não encerrou a história judiciária do ex-atleta. Em fevereiro de 2017, Bruno obteve habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi reconduzido à prisão dois meses depois, lembra o Estadão.
Em 2019, progrediu para o regime semiaberto, o que lhe permitiu voltar aos gramados pelo Boa Esporte, de Varginha (MG). A progressão para a liberdade condicional veio em 2023.
Entre 2020 e 2026, o ex-goleiro acumulou passagens por clubes como Atlético Carioca (RJ) , Orion (SP) , União do Bom Destino (ES) e Capixaba (ES) — este último em janeiro de 2026, quando foi demitido após acusar a diretoria de atrasos salariais.
A sucessão de contratos com equipes de menor expressão evidencia um padrão: o mercado do futebol brasileiro, repetidas vezes, tratou o atleta como ativo desportivo antes de considerá-lo um condenado por feminicídio.
Apenas no caso do Vasco-AC, a chegada de Bruno à Copa do Brasil provocou a imediata rescisão do patrocínio da rede Arasuper, segundo o Estadão, que citou “acontecimentos recentes envolvendo o clube”.
O que vem agora
Com a prisão efetivada, Bruno será transferido ao sistema prisional para cumprir o restante da pena, cujo término estava previsto para 8 de janeiro de 2031.
O período em que permaneceu foragido — desde a revogação da condicional em março — não será contabilizado como tempo de cumprimento de pena, conforme decisão da Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio de Janeiro.
O caso reacende discussões sobre a eficácia da fiscalização de beneficiários da liberdade condicional e sobre a necessidade de maior transparência nos acordos judiciais que envolvem figuras públicas.
FAQ Rápido
1. Por que a liberdade condicional de Bruno foi revogada?
A Justiça do Rio de Janeiro revogou o benefício após o ex-goleiro viajar ao Acre em 15 de fevereiro de 2026 sem autorização judicial para assinar contrato com o Vasco-AC, descumprindo regras básicas da condicional.
2. Bruno foi condenado por quais crimes?
Ele foi condenado em 2013 a 22 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver de Eliza Samudio, ex-namorada e mãe de seu filho.
3. O corpo de Eliza Samudio foi encontrado?
Não. Apesar das investigações e das confissões de comparsas, o corpo da jovem nunca foi localizado. A suspeita é que tenha sido esquartejado e enterrado sob uma camada de concreto em Minas Gerais.
Bruno permanece custodiado na 125ª DP (Cabo Frio) aguardando os trâmites para transferência ao sistema prisional do estado do Rio de Janeiro.
A defesa do ex-atleta ainda não se manifestou sobre os próximos passos processuais.
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