Em texto tendencioso, jornal se assume como quarto poder e critica posicionamento do ministro contra anistia, acrescentando que Moraes pode acabar como Moro, por vender “a ideia de que seria o juiz universal da defesa” da democracia
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Após as explosões na Praça dos Três Poderes, o ministro o STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes rapidamente se posicionou como defensor da democracia, associando o atendado de um bolsonarista aos eventos de 8 de Janeiro e se opondo a qualquer anistia para os golpistas, conforme conta um invisível editorialista do jornal O Estado de S. Paulo, em crítica ao magistrado.
O jornal diz que Moraes “arvorou-se em analista político” e vende “a ideia de que seria o juiz universal da defesa do Estado Democrático de Direito no Brasil“.
E acrescenta um alerta ao ministro, referindo-se ao ex-juiz da Lava Jato e hoje senador Sergio Moro (União Brasil-PR), ao afirmar que “a sociedade já testemunhou uma história muitíssimo parecida e sabe muito bem como isso termina“.
O texto é escrito para um público específico e não há quaisquer observações sobre a opinião da grande parcela dos brasileiros, de que o magistrado está certíssimo em fazer tudo o que o editorial condena e que o ministro tem pleno apoio de uma população que não suporta mais a história sem fim do bolsonarismo.
Apesar de haver no editorial um reconhecimento de que a “intolerância política” se tornou “marca indelével do bolsonarismo” e que tolerar atos antidemocráticos significa premiá-los com a impunidade, o jornal estraga tudo ao afirmar que não cabe a Moraes “vir a público e dizer o que acha ou deixa de achar sobre aquele terrível evento e suas eventuais repercussões políticas e, principalmente, jurídicas“.
E o Estadão chega até mesmo a achar que é uma instituição brasileira reconhecida pela Constituição, mas assumindo a condição de quarto poder, ao escrever, surpreendentemente e fazendo soar como uma ameaça, que “é cansativo para este jornal ter de relembrar a um ministro da Suprema Corte que, em uma República democrática, magistrados podem ter muito poder, mas não sobre tudo“.
O fato é que o posicionamento do ministro contra a intenção de anistia a golpistas, após as explosões em frente à Corte máxima de Justiça do Brasil, onde o magistrado atua sob constante ameaça, deteve a discussão dessa pauta, mas o Estadão diz que é “irrelevante a opinião de Moraes – ou de qualquer outro ministro do STF – sobre os fatos ocorridos em Brasília e seus desdobramentos“.
“O que ele tem a dizer, que o diga eventualmente nos autos”, diz o jornal, em tom de irritação, apesar de reconhecer que “uma descabida anistia”, eventualmente “aprovada no Congresso para livrar da punição a massa golpista que invadiu as sedes dos Três Poderes e aqueles que a incitaram a fazê-lo, é certo que o caso chegará ao Supremo para que seus onze ministros decidam sobre a sua constitucionalidade“.
Reconhece também que “só o próprio Bolsonaro, seus apoiadores mais fiéis e eventuais interessados em tramas ardilosas para retornar ao poder são capazes de, agora, seguir defendendo abertamente a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023“. E acrescenta que “anistia para golpistas” seria inconstitucional.
O Estadão segue dizendo que “regulação das redes sociais” é “um tema afeito ao Congresso“, mas que as falas de Moraes para “defender a democracia” concentrou “artilharia contra as plataformas digitais” e politizou o STF, com o ministro concentrando “poderes em um grau que nem as leis nem a Constituição o autorizam“.
E diz que Moraes “lançou-se em uma escalada autoritária” na condução dos “inquéritos das fake news, das milícias digitais e dos atos antidemocráticos“. Ainda, o Estadão afirma que o ministro atropela “ritos processuais” e produz “provas contra suspeitos fora do processo regular“. Diz também que o relator de todos estes inquéritos usa “farto arsenal” ao agir com “arrogância na contestação de críticos de boa-fé, confundindo-os como inimigos da democracia e do STF“.
“Moraes se converteu em uma espécie de versão atualizada do hoje senador Sergio Moro (União-PR): um juiz embevecido pelas próprias virtudes, incapaz de controlar-se diante das câmeras e indômito no atropelo da lei para atingir um fim socialmente importante“, compara o Estadão, fugindo completamente do contexto dos dois históricos.
O jornal admite, novamente, que “não há dúvida de que, sem algumas decisões do STF e do Tribunal Superior Eleitoral, a democracia estaria em risco no País“. Mas, novamente, diz que Moraes “fala demais” e “arroga para a Corte competências que não são suas“, quando, na verdade, o ministro conseguiu esfriar e, talvez, lançar inviabilidade ao trâmite de quaisquer projetos de anistia.
Sorrateiramente, o jornalão suspende, até um momento oportuno, o bote do quarto poder sobre o tema nacional e veste a pele de ovelha ao pontuar e finalizar o texto dizendo que, no momento atual, “o País precisa de tranquilidade“. O editorial atribui a Alexandre de Moraes, equivocada e tendenciosamente, a culpa por “alimentar” o “extremismo que ele decidiu combater“.
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